DV narrando O morro acordou diferente. O sol nem tinha dado as caras ainda e eu já tava de pé, andando de um lado pro outro dentro de casa, com a cabeça fervendo e o coração apertado. Marta me olhava de canto, fingindo que tava tranquila, mas ela sabia. Ela sempre sabe. Desde moleque ela percebe quando tem alguma coisa errada comigo. O nome dela não saía da minha cabeça. Ester. O barraco com a Samara, os olhares do morro, os cochichos, tudo desandou. E agora? Ela ia aguentar isso? Ia continuar do meu lado mesmo com todo esse peso? Fui até a cozinha, sentei na cadeira de madeira antiga e respirei fundo. Marta colocou um café na minha frente sem dizer nada. A gente ficou ali, em silêncio, só ouvindo o barulho da rua acordando aos poucos. Minutos depois, o telefone tocou. Era dona Cleus

