DV narrando O morro tava em silêncio. Mas não era o silêncio bom. Era aquele silêncio estranho, pesado, que gruda na pele e aperta o peito. Desde que aquele encapuzado falou o nome da Ester com aquela voz suja, eu sabia: alguém tava brincando com a morte. E eu ia mostrar que nesse jogo, quem sangra é eles. Naquela mesma noite, botei a quebrada inteira de prontidão. Vapôs, olheiros, câmera nova, rádio no volume máximo. Reforcei cada viela que ela passava, cada canto da escola da Eloá, cada trajeto entre a casa dela e a minha. Mas não bastava. Eu precisava pegar alguém. Precisava de sangue. Foi Ligeirinho que apareceu com a notícia no fim da tarde de domingo. Lingueirinho: Chefe, tem um Zé Ruela lá da Pavuna tentando se infiltrar no Vintém. Disseram que ele entregou o envelope com a fo

