132 - Empatados

2630 Words
*Michael PoV* Eu não sei o que é pior... ㅡ Não se preocupe, Pete. Sua ho®a vai chegar. Só agora dirijo meu olhar para o meu dito amigo. Eu não o reconheço mais. Escuto as desculpas dela, como se ela o estivesse protegendo. ㅡ Sinto muito. Acredite em mim, eu realmente lamento pelo o que aconteceu. Mesmo assim, foi um erro que não te diz respeito! Nós não estávamos mais juntos! Não me diz respeito? Eu a seguro pelo braço e a puxo para um canto, tentando encontrar um local melhor para conversar. A música está alta e o olhar de cão sem dono do Pete me irritam pra cass&te! Ele tenta me segurar, porém eu o empurro. ㅡ Você e eu vamos resolver isso. Amanhã! Hoje, quero falar com ela. Sozinho! Vasculho o local com o olhar e vejo a área VIP quase deserta. É para lá que sigo com Amber. Eu a faço sentar em um banco nos fundos e me acomodo ao seu lado. Eu só quero entender... Quero que essa merd@ seja um put@ m@l-entendido! Roço meus dentes uns nos outros, com o olhar fixo na parede, tentando iniciar uma conversa civilizada. Nós somos iguais, o reflexo um do outro. Se eu estourar, ela fará o mesmo. Será o fim. Tento me acalmar respirando fundo e afasto alguns fios do meu cabelo do rosto. ㅡ Pode me dar uma boa razão para esquecer o fato de que deixou o meu melhor amigo te beijar ou acreditar em qualquer coisa que disser no futuro? Não recuso seu toque quando ela coloca a mão no meu braço. Estou na verdade torcendo para estar em um horrível pesadelo, do qual logo irei despertar, no entanto sua frase seguinte me abala profundamente. ㅡ Eu te amo... O ambiente ao meu redor desaparece. Estou completamente afogado no desespero. Não sei o que pensar dessa situação. Mesmo estando separados… Ela poderia ter saído com qualquer um, menos o Pete! Nada doeria tanto... Porr@, eu o conheço quase a minha vida toda! As lembranças da briga em Miami e a forma como ela o usou para me causar ciúmes me invadem. Será que foi sem querer ou realmente há alguma coisa entre eles? Pete tem estado esquisito, desde que falei que tinha terminado com ela, e agora sei o motivo! Ele a cobiçava secretamente. Assim que teve oportunidade, foi tentar a sorte? E ela deixou? Ela diz que me ama, mas será que também sente algo por ele? ㅡ Fale alguma coisa... ㅡ Seu sussurro desesperado me traz de volta. Acredito quando ela diz que me ama, porque vejo em seus olhos o medo de me perder. Eu já senti esse medo também. Puxo o ar com as mãos na cabeça e expiro de forma tão tensa que é como se arrancasse os pulmões. ㅡ Michael... ㅡ Estou pensando... Por que deixou que ele te beijasse? *Amber Lee PoV* Desvio minha atenção para o chão um instante para organizar melhor meus pensamentos. Seu olhar cheio de dúvidas é perturbador. Se eu não esclarecer tudo agora, será o nosso fim. Acho que Pete tinha razão, deveríamos ter contado para ele desde o começo. Agora, a impressão que dá, é que agimos pelas suas costas e, depois da forma como Michael se humilhou para me ter de volta, não quero nem imaginar as besteiras que estejam passando em sua cabeça. ㅡ Eu estava magoada com você e insanamente infeliz pela forma como me deixou sem um motivo justo. Não pensei que ele fosse me beijar. Pete percebeu o erro que cometeu imediatamente. ㅡ Ele está apaixonado por você? ㅡ Claro que não! Já disse que estávamos bêbados. Foi uma idiotice impensada e ele se sente muito m@l com isso! ㅡ E você? ㅡ É claro que eu me sinto horrível também! Jamais quis te magoar desse jeito! ㅡ Será mesmo? Espremo meus lábios com força até ficarem dormentes. É duro admitir, mas