*Michael PoV*
A excitação de todos é visível no aeroporto, quando embarcamos no voo para Tampa. De primeira classe! Minha namorada se senta na janela, apreciando a vista. Eu prefiro o corredor, para poder esticar minhas pernas. Sou grande, mesmo na primeira classe é complicado ficar confortável. Pete e Dorothy se sentam nos assentos à nossa frente.
Algo mudou no meu relacionamento com Amber. Já tínhamos uma certa cumplicidade, porém agora é como se compartilhássemos os pensamentos um do outro. As coisas nunca foram fáceis entre nós. Nosso temperamento é o nosso maior inimigo. Apesar disso, cada vez mais percebo um futuro melhor à nossa frente. Eu agora apenas aproveito cada momento que temos juntos. Sem freios.
Ainda não sou capaz de dizer o que sinto internamente. Eu não sei a razão disso. Talvez, eu tenha medo que não seja recíproco na mesma intensidade. Talvez, ela se assuste se eu contar. As coisas aconteceram muito rápido. Os sentimentos vieram sem que eu tivesse o menor controle. Entretanto, a cada dia, ela me conquista um pouco mais. Sonho com o dia em que ela dirá que me ama, tanto quanto eu a amo.
Coloco minha mão com a palma virada para cima no braço do assento entre nós, esperando que ela a segure. Eu me aborreço ao perceber que ela nem se toca e permanece observando tudo no avião, menos eu.
ㅡ Você vai me deixar assim a viagem toda? ㅡ Ela me encara sem entender e eu sacudo meus dedos como se tocasse minha guitarra. Sua boca se abre de surpresa e seus dedos se entrelaçam nos meus. ㅡ Qual é? Sou um cara romântico... Um pouco, ao menos. Foi tão difícil assim?
ㅡ Sim, como se você tivesse arrancado minhas tripas com os dentes.
Eu sacudo minha cabeça com desgosto e me acomodo em meu assento.
Essa foi horrível...
ㅡ Suas metáforas são sempre surpreendentes.
ㅡ Vou encarar sua ironia como um elogio... Trouxe meu caderno.
Bem mais agradável.
Ela coloca o caderno sobre a mesa de descanso à nossa frente e o abre com uma mão, já que estou de posse da outra.
ㅡ Escreveu alguma música nova? ㅡ Passo os olhos pelas folhas e vejo que há uma quantidade enorme de versos. Como se ela não tivesse parado de compor. ㅡ Deixe-me ver.
Nada pode ser mais entusiasmante que um momento como esse. Ela me mostra cada frase que escreveu com empolgação. Algumas letras precisam de elaboração para ficarem mais fluidas, porém a ideia básica, o sentimento, está ali em sua essência. Eu me vejo em suas letras, como a fonte de sua inspiração. Levanto meu olhar e a encaro.
ㅡ Vou começar a acreditar que está se apegando a mim, little bunny.
ㅡ Quem seria tol0 o suficiente para fazer algo tão estüpido?
ㅡ Você! Você me vê em toda parte, sabe...
Ela revira os olhos e eu rio de sua tentativa inútil de soltar minha mão.
ㅡ Tudo bem, vou parar de fingir por dois segundos.
Eu deixo o caderno sobre a mesinha e ela me encara bem séria.
Lá vem.
ㅡ Você sabe do seu poder de sedução. Acho você um put@ gato, é tremendamente s&xy e, sim, às vezes, me derreto por você. Mas, se ousar me fazer dizer isso novamente, vou negar.
Isso foi deliciosamente... Profundo.
Suas palavras causam faíscas dentro de mim. Eu me inclino um pouco em sua direção e acaricio sua bochecha com ternura. Sequer me dou conta quando o avião decola. Toco seus lábios com os meus, aproveitando seu sabor, e sussurro em sua boca.
ㅡ É uma pena, little bunny...
ㅡ Por quê?
Desço minha mão para sua coxa e a aperto levemente.
ㅡ Porque pretendo fazer você repetir isso diversas vezes, até sua boca doer.
Ela dá risada e sacode a cabeça.
ㅡ Jamais! Vamos trabalhar?
