*Michael PoV*
Passo o resto do dia verificando as salas dos servidores, enquanto Oscar e Daniel arrumavam a minha sala. Tiveram que reinstalar os meus equipamentos antigos no lugar dos que quebrei. Quase infarto ao ter que contar o que tinha feito ao McGregor.
ㅡ Michael, entendo que a situação é calamitosa, porém explodir do jeito que você fez não vai resolver nada.
ㅡ Eu sei, sinto muito. Não vai mais acontecer.
ㅡ Descobriu quem vazou as informações?
Eu suspiro para o alto, pensando um pouco.
Se eu contar que foi a Amber Lee, com certeza será demitida. Não quero esse peso na minha consciência. De qualquer forma, ela não terá mais acesso a nada, uma vez que não faz mais parte da minha vida.
Esse pensamento faz meu coração gelar.
ㅡ Já foi resolvido. A equipe deles é muito boa, no entanto eu aprendo com os meus erros rapidamente. Não vão mais ter acesso aos dados da McGregor Corporation.
ㅡ Então, a informação vazou porque você cometeu um erro?
Um grande erro…
ㅡ Sim.
Ele cruza as mãos embaixo do queixo quando apoia os cotovelos na mesa.
O que você está fazendo, Michael? Depois de tudo, vai se complicar ainda mais por causa dela?
ㅡ Bom, o que está feito, está feito. Eu também coloquei muita pressão em cima de você. Pressa não ajuda a fazer um trabalho meticuloso. Vamos tomar o que aconteceu como uma lição. Por enquanto, mantenha a guarda alta. Não sabemos o que está por vir.
ㅡ Sim, senhor.
ㅡ Já que sua sala está impraticável por hoje, vá para casa. Amanhã vamos ter uma noção maior do estrago.
Eu confirmo com a cabeça e me retiro. Faço exatamente como ele me disse e vou para casa. Interno-me no estúdio um bom tempo, tocando guitarra. Não a Telecaster, mas a minha Gibson Les Paul Ebony, pois são bem diferentes. O formato da cabeça é clássico e diferente do da Fender. Apesar de também ser preta, como a maioria das minhas guitarras, essa tem o contorno do corpo e do escudo em prata, assim como os detalhes ao longo do braço.
Minha Telecaster, inclusive, pertenceu ao avô dela. Não quero tocar em nada que me faça lembrar. Uma tarefa árdua, já que ela está impregnada em todo lugar por aqui. Sinto a presença dela em todos os cantos do meu apartamento. É sufocante.
Recoloco o instrumento na parede e vou para a sala, jogando-me de costas no sofá. Logo, meu celular vibra com uma mensagem. O que leio desperta minha ira novamente.
“Você é um imb&cil! Da próxima vez que quiser fazer alguma coisa, tenha pelo menos coragem de falar a verdade, ao invés de inventar desculpas esfarrapadas baseadas em suposições estüpidas!”
Ela ainda tenta justificar o injustificável. Eu deveria ignorar sua mensagem, mas a raiva me faz responder.
“Você é a prova. É a única que sabia. Isso é um fato. Ponto final.”
É o fim. Fim de tudo o que imaginei estar acontecendo de bom. Meu trabalho está um caos. Minha vida está um caos.
A campainha me tira do meu torpor e eu me forço a levantar para atender. Pete e Dorothy surgem diante de mim.
Merd@! Esqueci que tinha marcado ensaio. Ela não virá e eu não tenho a menor condição.
ㅡ Foi m@l, pessoal. Não vai ter ensaio hoje.
Eu disfarço o máximo que posso, no entanto a minha cara deve dizer tudo.
ㅡ Parceiro, o que aconteceu? Você parece que chegou de um enterro.
É… Enterrei meu coração.
ㅡ Não é nada, Pete.
Rosno as palavras por entre os dentes, o que deixa Dorothy desconfiada.
ㅡ Tem certeza? Cadê a Amber Lee? A princesa do metal se atrasou?
Só de escutar o nome dela, meu sangue ferve.
ㅡ Não sei e também nem quero saber!
Os dois se entreolham e Pete faz a pergunta derradeira.
ㅡ Ah, cara! Não me diga que brigaram de novo?
