51 - Entre lírios e jasmim

3577 Words
*Michael PoV* Olho para ela de cima a baixo. Quase me belisco para ter certeza que não estou sonhando. É real! Ela está aqui! Não estrague tudo, Michael! ㅡ Perdão pelo horário, mas temos que conversar. ㅡ Resmungo baixinho um "controle-se" para mim mesmo e dou passagem para que ela entre. ㅡ Acordei você? ㅡ Não. Estava lendo. ㅡ Ela ergue uma sobrancelha e fico aborrecido por perceber que voltamos ao ponto em que ela me acha um homem das cavernas. Resolvo ir na cozinha fazer algo para nós. ㅡ Você quer um café? ㅡ Sim, por favor. O café é só uma desculpa para acalmar os meus nervos. Ela também não parece nada confortável, amarrotando a alça da bolsa, em pé no meio da minha da sala. Quando retorno com as xícaras, nos sentamos no sofá. Ela ainda me olha com desejo, quando eu me esparramo no meu lugar, dando-lhe uma visão panorâmica do meu peito nu. Talvez não esteja tudo perdido afinal. A maior prova disso é ela ter vindo me ver. ㅡ Pensei que não quisesse falar comigo a sós. ㅡ Fiquei curiosa com o que queria me mostrar. Além do mais, eu disse a mim mesma que uma conversa não nos faria m@l, então pensei que um de nós dois deveria ser o adulto. Levanto uma sobrancelha e fico completamente confuso. ㅡ Espera. Eu tentei me desculpar com você, te mandei um monte de mensagens e você disse que não queria me ver. Até me afastei para te dar espaço… ㅡ Você desistiu tão fácil… É assim que você quer me conquistar? Praticamente fico em choque. Eu me sinto como um estudante, que acaba de entrar na sala de aula, e se depara com uma prova surpresa de uma matéria sobre a qual ele não sabe qualquer coisa. Isso foi um teste? A julgar pelo seu tom, acho que fui reprovado. Droga! Umedeço os meus lábios e mordo o inferior de tanta tensão. No final, dou um suspiro derrotado. ㅡ Não entendo as mulheres… É quando noto algo como um sorriso contido surgir em sua boca. ㅡ Isso é uma verdade única, Michael. O clima ameniza um pouco e eu vejo a oportunidade de uma conversa franca surgir. Nenhum de nós tocou em suas bebidas. Deixei minha xícara sobre a mesinha, enquanto ela ainda segura a dela. Acho que um pouco de sinceridade da minha parte nos faria um bem enorme. Ela tem alguma coisa que faz com que eu queira me abrir. ㅡ Sinto muito, Amber Lee. Eu não queria que achasse que sou um drogado por causa da Dorothy ou porque eu conheça um traficante. Perdi o controle quando o Pete falou daquele c®etino. Às vezes, me comporto como um tremendo idïota com você quando, na verdade, eu queria fazer exatamente o oposto. Normalmente, não trato as mulheres assim, mas você... Você realmente me perturba. Ela pensa um pouco e suspira. ㅡ Já ouvi diversos elogios a meu respeito, porém nenhum como o seu… Caio na risada e, apesar da vontade enorme de segurá-la em meus braços e beijá-la, eu me seguro, pois nossa conversa ainda não acabou. Um silêncio se instala entre nós, enquanto penso em como continuar. Não do tipo constrangedor. É do tipo companheiro. Tomamos uma cerveja cada, as xícaras de café ficaram intocadas sobre a mesinha. Tenho essa súbita vontade de me abrir e fortalecer esse elo que cresce entre nós. ㅡ Sabe porque as idiotices da Dorothy me irritam tanto e me deixam tão fora de mim? ㅡ Respiro fundo, sem olhar para ela. Prefiro encarar um ponto invisível na parede. ㅡ Minha mãe era viciada... Passei mais tempo procurando por ela em lugares imundos e decadentes, que na escola. Ela não era a mãe do ano, porém era a única que eu tinha. Pedi a ela diversas vezes para se tratar. Ela não ligava e não dava ouvidos à ninguém. Sinto uma carícia no meu braço. É ela sendo solidária e isso é muito bom. É reconfortante. ㅡ Meu pai nunca fez nada por ela. Nunca tentou ajudá-la a se livrar daquele vício maldito. Ele já tinha o dele com a bebida. Não me lembro de um único dia no qual ele estivesse sóbrio. Eu era só uma criança, não podia ajudar muito. Só conseguia procurar por ela em todos os lugares quando ela sumia por muito tempo. ㅡ Giro minha cabeça na direção dela, que está atenta a tudo que digo. Volto