eu realmente desci ao fundo do poço para atingi-lo. ㅡ Uma parte de mim queria que você sofresse, porque eu estava muito magoada. Não queria que tivesse me deixado. Ele expira profundamente. ㅡ Não é a primeira vez que você o usa desse jeito… Eu o encaro, agora com a certeza do que fiz e as motivações reais por detrás daquele beijo. Tento manter minha voz firme, apesar dela ser trêmula por causa das lágrimas que seguro. ㅡ Sim, foi a oportunidade que surgiu no momento… Você me feriu profundamente, muito mais do que eu pudesse imaginar, Michael. Fui julgada e condenada sem qualquer chance de defesa e, os sentimentos que te confessei, não pareceram significar qualquer coisa para você, que passou por cima deles como se fossem lixo. Só o que te importava era me culpar, uma culpa que não era minha. Então, sim… Eu quis que o Pete me beijasse porque, mais cedo ou mais tarde, você ficaria sabendo e isso te machucaria tanto quanto você tinha me machucado. *Michael PoV* Apoio os cotovelos nas coxas e deixo minha cabeça cair entre as mãos, escondendo meu rosto. Sufoco um urro de pura raiva e decepção, mais contra mim mesmo que contra ela. Levanto o meu rosto e me forço a encará-la. Tenho medo da resposta, no entanto preciso saber. ㅡ Você gostou do beijo? Sua cabeça balança negativamente. ㅡ É você quem eu quero, Michael. Ninguém mais. Aquele beijo não significou nada para mim. Eu insisto em escutar um “sim” ou um “não”. É uma conversa séria e quero sinceridade de sua parte. Prefiro arrancá-la de uma vez do meu peito, se for o caso, do que ficar com essa insegurança horrível me corroendo por dentro. ㅡ Você tem certeza? ㅡ Claro que tenho! Sinto que um pouco de alívio começa a me tomar, pois percebo que ela é sincera. Arrisco-me a arrumar uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha. ㅡ Sabia que tinha te magoado, Amber. Só não tinha noção do quanto. Não sei do que tenho mais raiva: De você ter deixado o Pete te beijar ou dele ter desejado te beijar. Isso me enlouquece de ciúmes. ㅡ Você me perdoa? Desvio o olhar para a mesa um instante e mordo minha boca de leve. Se eu não tivesse sido tão horrível com ela, nada disso teria acontecido. Merd@! Também beijei outra garota! Era uma pir@nha e não significou nada para mim de qualquer forma. A mulher em meu coração é essa diante de mim. Eu só queria puni-la. Pelo visto, Amber se sentiu da mesma forma. ㅡ Acho que não posso realmente te culpar depois do que eu fiz. Tenho minha parcela de culpa nisso. Entretanto... ㅡ Meus olhos se prendem aos dela com um toque de malícia. ㅡ Mesmo sendo parcialmente responsável, ainda tenho o direito de te fazer pagar um pouco pela humilhação. Ela me encara surpresa, no entanto acena com a cabeça. Não posso ignorar o fato que tenha me perdoado depois do que fiz, então é justo que eu faça o mesmo. É como se estivéssemos empatados. Peço uma garrafa de uísque e bebo um pouco só para esquecer a sensação desagradável. Sei que posso me arrepender depois, então evito extrapolar, é o suficiente apenas para me deixar mais solto e leve. Levo-a de volta para a pista de dança, afundo meu rosto em seu pescoço, e a embalo de um lado para o outro. Não penso mais nos meus pés, só sigo o ritmo da música ao meu modo, enquanto sussurro em seu ouvido minhas ameaças. ㅡ Vou descobrir seus limites, little bunny... E irei além deles... Seu corpo estremece junto ao meu, o que eu acho extremamente prazeroso. Deslizo minhas mãos por suas costas, pescoço, braços, tudo para não deixá-la escapar. Tenho medo que ela se dê conta que gosta do Pete e corra