ㅡ Brigamos e terminamos! O único relacionamento dela comigo agora, é o compromisso com a banda, mesmo assim só porque temos um contrato assinado!
ㅡ Eu sabia que não era uma boa ideia vocês dois se envolverem…
ㅡ Dorothy, eu não preciso de sermão agora, tá legal? Sou profissional. A banda não vai acabar por causa disso! Agora, será que podem me fazer o favor de ir embora?
ㅡ O velho Michael estüpido está de volta. Vou nessa.
Dorothy se retira, contudo Pete permanece me olhando com piedade. Odeio isso.
ㅡ Se quiser conversar...
ㅡ Quer parar de me encher a porr@ do s@co? Acabou, Pete! Nós terminamos, fim da história! Não há nada para conversar!
Ele franze a testa e coça a nuca, um pouco sem graça diante da minha agressividade.
ㅡ Tudo bem... Se precisar de alguma coisa, me ligue.
Ele vai embora e eu fecho a porta. Encosto minha testa nela, tentando respirar.
Eu vou sair dessa…
Meu celular anuncia uma nova mensagem. Penso ser ela e pego o aparelho em cima da mesinha, put0 da vida. Não é da Amber Lee, porém não me sinto nem um pouco melhor quando a leio.
“Filho, preciso de ajuda.”
Era só o que me faltava. Respiro fundo e resolvo que é ho®a de enfrentá-lo. Já estou na merd@ mesmo, não faz diferença. Pego as chaves e saio. Fico pensando no que dizer durante o trajeto. Nada poderia me preparar para o cenário que encontro quando entro no seu apartamento. Ele está caído no chão, completamente bêbado e sujo. Faço o que posso. Dou-lhe um banho, porém ele m@l reage de tão embriagado que está. Quando o carrego para o quarto, levo um susto. Sobre sua cama há vários maços de dólares espalhados.
De onde ele tirou toda essa grana?
Eu puxo a colcha com um braço, enquanto o seguro com o outro, fazendo com que o dinheiro se espalhe pelo chão. Jogo-o na cama e fico observando-o com as mãos na cintura.
ㅡ Que merd@ você fez?
Ele balbucia algo indecifrável e eu passo as mãos pelo rosto.
Será que ele se meteu com algum agiota? Se for isso, ele superou seu grau de estupidez!
Não há o que eu possa fazer por ho®a, a não ser esperar. Faço o que costumo quando venho aqui. Limpar o lugar e deixá-lo mais habitável. Pelo menos, vai me manter ocupado. Ele acorda ho®as depois, quase engasgando e se senta na cama. Quando me vê, arregala os olhos por notar o dinheiro no chão.
ㅡ Porr@, Michael! O que você fez?
ㅡ Essa pergunta é minha, Sunny! Como você conseguiu tanto dinheiro?
Ele pigarreia e coça a cabeça.
ㅡ Não é da sua conta!
ㅡ É da minha conta quando você me manda mensagens pedindo socorro!
ㅡ Eu estava bêbado, foi um erro! Vá embora!
O que eu deveria esperar desse c®etino?
ㅡ Da próxima vez, vou deixar que se afogue no próprio vômito!
Saio batendo a porta. Escuto-o me chamar, mas eu não paro.
Que se fod@!
Minha paciência chegou ao fim. Dirijo sem rumo, grito com outros motoristas, quase bato o carro umas duas vezes. Mesmo assim, não quero voltar para casa. Tudo lá me lembra dela. Quando me dou conta, estou no cais do Chelsea. Estaciono e fico observando os navios e maquinários parados. Está tudo praticamente deserto e imerso na escuridão por causa do adiantado da ho®a. Encolho-me no assento e suspiro profundamente.
Eu preciso me acalmar…
Quando finalmente decido voltar para casa, já é quase de manhã. Ainda estou com a roupa que usei para trabalhar no dia anterior e, quando retiro o terno, o barulho de algo no bolso chama a minha atenção. Encontro o anel-pulseira que ela me devolveu e olho para o que está no meu pulso.
É melhor acabar logo com isso.
Deixo a joia dela sobre a mesa de centro. Retiro a minha e coloco ao lado. A sensação que tenho, é de ter amputado um pedaço da minha alma.
Uma mulher me passou a perna. E daí? Não é a primeira vez que alguém me trai. No entanto, eu juro que foi a última.