Capítulo 2

1121 Words
Luara narrando... Eu estava nervosa, hoje iria voltar para o Rio de Janeiro, eu perdi o contato total com o Gael, lembro que quando éramos menor ele sempre dizia que eu seria a patroa do Jacarezinho, sendo bem sincera, eu levava na brincadeira, mas sempre desejei que fosse verdade, Gael é lindo, todo vaidoso e muito família, ele fecha contigo no claro e no escuro e eu sempre sonhei em ter um homem assim do lado... Desci no aeroporto e fui para um hotel, aproveitei para dormir um pouco, estava cansada e a noite tinha baile na favela dele, eu estava ansiosa para reencontrar o pessoal, mas ele principalmente, imagino como ele deva estar hoje em dia, de todos, eu e ele nunca mais nos falamos, cada um seguiu sua vida, não vi fotos dele, nem nada, eu e as meninas quando conversávamos, ficávamos mas em relação ao que eu estava vivendo durante meus estudos e o quanto elas faziam os meninos surtar, os meninos eu falei poucas vezes... Eu estava morrendo de saudades daqui, quando falei para a minha mãe que eu estava voltando ela quase saiu contato para todo mundo, mas eu pedi para ela manter em segredo, que iria chegar na hora do baile, pedi para ela avisar ao papai e deixar avisado aos vapores da entrada do camarote, pois não queria ser barrada... Acordei e tomei um bom banho, lavei meu cabelo que é curto, mas eu gosto de manter ele sempre cuidado, passei meus óleos e cremes e fiquei revirando a mala para saber o que colocar, eu sinceramente não fazia ideia, até que eu vi um vestido que tinha comprado e nunca havia usado, ele valorizava demais o meu corpo, ia ficar lindo e expor as minhas novas tatuagens... Terminei de me arrumar e quando desci o recepcionista chamou a minha atenção, me aproximei dele e ele me alcançou a chave de um carro. Recepcionista: Luara né? — eu confirmei. — deixaram para você. Agradeci ao mesmo e fui em direção ao estacionamento, sorri ao ver o carro que meu pai deixou, era um jeep todo preto, do jeitinho que eu gostava, entrei no mesmo e fui em direção ao morro do Jacaré, conforme eu ia me aproximando o frio na barriga ia se instalando, assim que cheguei na barreira os vapores me pararam. Xx: Oh dona, veio para o baile? Luara: Sim, mas sou moradora daqui também. — eles me olharam sem acreditar. — Luara, filha do Pipo e da Vanessa. — digo sorrindo e eles arregalam os olhos. Xx: Lua, tá diferente, pô, sobe aí, foi m*l. — olhei para o mesmo e então reconheci o Lúcio, que agora é conhecido como Pipoca. Luara: Quanto tempo, você também está diferente. — sorrio simpática e subo em direção a quadra, o som tá estralando solto, assim que desço escuto a voz do Chefin e já arregalo os olhos, a energia daqui continua surreal, meu corpo inteiro tá arrepiado, o medo e o nervosismo tomam conta de mim, mas a verdade é que eu tô doida para entrar lá e rever todos, fui caminhando devagar e assim que cheguei na ponta da escada o Chefin começou a cantar uma música que eu amo, os vapores me olharam e eu sorri simpatica. Luara: Meu pai falou com vocês? Cebola: Luara? — eu confirmei. — Pode subir, ele já havia deixado a sua entrada liberada, bem vinda de volta. — ele sorriu simpática e eu o reconheci, estudamos juntos no fundamental, pelo jeito a maioria deles entrou para a vida do crime, mas quando se mora na favela, infelizmente não tem muita escolha. Luara: Muito obrigada. Subi as escadas devagar, meu coração estava ainda mais acelerado, quando pisei no último degrau todos os olhares se viraram para mim, principalmente o do Gael, meu coração soltou disparado, seu olhar era tão intenso, ele me mediu dos pés a cabeça e quando as meninas vieram correndo na minha direção, ele se aproximou e vi a cara de choque do mesmo ao me reconhecer... Me aproximei dele e o abracei, eu estava com tanta saudades, de todos eles, quando abracei o mesmo seu perfume invadiu meu nariz, seu cheiro delicioso mexeu com todas as estruturas do meu corpo, essa é a realidade. GL: Não sabia que estava de volta. Lua: A intensão era essa, fazer uma surpresa. — digo sorrindo para o mesmo que abre um sorriso lindo, logo os meus tios vêem até mim me comprimentar, meus pais me abraçaram com tanta força. Verônica: Menina, você está um mulherão. Lua: Obrigada tia. Moreno: a fase de sogra passou? — ele disse mexendo comigo e o Gael, já que o mesmo dizia que íamos ficar junto quando crescemos e eu brincava e muitas vezes chamava eles de sogro. Pipo: O tempo voa né, minha menina já não é mais minha menininha. — ele diz fazendo drama e eu dou risada. Vanessa: Não mesmo, tá uma mulher e tanto. Moreno: Sorte do homem que a ter do lado. — ele diz olhando para o Gael que faz uma careta. Joca: Vamos deixar eles curtirem... — eles se sentam de volta e eu fico ali reunida com o pessoal, eles me perguntam sobre como foi viajar para os estudos, me atualizam das coisas que aconteceram aqui, mas eu sinto os olhares do Gael sobre mim, e ele nem precisa estar próximo para o meu corpo estar todo arrepiado, a tensão entre nós é nítida. Laís: Pelo jeito algumas coisas não mudam, não é mesmo? Lua: Tá falando do que? Laís: Não se faça, ele não tira os olhos desde o minuto que você pisou aqui no camarote e ele descobriu que era você e para ser sincera, dá para sentir o t***o no ar entre os dois. — ela diz me fazendo arregalar os olhos. Estella: Não precisa mentir para nós, sempre soubemos que era recíproco quando pequenos e ele dizia que você ia se tornar a patroa do morro. Maitê: Os grandes até levavam na brincadeira, tu só fingia e a gente no fundo sabia de tudo, pelo jeito nada mudou, a patroa do jacaré voltou. — ela diz me fazendo rir e eu n**o. Lua: Não viajem, não coloquem coisa na cabecinha de vocês, agora vamos curtir, que esse baile tá uma delícia. — digo e as mesmas se posicionam do meu lado, começamos a dançar e a cara dos meninos para elas é engraçada demais, o Gael tenta disfarçar, mas volte e meia ele direciona seu olhar para mim... Maitê: Vamos encher a cara, por que a noite é uma criança e esse baile promete. — ela diz erguendo o copo dela e a gente faz o mesmo brindando.
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