para os braços dele se eu a soltar. Amber parece perceber meus temores. Seus braços envolvem meu pescoço e ela se aninha no meu peito, o que confesso me deixar mais seguro, porém eu ainda quero mais. ㅡ Diga de novo. Ela levanta a cabeça e nossos olhos se encontram. ㅡ O que quer que eu diga? Expresso o que quero escutar com um sorriso presunçoso. Ela entende imediatamente e respira fundo. ㅡ Não provoque! Eu te amo. É tão bom ouvir isso... Quero dizer o mesmo, porém vou cozinhá-la um pouco mais como parte da punição por ter deixado o Pete beijá-la. Inclino minha cabeça e faço carícias em sua bochecha com a ponta do meu nariz. Seu perfume me invade, eu me sinto inebriado e o álcool não tem a nada a ver com isso. ㅡ Diga de novo... ㅡ Eu te amo. Desço meu nariz para o seu pescoço, subindo depois até o lóbulo de sua orelha, provocando sua pele com a minha língua pelo caminho. Eu a saboreio sem pressa e me divirto com seus arrepios e gemidos. Coloco minhas mãos na parte baixa de suas costas e a pressiono mais contra mim. ㅡ Está perdoada. ㅡ Percebo que ela fica tensa nos meus braços. Sei que ela quer me ouvir dizer que a amo. Eu direi, daqui a pouco. Por enquanto, ela vai esperar. Como tenho coração, massageio seu pescoço levemente. ㅡ Gosto de te ouvir dizer isso. *Amber Lee PoV* Eu o empurro levemente e me afasto, dando a desculpa de ir ao banheiro. Ele deixa aquele sorriso presunçoso escapar por seus lábios e eu bufo, enquanto entro no bendito lavatório. Jogo um pouco de água no meu rosto e respiro fundo algumas vezes. Mentira tem perna curta… Eu mesma o recriminei por mentir para mim e agora me vi na mesma situação. Tudo bem que nós tínhamos terminado, porém Pete tinha razão. Deveríamos ter contado para ele desde o começo. Seco meu rosto com papel toalha e pego um estojo pequeno de maquiagem na minha bolsa para organizar o desastre na minha cara. Ele disse que me perdoava, porém não disse que me amava. Aquele idïota… Ele sabe como eu queria ouvi-lo dizer isso e resolveu me punir dessa forma… Assim que saio do banheiro, um braço me puxa para um canto e dou de cara com o olhar arrependido do Pete. Olho nervosamente ao redor, com medo que Michael nos veja juntos, porém Pete segura o meu queixo para me fazer olhar para ele. ㅡ Sinto muito por isso, Amber Lee. Eu disse que deveríamos… ㅡ Eu sei o que você disse e concordo. Agora, pode me soltar? Se o Michael nos vir juntos, vai ser o inferno na Terra! Ele ergue uma sobrancelha incrédula sobre os olhos e eu acho isso esquisito. ㅡ Vocês… Estão de boa? Ele te perdoou? ㅡ É como se estivéssemos em um empate. Ele fez merd@, eu também, então, sim, estamos de boa. Por quê? Ele suspira e desvia a atenção para o chão, como se estivesse decepcionado. Depois, dá um sorriso deprimido para si mesmo. ㅡ Imaginei que ele ficaria possesso e quebraria a minha cara. Acho que ele te ama de verdade… Agora sou eu quem o encara com uma sobrancelha erguida. ㅡ Por acaso você queria que terminássemos para sempre? ㅡ Tento soltar o meu braço, contudo ele não me permite. ㅡ Pete, quer fazer o favor de me soltar? ㅡ Amber Lee, eu… Sua frase fica no ar, quando um braço se mete no meio de nós e me puxa para longe dele. Vejo-me aconchegada ao peito do meu namorado, cujo olhar frio e cheio de fúria está direcionado para o seu amigo. Eu me sinto horrível. Nunca na minha vida imaginei que pudesse ser o pivô de uma briga entre duas pessoas que se viam como irmãos e, agora, parecem dois estranhos um com o outro… *Michael PoV* Ela me empurra e dá a desculpa de ir ao banheiro. Sei que ficou