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DV narrando A manhã começou com o cheiro doce de bolo no forno e o som distante dos pássaros brigando no telhado. A luz do sol entrava pela fresta da cortina com calma, riscando o chão com listras douradas. Era uma manhã comum, daquelas que antes passariam despercebidas, mas que agora tinham gosto de milagre. Porque estávamos vivos. Porque estávamos em paz. Ester lavava a louça em silêncio, os cabelos presos num coque bagunçado e os pés descalços. De tempos em tempos ela olhava pela janela, como se esperasse que alguma resposta viesse com o vento. Eu tava sentado no quintal, o braço apoiado no joelho, cabeça baixa, quieto. Fazia dias que eu tava pensativo. Observava mais do que falava, como se estivesse escutando algo dentro de mim que ninguém mais ouvia. Depois da conversa que a gente

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