Peculiar

2003 Words
Ethan e Mary trabalhavam concentrados no novo traje, Ethan colocava os componentes em ordem e arrumava a malha de aço, enquanto Mary estudava formas mais seguras de unir o pingente, Ethan e o traje. - Ethan, me diga, como sabia que eu sou formada em biotecnologia? - Puxar seu histórico não foi muito difícil, Mary. Era a melhor aluna da classe. - disse Ethan rindo. - Você estava de olho em mim? - Você sempre disse que cursava uma faculdade, mas nunca disse qual, aí eu fui m***r a dúvida. - Entendo... bom, você também nunca disse que era expert em tecnologia, você não tem cara disso. - É complicado. Tem coisas que eu sinceramente preferiria não saber, mas aparentemente o nome "Stevens" é um fardo pesado. - Por que diz isso? Ethan larga as coisas que ele estava montando, e diz: - Todo m****o da família nasce com uma afinidade natural com tecnologia, foi assim com meu bisavô, meu avô e todos antes deles. Meu pai era um gênio da tecnologia, todos dizem que ele revolucionou a indústria mecânica, todos falam que Henry Stevens foi o grande nome dos tempos modernos, talvez o maior do mundo. Mas logo depois ele foi morto pela concorrência. Minha mãe dizia que eu herdei essa afinidade dele, e daí já viu né? MIT foi minha casa por anos, trabalhei em vários projetos e montava circuitos inteiros já com 8 anos de idade. Mas eu nunca quis nada disso. - Por que não? - Sempre quis um estilo de vida mais simples, viver com menos intensidade do que meu pai viveu. Mas um belo dia eu resolvo levar um tiro e uma semana depois eu brilho dourado. - Se arrepende disso? Ele fica pensativo e responde: - Não. Quer dizer, no início eu me questionei muito a respeito disso, por que salvariam alguém como eu? Mas hoje eu entendo melhor, isso, tudo isso aqui é quem eu sou de verdade, jamais conseguiria viver de outra forma, sabendo que poderia fazer alguma coisa pra ajudar alguém e não fizesse nada. Até com o lance da tecnologia, eu não gosto disso porque me parece um caminho errado, baseado em tudo oque meu pai fez e sofreu por causa disso, tenho medo de que a tecnologia nos deixe cada vez menos humanos algum dia. Mas vendo que isso pode salvar pessoas e até o mundo, eu uso isso com prazer. - Ao menos sua infância de menino prodígio deve ter sido boa. - Não muito, eu só construí todo o sistema de luzes e gás da minha antiga casa e montei um robô sozinho pro projeto de ciências quando era criança. - Uau, sua infância deve ter sido muito chata. - Você não tem ideia. Mas e você? De onde você veio? Nunca conheci nenhum parente seu. - disse Ethan. - Ah, eu também não. Cresci num orfanato, me disseram que me abandonaram ali quando era recém nascida. - Eu sinto muito... - Não, olha... eu estou em paz comigo mesma, tenho amigos de verdade e pessoas que se importam comigo, já é o suficiente. - Fico feliz em ouvir isso então. - disse Ethan, sorrindo. Então ele abre um painel que mostra alguns dados especiais, e Mary franziu a testa ao olhar para aquilo. - Isso são alguns dados que eu juntei dos meus estudos sobre os meus poderes. - explicou ele. - E o que você achou exatamente? - Para derrotarmos o Eclipse, precisamos primeiro entender como ele surgiu, e eu tenho uma ideia bem interessante. - Manda ver. - Como ele próprio já disse, eu sou ele, e ele sou eu. Ele não estava errado, o Eclipse nada mais é do que a manifestação do meu pior lado que sempre existiu, só que agora usando os meus poderes, e criando uma consciência própria. - Então ele deve ter ficado todo esse tempo apenas se formando e se alimentando da sua força... - É por isso que meus poderes falharam na usina, eu já estava