Seu queixo aponta o caderno e eu me inflamo. Participar de suas composições é tão prazeroso quanto ser a razão delas existirem. Nós também nos entendemos muito bem dessa forma. Eu crio o ritmo, batuco na mesinha para dar à ela noção da métrica e as palavras fluem como água caindo de uma cachoeira. Ela aceita minhas sugestões baseadas nos meus anos de experiência, porém suas criações são únicas. A sensação de estar completo é inevitável. A sintonia é perfeita. Nunca uma mulher conseguiu me deixar tão à vontade, ao ponto de baixar as minhas defesas.
Sinto sua mão deslizar por alguns fios dos meus cabelos, afastando-os do meu rosto. É um gesto simples, no entanto cheio de carinho. Eu gosto de tudo o que ela faz.
O voo seria perfeito, não fosse uma situação irritante com a Dorothy. Ela trata m@l a comissária de bordo. Só posso imaginar que seja por nossa causa. Por nos ver juntos, descontou sua raiva na moça. Ela dá a desculpa de que a atendente foi rude com ela e, mesmo com o Pete confirmando, é difícil de acreditar.
Ela prometeu que não causaria mais problemas e apronta uma dessas? Vai ser esse infe®no em todas as viagens?
Eu não tenho mais paciência com seus pitis e grito com ela. Dorothy tenta se fazer de vítima, mas eu não estou nem aí. Conheço seu comportamento explosivo, consegue ser pior que eu. Ela acaba se encolhendo em seu assento e eu me desculpo com a comissária pela grosseria da minha baixista. Então, Amber me surpreende, tomando a defesa da Dorothy. Eu a encaro confuso e me acomodo em meu assento.
Se eu defendo a Dorothy, ela acha que estamos tr@nsando, se eu dou um esporro, sou o vilão?
Vejo que elas trocam um sorriso cúmplice entre si.
Eu não entendo mais nada dessa porr@...
*Amber Lee PoV*
Michael amarra os braços diante do peito, resmungando um palavrão só para ele. Toco seu peito gentilmente e nossos olhares se cruzam.
Por que ele se aborreceu quando defendi a Dorothy? Eu vi que a comissária foi esnobe com ela, como se alguém com a aparência dela não pudesse estar em uma primeira classe.
ㅡ Não dê mais importância para isso que o necessário.
ㅡ Desde quando você a defende?
ㅡ Desde agora, pois pareceu justificado para mim. Você não vai encrencar com isso, vai?
ㅡ Não... Especialmente se significa evitar um ataque de ciúmes seu. ㅡ Eu rio e dou um soco em seu peito. Michael agarra o meu pulso e possui os meus lábios. ㅡ Embora, eu goste quando você tem ciúmes de mim.
Tento me soltar dele, porém ele não permite. Acabo me rendendo em seus braços, enquanto ele dá continuidade ao beijo.
A casa de shows em Tampa está vibrando, posso sentir a eletricidade do ambiente se espalhar pelo meu corpo, enquanto esfrego as mãos uma na outra, tentando limpar o suor nervoso.
Por falar em corpo...
Olho para Michael e percebo como ele me devora com o olhar. Confesso que também não sou nada discreta quanto a isso, porém ele é descarado. Até me joga uma piscadela cheia de charme e lambe os lábios, enquanto passa a correia de seu instrumento ao redor do peito.
Não sei o que se passou na cabeça dele, embora eu acredite que sejam os mesmos pensamentos lascivos que os meus. Arrancar toda essa roupa.
Ele não tira os olhos das minhas pernas à mostra por causa da saia que uso, ou do decote ousado da minha blusa. Eu tenho me soltado mais, pouco a pouco, libertando a mulher s&xy que esteve presa dentro de mim. Ele se aproxima devagar, com um sorriso malicioso no canto da boca, e acaricia a maçã do meu rosto. Devo estar vermelha como um pimentão maduro.
ㅡ Little bunny, isso não vai ficar bem no palco. ㅡ Eu resmungo algo que nem eu mesma entendo, acho que foi um palavrão. ㅡ Você vai cantar comigo hoje?
M@l consigo disfarçar a alegria que seu pedido me causa.
ㅡ Você quer que eu cante?
ㅡ Eu não perguntaria se não quisesse.
Suspiro concordando com a cabeça, dando um enorme sorriso para ele. Nossas mãos se entrelaçam, o que traz um pouco de tranquilidade para os meus nervos. Não posso dizer o mesmo do meu coração, que sempre corre desenfreado toda vez que ele me toca. E, quando estamos juntos no palco, a magia acontece.