Carol

1081 Words
Desde o dia do casamento de Luana que Rafael a olhava de um jeito diferente. Já tinha perguntado, mas ele não dissera nada. Já estava agoniada, de ele falar pouco e ficar encarando-a. Hoje daria um fim nisso. Convidou ele para jantarem em um restaurante novo que abriu na cidade. E perguntaria o que aconteceu, porque ele estava estranho. Será que ele não gostara de ela se tornar amiga da irmã dele? Mas daí ele iria ouvir umas poucas e boas! Saí da aula já passando das 22 horas da noite. Fiquei de encontrar Rafael na entrada da Universidade. Fui indo rápido e digitando uma mensagem para ele. "Estou indo, me espera." Sempre avisávamos um ao outro se sairíamos mais cedo, ou íamos embora juntos. Ele morava com os pais, e eu morava sozinha, minha mãe havia falecido faziam pouco mais de dois anos. O que me deixou muito abalada, mas Rafael e sua família me acolheram e me ajudaram muito. Minha casa era a duas quadras da casa dele. Então quase sempre íamos e voltávamos juntos. Hoje iríamos jantar, e resolver essa coisa estranha entre a gente. Nesses anos todos de amizade, nunca brigamos, nem ao menos nos desentendemos. Por isso estava apreensiva com esse jeito estranho dele. - Rafa... - Falei chegando perto dele e acenando. De frente para ele e de costas para mim, estava um rapaz. - Oi, Cá... - Rafa falou sorrindo para mim. Parecia que estava voltando ao normal. Que bom! O amigo dele então se virou. Era um homem pouca coisa mais alto que Rafael, forte e magro, diferente de Rafael, que era forte, mas também tinha um pouquinho de carne. O cabelo bem penteado e preto, olhos escuros, sobrancelhas grossas, boca grande com um enorme sorriso, e tinha uma barba m*l feita no rosto. Contrastando com o rosto de Rafael, que era mais branco, olhos verdes claro, cabelos loiro escuro e meio bagunçado. Rafael mantinha sempre a barba em dia, tendo o rosto lisinho, dando inclusive um ar de mais jovem a ele. O ar me faltou... Uau que homem maravilhoso. Chegou a amolecer as minhas pernas. - Oi. - Repeti, sentindo o meu rosto ficar vermelho. Rafael franziu levemente o cenho, olhou para seu amigo e eu podia sentir que ele queria revirar os olhos. Parei ao lado de Rafael e sorri para o estranho. O amigo dele falou então. - Rafa, não vai me apresentar sua amiga? - Humm... - Rafael franziu o cenho. - Claro. Essa é Carol, minha melhor amiga. - Passou o braço por meus ombros. Senti o cheiro suave do seu perfume. Eu sempre fui muito chata para cheiros, mas o perfume de Rafael, eu amava, era suave, tinha um quê de refrescância. Sorri levemente. - Prazer sou Rodrigo. Amigo e colega de Rafael. - O cara se apresentara e a voz dele, causava arrepios na barriga. Engoli seco. Percebi com o canto do olho que Rafael estava sério e encarava Rodrigo, vai ver não era comigo que ele estava estranho. Podia ser algo na vida dele ou no trabalho, que o estava fazendo ficar tão sério. - Ahn... Vamos Carol ? - Rafael se virou para mim. - Vamos. - Dei um pequeno pulinho. - Tchau Rodrigo. - Abanei para ele, e saímos para o nosso jantar. A caminho para o restaurante Rafael não disse nada, enquanto isso, eu fazia o que faço de melhor, tagarelar. Falei sobre o dia de trabalho, sobre as aulas, sobre como comprei um shampoo que uma blogueira indicou e detonou o meu cabelo, que eu mantinha vermelho há anos, e por conta disso teria que ir a um salão de beleza para ver se tinha salvação. - Carol... - Rafael falara entre um sushi e outro. - Você gostou de Rodrigo? Eu quase engasguei, tive que tomar um gole de água. - Como assim Rafa? - Dei uma risada sem graça. Eu ainda não tinha conseguido conversar com ele sobre esse jeito dele, mas eu ainda ia falar. - Hummm... Só curiosidade. - Ergui as sobrancelhas. Ali estava... aquele jeito distante. Nunca deixávamos nada no ar. Sempre fomos sinceros um com o outro. - Rafael o que está acontecendo? - Perguntei séria. - Como assim? Por quê? - Ele se mexeu na cadeira desconfortável. Então realmente tinha algo errado. - Como assim? Desde o dia do casamento da tua irmã, tu tá agindo estranho! - Não tô não! - Tá sim! Eu te conheço melhor que a palma da minha mão! Você tá estranho. Você tá quieto! Você nunca fica quieto! - Ele riu. Sorri também. Ele era um lindinho. - Me diz o que foi? - Fiz voz manhosa. - Somos melhores amigos pra sempre, como pode estar escondendo coisas de mim? - Fiz cara de brava para ele. Mas era nítido que ele percebia o meu fingimento, pois ria abertamente. - Ok. - Suspirou. Me ajeitei na cadeira, devia ser coisa braba, pois nunca o tinha visto tão sério, quieto e compenetrado antes. O telefone dele vibrou, e o ar sério e misterioso voltou. - Tudo bem? - Perguntei a ele, tentando espiar o seu celular. - Era Rodrigo. - Ele forçou um sorriso. - Quer o seu telefone. Abri a boca e um sorriso se formando. - Manda logo então, Rafa! Ele abaixou a cabeça e digitou o que eu esperava ser meu número. Quando ele ergueu a cabeça disse. - Vamos embora! - Não era uma pergunta, era uma ordem, até me assustei. - Ok... mas Rafa, me diz o que está acontecendo com você? - Nada... esquece. - Mais um sorriso forçado. Mas que inferno, esse garoto não me fala o que está acontecendo! - Rafa.. - Segurei o braço dele antes de entrar no carro. Senti que os pelos do braço dele se ouriçaram. - Desculpe... - Disse sem entender o que estava acontecendo. Rafael só fechou os olhos, respirou fundo e disse: - Outra hora conversamos tá? Entra no carro, vou te levar para casa. Entrei em silêncio, amigos também tem que respeitar a vontade um do outro. Mas por dentro eu estava em ebulição de curiosidade e apreensão. Ele me deixou em casa, mas antes que saísse eu disse a ele. - Quando quiser conversar eu estou aqui, tá?! Ele assentiu. - Eu te amo. - Disse carinhosa, como sempre dizemos. Ele me olhou de uma forma tão intensa, que chegou a me dar uma coceira. - Eu te amo também Carol.
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