quase sem energia nenhuma, e vou permanecer assim até enfim acabar com essa coisa. - Com os últimos meses sendo difíceis pra você, só deve ter dado mais e mais força pro Eclipse. Ethan se encosta na cadeira, e respira um pouco pensativo. - Isso só demonstra o quanto sua situação é séria... - Eu nunca imaginei que uma coisa dessa pudesse acontecer... - Bom, ao menos agora que sabemos como ele nasceu, podemos dar um jeito de vencê-lo. - É, você tá certa. Mary continua juntando análise de dados, mas ela resolve ser ousada, e pergunta: - Como seu pai morreu? Digo, se quiser contar. Ethan respira fundo, se vira pra ela e responde: - Meu pai estava na frente de muita gente importante numa exposição de tecnologia mundial, onde todos os gênios do mundo iriam expor suas ideias e vender mercadorias pras corporações. Meu pai criou alguma coisa tão inovadora, que diziam que isso ia revolucionar até a história da humanidade, ele estava próximo de ser o maior magnata da América, a concorrência cresceu o olho tanto no prêmio, como na tecnologia dele, e começaram a ameaçá-lo, que caso ele não desistisse do evento e entregasse a grande invenção que ele estava montando, eles iriam m***r minha mãe. - E o'que era essa tecnologia tão incrível? - Eu não faço a mínima ideia. Ninguém nem sequer comenta sobre isso, se tornou um assunto p******o. Nem a minha mãe sabia. - E o que aconteceu com ele? - Meu pai não se dobrou às ameaças, e na noite da última apresentação dele, uns caras chegaram e abriram fogo contra a minha mãe. Mas meu pai foi mais rápido, e empurrou ela pro lado, levando em cheio vários tiros, e depois disso... ele acabou morrendo. Mary fica impressionada ao ouvir a história, e conclui: - Por isso você não queria aproveitar seus talentos? - Do que vale ganhar o mundo e no fim perder sua vida e sua família? De certa forma o talento do meu pai ficou acima de mim, da minha mãe e acima da própria vida dele. Não queria acabar como meu pai, deixar o poder subir até a cabeça e colocar o mérito próprio acima de tudo. Vi minha mãe sofrer muito por isso, e no fim, nós perdemos tudo oque tínhamos. Não acho que meu pai foi um i****a, ou foi egoísta pensando só nele e no prêmio, mas acredito que quem somos, as vezes, nos faz alvos. Com certeza ele não pensava assim. - É, mas hoje em dia você acabou virando um alvo de qualquer jeito. - Virei sim... mas ao menos vidas serão salvas por isso. - Eu só acho que se você tem um talento tão importante desses, você não deveria esconder. Qualé, as pessoas te chamavam de coadjuvante justamente porque achavam que você não sabia fazer nada, mas m*l sabíamos que temos em nossa frente, potencialmente, o maior gênio do mundo. - Acontece que eu não queria ser o maior gênio do mundo, eu só queria ser eu, queria trilhar meu próprio caminho, diferente do meu pai. Não queria ser conhecido como "o filho de Henry Stevens" mas como quem eu sou. Eles ouvem um bip, e ele se levanta e vai até o suporte onde tinha posto o colar: - Então, quanto tempo até isso ficar pronto? - A sincronização está em 6,9%, acho que até amanhã isso deve acabar. - Tomara que dê tempo. - E aquele cara que você falou, o Anarquista, quem é ele? - Não posso contar. - e Ethan voltou a montar as pequenas peças. - Ah, por favor! - A identidade dele não é um segredo meu, então eu não posso contar pra ninguém, e também não quero que alguém saiba que há uma r*****o entre nós, só te contei porque confio em você. - Tudo bem então. Mary estranhou todo aquele sigilo, mas volta a se concentrar no trabalho, e pega um pequeno recipiente para análise de substâncias líquidas, Ethan olha aquilo e