Cherry narrando. Chegamos ao prédio dele e confesso que estou incomodada. Meu corpo ainda treme de adrenalina, o coração acelera, minhas mãos suadas tentam se acalmar. Chorei, fiquei nervosa, estou com fome… e tudo que eu queria agora era tomar um banho quente, vestir roupas limpas e finalmente me alimentar sem pressa. Mas, aparentemente, esse plano vai ter que esperar. Descemos até o subsolo da garagem e meus olhos quase saltam da cara com a quantidade absurda de carros. Carros caros, polidos, alinhados como se cada um fosse uma obra de arte. São lindos de um jeito quase surreal, parecem aqueles que só se vê em filmes ou em revistas de luxo. Tento não babar, mas é impossível não me sentir intimidada. — Você tem muitos vizinhos? — pergunto, tentando puxar assunto para aliviar a tensão.