meu olhar para a parede, pois não conseguiria terminar de falar de outra forma. ㅡ Homens estranhos surgiam um após o outro, assim que meu pai dava as costas. Às vezes, minha mãe os trazia quando ele estava chapado demais no sofá para perceber. Eu não entendia na época, porém ela se prostituía para pagar por suas drogas. Acho que é por isso que talvez eu nunca tenha conseguido abandoná-lo. De repente, ela pega na minha mão e encosta a cabeça no meu ombro. Fico um pouco surpreso a princípio, porém é um gesto tão carinhoso, que não ouso me mexer e nossos dedos se entrelaçam. ㅡ Resumindo, um dia ela simplesmente foi embora e nunca mais a vi. Não sei sequer se está viva ou morta. Eu também não procurei saber quando fiquei mais velho. Estava magoado demais para me importar, já que ela nunca o fez. Meu pai, que já era um b@baca antes dela desaparecer, não ficou nem um pouco melhor depois. Um maldito filho da mãe, se quer saber. Descontava em mim toda a sua frustração... Tudo estava fora de controle. Eu estava perdido e agressivo e sequer sabia de quem eu tinha raiva. Então, veio a Dorothy. Ela também tinha problemas em casa e morava no mesmo bairro que eu. Eu a encontrei sem querer em um beco, chorando escondida atrás de uma lata de lixo durante uma chuva. Eu tinha dez anos, ela oito. Ficamos inseparáveis. Durante a adolescência, estávamos perdidos por causa das nossas famílias degeneradas. Naquela época, nós não éramos muito inteligentes. Fumávamos e bebíamos muito e nos envolvemos com as pessoas erradas. Tudo estava errado. Fico em silêncio um tempo, sem soltar sua mão. Acho que já falei demais. Não quero que ela tenha pena de mim, só que entenda como eu luto a cada dia para ser diferente da criação que tive. Tiro meus olhos do teto para repousá-los nela. Ela parece ansiosa e morde os lábios. Desvio meu olhar e solto sua mão para afastar alguns fios do meu rosto. Pura tentação... ㅡ O que aconteceu depois? Coço uma sobrancelha e apoio as mãos nas minhas coxas, pensando no que dizer. ㅡ A Dorothy se apaixonou por mim, porém eu nunca correspondi. Não poderia, ela é como uma irmã caçula para mim. Não seria justo com ninguém, se eu fingisse algo que não sinto. O surto dela quando saiu da banda, basicamente, foi por causa do ciúme doentio que ela tem de mim. Então, eu fingia que não entendia o que ela queria, pois eu não queria magoá-la, e nós nos divertimos pra caramba... Até o dia em que eu me deparei com uma guitarra. Aquela Telecaster. Virou minha vida de ponta cabeça. Assim que eu toquei as cordas, tudo mudou. Voltei a assistir às aulas, montei a banda com o Pete e a Dorothy foi junto. ㅡ Respiro profundamente, analisando sua expressão. ㅡ A música me salvou, Amber Lee. De verdade. Eu costumava fazer qualquer loucura, porém a música me trouxe algo incrível, que eu não pensava ser possível. ㅡ O que foi? ㅡ Paz de espírito. ㅡ Ela acena com a cabeça, entendendo o que quero dizer. A música para ela também é especial. ㅡ Para a Dorothy não foi tão simples. Mesmo com a banda, ela continuava se metendo em confusão. Ela é viciada e, quando está chapada, faz qualquer coisa com qualquer um, exatamente como a minha mãe. Ela queria fugir da realidade dura que nos cercava e se aborrecia comigo por eu viver a minha vida do meu jeito. Eu não negava meu passado... Eu queria... Você sabe, ajudá-la… Evitar que ela desaparecesse ou que fosse encontrada morta dentro de uma lixeira. Queria mostrar que estou aqui por ela, no entanto, às vezes, me sinto sobrecarregado. Ela toma um gole de sua bebida e eu me levanto do sofá com as mãos nos cabelos. Começo a andar de um lado para o outro pela sala. O Jim não me ligou à toa. A Dorothy está com ele, provavelmente. ㅡ Você conseguiu falar com ela? Ela parece ansiosa de repente. Enfio as mãos nos bolsos da calça para controlar o nervosismo. ㅡ Não. Ela se recusa a me atender. Deixei milhares de mensagens... Ah! Ela é tão teimosa! ㅡ Suspiro e encaro com carinho essa criatura adorável que teve paciência de ouvir as minhas besteiras a noite toda. ㅡ É legal ter você