Ele a beijou! Meu Deus ele a beijou! Rafael sentia sua cabeça girar, claro que Carol tivera outros namorados, mas naquelas épocas ele não se sentia como agora em relação a ela. E a menção de que Rodrigo tinha a beijado, fora suficiente para lhe causar um enjoo. Ela sempre esteve ali, ele teve todas as chances de tentar conquistá-la e deixou passar, simplesmente porque não sabia o que sentia. Rafael engoliu seco, e continuou a conversa.
- Sério ? Mas já? - Forçou uma risada.
- Pois é... - Carol nunca se sentira desconfortável com Rafael, mesmo depois de já estar apaixonada por ele, ela contava tudo para ele, era a amizade a frente da paixão. Mas desde que ele começara a agir de modo estranho com ela, ela percebia traços diferentes nele, às vezes parecia que ele estava com ciúmes dela, ou incomodado com algo relacionado a vida amorosa dela, mas ele nunca falava nada que confirmasse isso, então ela já estava achando que a paixão estava afetando seu cérebro. Hoje ela estava se esforçando em sobremaneira para lhe contar as novidades, mas quando ela falou que Rodrigo a beijara, ela viu algo diferente nos olhos de Rafael. Os olhos se escureceram o semblante mudou, e ela percebeu a risada forçada. Eram amigos desde muito cedo, ela sabia que algo não estava certo, mas ainda não conseguia entender o que. Será que ele percebera que ela era apaixonada por ele? Ela esperava que não! - Bem vou detalhar tudo tá? - Carol deu uma risada curta. Ela era assim, sempre soltava as bombas, depois ia detalhando tudo, sempre fora quieta, mas com Rafael era diferente, ela era ela mesma, uma tagarela nata.
Rafael sorrira. Não existia outra igual a Carol, as mulheres sempre queriam impressioná-lo quando saíam com ele, mas ela não. Ela era ela mesma com ele. Ele sabia que só com ele, ela era assim, e isso o confortava. Mesmo que nunca tivessem um romance, ela era parte dele, e ele sabia que era parte dela também. - Pode mandar bala! - Ele falou um pouco mais animado.
- No lar ele foi um cavalheiro, brincou com as senhorinhas, deu atenção para os vovôs, você tinha que ver!
Rafael erguia as sobrancelhas demonstrando interesse, e perguntando uma coisa ou outra.
- Por fim fomos almoçar, e eu tava meio que babando por ele, daí olhei o cardápio correndo e pedi um prato sem ler o que vinha. - Ela batera com a palma da mão na testa.
Rafael já começara rir. - Veio só tempero no prato. - Ele já estava começando a gargalhar com ela contando como catou todos os temperos do prato e a cara que Rodrigo fez.
- Ele estranhou, mas não falou nada. - Carol começou a gargalhar também. - Mas me explica, pra que tacar pimentão, tempero verde, cebola, alho - Fez de conta que estava vomitando. - Tudo em um mesmo prato? É pra acabar com um estômago né?!
- Ai Cá... não acredito nisso... - Rafael serviu-os de mais chá gelado. - E dái, continua...
- Bom, depois fomos a praça, ele comprou um sorvete, sentamos em um banco e começamos a conversar sobre a vida, aleatoriamente sabe?
- Aham... e...?
- Aí ele se aproximou. - Carol fechou os olhos para lembrar exatamente como foi. Ela não podia ver, mas Rafael estava trancando a respiração, ciente que ela contaria como foi o beijo, como tantas outras vezes ela fizera. - E quando me beijou foi diferente de todos os beijos que tive até hoje.
Rafael franziu a boca, não podia estar acontecendo... porquê ela tinha que estar gostando de outro cara justo agora? Justo quando ele estava apaixonado por ela!? "Meu Deus, estou apaixonado por Carol! Mas porquê? Porquê?"
Carol continuou, alheia aos pensamentos de Rafael. - Diferente porque não foi lento e romântico. Foi brusco, foi forte, foi sufocante, mas legal e excitante também... - Carol abriu os olhos, encontrando os olhos verdes que ela amava a tanto tempo, estavam tristes, pareciam sentir dor. Ela virou a cabeça "Você precisa se tratar Carol, ou vai enlouquecer por esse homem a sua frente".
Rafael ouviu-a falar palavra por palavra e sentia como facas em seu peito, ele também cansou de contar pra ela como fora suas aventuras amorosas, inclusive contou detalhe a detalhe da sua primeira vez, a fazendo corar e levar a mão a boca. Mas agora ouvindo-a só sentia raiva de Rodrigo, porque ele foi se meter no caminho deles justo agora? Ele não achava que conseguiria ouvir ela dizer que se deitou com ele, mas ele queria saber mesmo assim. Até hoje ela nunca falara com ele sobre esse tipo de i********e, e ele respeitava, ela era uma garota, e não devia se sentir a vontade de falar disso com ele, mas mesmo assim, ele queria protegê-la de todos, e saber o que ela fazia ajudava muito.
- Você foram pra cama já Cá? - Ele perguntou tentando parecer o mais curioso e amigo possível, tentando não demonstrar que sua mão tremia enquanto fazia a pergunta.
Carol arregalou os olhos ficando tão vermelha como seu cabelo. - Tu ta doido rapaz?
Rafael soltou o ar que segurava e começou a rir. Era uma risada de felicidade e alívio, mas ele conseguiu disfarçar como uma risada animada e curiosa.
- Eu m*l conheci o dito cujo e tu me vem com essa de ir pra cama? - Carla ria com ele, entendendo que ele estava brincando. Então ela suspirou e baixou a voz, nunca falara com ele sobre isso, mas achava que já que não ficariam juntos mesmo, ele poderia ajudá-la. - Eu nunca...
Rafael ria com ela, quando viu-a se aproximar e baixar a voz. Ao dar atenção ao que ela disse, seu coração parou no peito. - Você nunca... ?
- Você sabe... - Ela ergueu as sobrancelhas.
Rafael abriu a boca, ela era virgem. Mas que inferno que ela queria fazer da vida dele!? Já não bastava se ver apaixonado pela melhor amiga, se sentir e******o por ela, agora sabia que a mulher nunca estivera com nenhum homem. Isso era para enlouquecer ele, ele devia estar sendo castigado por algo que fez, porque só isso explicaria essa loucura de estar ficando obcecado por ela.
- Carol do Nascimento Coutinho, você está falando sério? - Ele falava baixo e próximo a ela, seus rostos estavam bem próximos, ele sentia o hálito morno com cheiro de hortelã que vinha da boca dela.
Ela fez um sorriso reto, sem humor. - É... - Ela estava presa por aqueles olhos, ele estava tão perto, que ela podia sentir o hálito quente dele, só mais uns centímetros e as bocas se tocariam... ela só precisaria se inclinar um pouquinho...