pede: - Você vai usar isso? - Ahn... sim, eu ia, mas tem outro ali, pode ficar com esse. - Obrigado. Ethan pega o frasco, e Mary se vira para pegar outro na mesa ao lado. - Mary, poderia pegar aquela ferramenta ali? A menor, por favor. Mary pega na caixa uma ferramenta pontiaguda, e vai até Ethan, mas ela tropeça em uma pequena caixa de parafusos lacrada, caindo por cima do ombro de Ethan. - Argh! Me desculpe... - disse ela. - Relaxa. Ei, você cortou seu dedo... Mary olha pra sua mão e vê que cortou seu dedo indicador com a ponta da ferramenta e o sangue havia caído por cima do recipiente que estava em cima da mesa dele. - Ah, eu vou ali fazer um curativo, e já volto. - Tudo bem. E Mary saiu. Ethan voltou sua atenção para a mesa, e viu uma coisa estranha no sangue de Mary, ele tinha uma cor um pouco mais clara do que o normal, mas ele achou que fosse só porque havia pouco ali, e foi até a pia para limpar o frasco, mas na hora que ele passou perto de uma das lamparinas de mesa, e a luz passou pelo sangue, ele começou a borbulhar. - Mas o'que?! Ele colocou o recipiente novamente contra a luz, e o sangue de Mary borbulhava devagar, e isso deixou Ethan bastante intrigado. Imediatamente ele colocou aquele recipiente com o sangue no microscópio, e observou as células, e ele via que as células de Mary eram diferentes de uma célula normal. Muito curioso, ele começou a fazer anotações, e fez testes colocando substâncias especiais e esperando para ver a reação do sangue, e até mesmo ácido o sangue dissolvia sem maiores problemas. Por um instante ele deixou o recipiente perto do pequeno frasco com líquido radioativo preto que James havia lhe dado, e foi verificar o upload do traje, que já estava em 37,8%. Quando voltou sua atenção para o sangue, ele viu que agora ele estava até brilhando, depois mais uma vez, Ethan colocou no microscópio e observou que as células dividem um tipo de energia entre si. Ele logo chegou a uma conclusão. Depois ele anotou tudo em um caderno rapidamente, e depois o guardou numa gaveta da mesa. Ele ouviu que Mary estava voltando, e foi rapidamente limpar a mesa e lavou o sangue do recipiente, depois sentou em sua mesa e voltou a montar as peças. Mary chegou, um pouco atrapalhada: - Desculpe, eu demorei muito? Tenho um pouco de nervoso de fazer curativos. - disse ela mostrando o dedo com um band-aid. - Ah nada, que isso! Você foi bem rápida. - Bom, acho que já podemos retornar ao trabalho, não é? Quanto está o upload? - Está em 40% agora, e contando. - disse Ethan. - Ótimo. Ethan olhou pra Mary cuidadosamente, tentando achar alguma pista, mas ela parecia completamente normal, até que ela se vira dizendo algumas coisas, e Ethan não presta atenção, e então ela chama a atenção dele: - Ethan? Ethan! Você estava me ouvindo? - Ahn? Ah sim, sim. Eu estava, é que eu... qual era a pergunta mesmo? - O'Que você pretende que essa coisa faça com seu traje? - Ah sim, bom, estou esperando que ao derrotar o Eclipse, minha roupa esteja com mais potência e capacidade para concentrar mais energia, e a estrela vai ser usada como uma espécie de balanceador. Com um novo modelo sintético dela, ela vai concentrar mais a energia pra roupa, e vai fazer com que meus poderes durem mais tempo e com menos gasto, porque eu tenho uma porção diária de poder, que recarrega toda a meia noite, e pra isso eu preciso poupar. - Disso eu não sabia... - É, muita gente nem imagina. Por isso eu uso esses trajes, entende? - Bom, você nem parece ser desse planeta. - disse Mary, rindo. - "Você também não." - pensou Ethan, sorrindo de volta.
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