irritada com a minha provocação. Em breve acabo com seu sofrimento. Pego um refrigerante da bandeja de um garçom, para contrabalancear a taxa de açúcar que certamente o uísque abalou. Perambulo pela festa, enquanto mantenho minha atenção na direção que ela tomou. Falo rapidamente com Winchester sobre a foto. Explico que foi uma brincadeira entre Amber e Pete, porém os fãs podem interpretar errado por ela ser minha namorada e que eu não quero que a imagem de qualquer um dos dois seja abalada por causa disso. Ele me tranquiliza, dizendo que tem um bom setor de Marketing e que vão inventar alguma coisa para justificar. Bebo outro refrigerante e, quando coloco o copo em uma mesa, vejo Pete cercando Amber. Ela está notoriamente tentando evitá-lo, porém ele mantém suas patas nela. B@baca... Vou na direção deles e uso meu braço para separá-los. Puxo-a para o meu peito e a abraço, mostrando a ele com quem ela está. Quando eu paro para pensar, no fundo ele sempre teve uma queda por ela. Eu que nunca quis ver. ㅡ Você e eu temos coisas para resolver, Pete, mas, no momento, tudo o que eu quero é arrebentar a sua cara. Então, por enquanto, é melhor se afastar dela. Sacou? ㅡ Michael, não é o que você está pensando... ㅡ Depois nós conversamos. Agora não! Afasto-me, levando-a pela mão. Se eu ficar mais um segundo diante dele e de seu olhar piegas, não respondo por mim. Levo-a para um canto tranquilo, sem muita gente em volta e a pressiono contra a parede, colocando minhas mãos uma de cada lado de sua cabeça e mergulhando em seus olhos. ㅡ Por que você fugiu de mim antes? Ela parece surpresa por eu não comentar sobre o Pete. Eu realmente não a culpo por ele ficar atrás dela, porém não quero mais falar sobre ele hoje. ㅡ Sem motivo. Sei... ㅡ Fale comigo. ㅡ Falar o quê? Roço meus lábios nos dela e me afasto um pouco só para provocar. ㅡ Eu acho que sei... ㅡ Ela revira os olhos e tenta se soltar dos meus braços, porém eu a seguro pelos ombros. Ho®a de acabar com o drama. ㅡ Ah, você vai me escutar, quer goste ou não. Eu também te amo, sua boba! O que você acha? Tomo sua boca em um beijo faminto. Quando o interrompo, dou uma rápida olhada ao redor. ㅡ Você é que é um idïota! Volto meu olhar para ela com um sorriso malicioso e ela cora instantaneamente. ㅡ A festa está quase acabando. Que tal dar uma escapada comigo, little bunny? ㅡ Ficou louco? É a festa da banda, não podemos sair assim! Abraço seu pescoço com minhas mãos e sussurro em seus lábios: ㅡ Já marcamos nossa presença... Agora eu só quero marcar cada pedacinho do seu corpo… Ela engasga e olha para os lados, certificando-se de que não estamos sendo ouvidos. Acho fofo seu ar envergonhado, levando-se em conta o que ela me fez passar como castigo. Seguro seu queixo e o viro na minha direção, enquanto passo a língua pelo meu lábio inferior. Sua boca semiaberta é um doce convite. Ela tenta manter a voz firme, mas gagueja. ㅡ J-já que amanhã temos que trabalhar, não seria bom ficarmos acordados até tarde... Então, é melhor irmos logo. Dou-lhe um beijo rápido nos lábios e pego sua mão. Despedimo-nos do produtor e seguimos para o meu carro, estacionado do outro lado da rua. Amber se senta no banco do carona e aperta o cinto. ㅡ Você não me disse o que tem planejado... Viro-me para ela, apoiando uma mão no volante. ㅡ Bastante s&xo, little bunny, isso é um fato. Ela me dá um soco no ombro e eu rio, ligando o motor. Percebo seu sorriso cúmplice e meu peito infla de alegria. Você faz parte de mim agora, Amber... É família...
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