- Então eu estou cheia de perguntas. O que foi que aconteceu aqui?
Esta era uma Amanda irritada com o pai que sempre amou, ele falou muito mas para ela não disse nada, que história mirabolante de um casamento de fachada, a mãe dela estava morando do outro lado do país enquanto o pai estava casado com Elle, a interrogação era grande.
Sua mãe a olhava consternada, queria se explicar mas o olhar de Amara dizia que aquele não era o momento, ainda faltava a segunda leitura do testamento, o que dizia respeito às demais pessoas na ante sala. Era preciso esperar Amanda digerir tudo para darem sequência.
- Eu sei que você conhecia o meu pai, mas o quanto? Em que ele estava metido?
- É como eu te disse, tem muito sobre a morte do seu pai e Elle que temos que descobrir, entendo o seu desconforto, mas vendo o vídeo do seu pai, vejo que ele se colocou em risco, e não estava preparado para o que aconteceu com eles.
- Sim, e agora o que vamos fazer?
- Esperar...
Algumas coisas que foi dito ajudaram Amara a encaixar algumas pontas que estavam soltas na grande teia que ela estava tentando resolver.
Eu só te peço que aguarde. Vamos conversar sobre tudo ainda hoje.
Amanda se deixou abraçar por Amara, sua mãe também estava mais próxima quando a porta da sala de reunião foi aberta para os outros convidados entrarem.
As duas abraçadas foi exatamente o que Gil viu primeiro, e entendeu que ali não era o momento para fazer cena, precisava ser apenas a “ex enciumada”, todos sentaram em volta da mesa da sala de reunião, a tela de vídeo estava recolhida, então era impossível saber o que foi discutido na hora anterior,
Mais uma vez o magistrado se apresentou, agora para os demais que estavam do lado externo da sala.
Muito bem senhores e senhoras eu agradeço a presença de todos darei início a leitura do testamento de acordo com a solicitação do Sr. Richard Schultz, que viveu em função do trabalho e espera na verdade ter feito algo bom. Suas palavras. Darei início a loucura.
"Faço saber que este testamento é uma vontade minha, o faço ciente das minhas capacidades mentais e na presença de testemunhas.
A herança é um direito, e as partes envolvidas têm pouca ou nenhuma participação nas minhas escolhas, ainda assim decido por compartilhar após a morte.
Em primeiro lugar, o direito dos herdeiros diretos, no caso minha única filha e minha esposa amada, conforme preceitua o artigo do Código Civil.
Para minha filha Amanda deixo metade dos meus bens. Isto significa que esta do meu patrimônio não poderá integrar o teor do Testamento (declaração de última vontade).
A outra metade dos bens pode ser destinada a um fundo que será gerido por minha ex- esposa. Ela deverá ter o controle majoritário e tomada de decisões, cabe a ela dispor do espólio e fazer novas divisões e distribuições se assim achar necessário.
Dos colaboradores que solicitei a presença nesta sala, ressalto meu profundo apreço, são pessoas que estiveram ligados a mim por muitos anos, alguns frequentadores de minha casa, me ajudaram a construir o meu império e por este motivo reservei valores que considero útil para seguirem na vida, e se desejarem abandonar as empresas, não se sintam obrigados a ficar por um senso de lealdade ou algo parecido, estes valores foram depositados em fundos a parte e faço saber que com rendimentos justos em carteiras de investimentos, acredito que alguns podem se considerar ricos, e fico feliz que assim seja.
Aqui destaco uma última vontade. Gil Hollander, você que um dia chamei de amiga, e que achei que estaria na minha família por muitos anos, se mostrou uma decepção, sucessivas decepções uma atrás da outra, meu coração sofre enquanto tomo tal decisão, porque acreditava que a sua parceria nesta empresa, seria para um futuro longínquo, mas infelizmente depois de tudo que descobri, não posso não estar presente e deixar que você siga seus caminhos sinuosos e criminosos dentro desta organização.
Faço saber a todos que o grupo Schultz, estava sendo usado como porta de entrada para uma rede criminosa, por termos as portas abertas em inúmeros países era uma fachada perfeita para os crimes engendrados em nossa organização, até onde pude saber, ao final das inúmeras maquinações, eu seria arrastado pela polícia e preso como o grande criminoso desta organização.
Milhões foram desviados, em quantidade tal que seria absurdo eu expor os valores assim, bem, eu identifiquei estes valores escondidos em nossas finanças, para que o dinheiro fosse lavado, e com a ajuda de alguns conhecidos que tenho em instâncias federais, transferi o valor para uma conta no exterior. Como recuperar? Talvez eu fosse a única pessoa que soubesse como o fazer, mas se estamos lendo este documento eu não estou aí e por isso deixo ao encargo das pessoas responsáveis.
