Ester Narrando Quando fechei a porta depois dele, meu coração não sossegou, ficou ali batendo alto no peito, como se estivesse preso e querendo sair. Apoiei a testa na madeira gelada da porta e fechei os olhos, tentando não chorar, mas era impossível, ele apareceu de novo, falou pouco, mas falou. “Queria saber como cês tão se adaptando aqui,só isso.” Que tipo de frase é essa? Parecia preocupação, mas soava como desculpa, fria e controlada. E ao mesmo tempo, cheia de coisa que ele não consegue dizer. Ele nunca soube falar o que sente, nunca soube se explicar e eu nunca soube insistir. Fiquei ali parada por um tempo, lembrando do jeito que ele olhou pra mim, o mesmo olhar de antes, o mesmo que ele tinha quando era criança e machucava o joelho, mas fingia que não doía. Fingindo que tav