Por este motivo Gil Hollander, eu espero que você saia desta organização, saia da minha casa, eu retirei o dinheiro que você vinha lavando na minha organização, não posso ainda provar como você estava fazendo isso, e somente por isso você não está sendo presa, mas acredito que os seguranças que estão do lado de fora te acompanharão até a saída."
O princípio de uma tempestade se formava na sala de reuniões, todos olhavam para Gil, que espumava indignação.
- Ele não pode fazer isso! Ele não pode dizer coisas assim e me expor desta maneira, eu trabalhei nesta empresa por anos, eu tenho direitos e não posso ser demitida por um morto.
- Tecnicamente, quando a demissão foi feita ele estava vivo, tenho todos os documentos assinados e as causas que comprovam a necessidade de sua demissão.
Quando o advogado rebateu a tentativa de insubordinação apontando para os documentos, Gil ficou mais furiosa.
- Amanda você não pode deixar, você me conhece, temos uma vida, uma história. - disse atravessando a sala, e parando em frente a uma Amanda que estava começando a entender os porquês de muita coisa. - Diga que não aceita a minha demissão, no mínimo eu tenho o direito de me explicar.
- É um desejo do meu pai, e você sempre disse que eu fazia todas as vontades dele, nosso passado não é uma questão aqui. Provar que você não roubou esta empresa deveria ser sua preocupação maior.
- Eu não vou provar nada, e mais voltarei a esta empresa de cabeça erguida.
Dizendo isso, virou sobre os calcanhares e se dirigiu para a porta. Mais uma vez o advogado a fez parar.
- Senhorita, preciso que deixe todos os pertences fornecidos pela empresa nesta caixa. O que importava naquele momento era que ela depositasse na caixa o celular. Amara, já estava pronta para resgatá- lo conforme tinha combinado antes com o advogado, um aliado que tinha que manter a discrição e a distância para o bem das investigações.
Um a um ela foi retirando o crachá, cartões de identificação, cartão corporativo, o computador portátil e tablets, mas não soltava o telefone.
- Ele olhou para uma lista que tinha em mãos e disse, o telefone também por favor.
- Mas eu tenho coisas pessoais neste aparelho. - Falou quase gritando.
- Ele será formatado, não se preocupe, todos os aparelhos da empresa são encriptados e quando devolvidos são formatados sem a necessidade de abrir. A Senhorita sabe disso.
E então ela jogou o aparelho com força na caixa e saiu, quando pôs o pé fora da sala foi escoltada por dois seguranças enormes e de cara fechada, estava indo para o subsolo, mas lembrou que o carro que dirigia também era da empresa. Saltou do elevador no térreo, e se dirigiu a porta giratória, quando já estava do lado de fora do prédio acenou para um táxi amarelo que passava naquele momento e entrou, somente depois de informar o endereço para o motorista que aparentemente estava mais interessado na estação de rádio que tentava sintonizar.
- Deu tudo muito errado, eu estou fora do grupo Schultz, fui cuspida da empresa como se fosse um resto de carne que nem mesmo cachorro quer. Aquele morto filho da p**a deixou para me humilhar depois de partir, eu mandaria matar ele de novo se pudesse. Não, ele não falou onde está o dinheiro, disse que o segredo morreria com ele, mas duvido, era muito dinheiro, ele deve ter deixado pistas e a sonsa da Amanda vai acabar descobrindo. Não, ela está namorando com uma outra sonsa, só que esta não me permite acesso, estão sempre juntas, usar do meu charme não adianta mais.
O veículo rodou por vários quarteirões até entrar em Koreatown, ali era o destino final, quando ele parou em frente a um prédio antigo com tijolos vermelhos, mais uma vez mostrando todo e qualquer interesse nela, pegou seu celular para calcular a corrida e enquanto ela via ele mostrar quilômetros rodados e valor, ele fotografava o local e os arredores.
Depois da passageira descer e entrar no prédio, ele pegou o telefone e ligou para um número salvo em seu aparelho e na outra ponta Amara atendeu.
- Então.
- O seu time continua perfeito, ela pegou o meu táxi como o previsto. Conseguiu copiar a conversa dela pelo telefone? Se não conseguiu, tenho tudo gravado, a mulher está com muita raiva.
- Copiei, preciso que me confirme o destino.
- Sim, é o mesmo edifício que já temos sob guarda, aguardei para ver se ela entrava, e esperei para ter certeza que não sairia para outro local. Ela estava segura de que não estava sendo seguida. Ou distraída o suficiente para não prestar atenção.
- Muito bem, como sempre você fez um ótimo trabalho.
- Eu aprendi com a melhor.
- Não vai adiantar me elogiar, a próxima rodada é por sua conta.
Ela desligou o telefone, e olhou para os membros restantes na sala, que eram os mesmos que estavam ali para a reunião inicial, Amanda, a mãe e o advogado.
- Parece que a história está tomando o seu curso natural, logo chegaremos ao fim disso tudo.