aqui, Amber Lee. ㅡ É para isso que servem os amigos. Eu sorrio para ela. Friend zone não é pra gente, little bunny. Tenho certeza disso. Decido que é ho®a de completar a noite. De repente a ansiedade me invade, imaginando o que ela vai pensar do que eu preparei como um sincero pedido de desculpas. Só espero que não me interprete errado. *Amber Lee PoV* Tivemos infâncias tão diferentes… No entanto, nossas famílias nos fizeram perder tanto, cada um à sua maneira. Esse é um lado dele que eu não conhecia e fico feliz por ele ter confiado em mim para me contar. Michael permanece em pé me encarando, como pensando no que fazer. De repente, sinto que fui muito dura com ele. Por não conhecer sua história, levei para o lado errado todas as suas grosserias. Eu não deveria ter me deixado abalar. Deveria ter sido mais forte. Nem o fato da Dorothy gostar dele me aborrece mais. Na situação que eles viveram juntos, acho que também me apaixonaria por ele. Afinal, ela não tinha ninguém e Michael foi uma luz para ela, assim como aquela guitarra foi para ele. Penso em abrir a boca para dizer alguma coisa, qualquer coisa que afaste a dor das feridas que ele expôs para mim. No entanto, ele respira fundo e me encara envergonhado. ㅡ Eu… Eu realmente quero te compensar. Então, preparei algo e, por favor, não entenda errado. Não é um suborno. É apenas a forma que encontrei para me desculpar de verdade. Fico curiosa e me endireito no sofá. Sempre fui ansiosa com surpresas. ㅡ O que é? Era disso que falava na mensagem? ㅡ Sim. Feche os olhos e só abra quando eu disser que pode. Levanto uma sobrancelha peralta, brincando com a situação. ㅡ Michael Denver, o que está aprontando? ㅡ Juro que não vou tentar nada. Vamos lá, little bunny. Feche os olhos. Senti falta de ouvi-lo me chamar assim. Faço como ele me pede e fecho os meus olhos, descansando as mãos sobre minhas coxas. Ouço o barulho de uma porta abrir e o cheiro de lírios fica mais intenso. Luto contra a vontade de espiar. Não sei o que ele está fazendo, porém ele parecia bem preocupado se eu ia gostar ou não. Não vou estragar seus esforços. O barulho de algo sendo colocado sobre o vidro da mesa de centro chama a minha atenção. ㅡ Já posso olhar? ㅡ Só mais um minuto, sua coisinha curiosa. Eu dou uma breve risada do seu jeito brincalhão e fico roendo a pele do meu lábio inferior. É um hábito horrível, assim como roer as unhas. Tenho que parar com isso algum dia… ㅡ Pronto, pode olhar agora. Eu respiro fundo e obedeço, apenas para perder o fôlego diante do que vejo. A mesa de centro está tomada por uma enorme cesta de lírios, das mais variadas cores e formas, flores e botões dispostos na harmonia de um arco-íris. Michael está atrás de tudo, com as mãos nas costas. Ele parece tenso, dá a volta na mesa e se senta do meu lado, colocando uma caixa no meu colo. ㅡ O quê…? ㅡ Abra. Ele vira o rosto para encarar o chão, seus cabelos escondendo o rubor de sua face. Começo a abrir o embrulho e me deparo com algo que faz lágrimas virem aos meus olhos. É um perfume que conheço muito bem, porém não me lembro de ter dito a ele. ㅡ Como você soube? ㅡ Rico… Ele me disse as flores e o perfume que você gosta. ㅡ Só agora ele me encara, um pouco sem graça. ㅡ Eu nunca ia descobrir sem ele, até porque essa marca é mais velha que eu. Sei que está tentando brincar para se sentir menos constrangido. Eu não resisto em perguntar. ㅡ Você já deu um presente para uma garota antes? ㅡ Não… ㅡ Seus olhos se arregalam e ele suspira desgostoso. ㅡ Você odiou não foi? Merd@... Eu sou péssimo nisso… Eu teria rido se não estivesse tão comovida. ㅡ Se serve de consolo, você está indo muito bem do meu ponto de vista. Eu adorei. Retiro o frasco com o contorno exótico de um corpo feminino da caixa e o aperto contra o peito, depois de aplicar um pouco no pescoço e pulsos. Ele me mostra um belo sorriso e eu resolvo lhe dar algo pessoal, da mesma forma que ele fez comigo minutos atrás. ㅡ Minha avó plantava lírios no jardim de casa. O perfume deles sempre esteve presente em toda parte. Ela não gostava de perfumes, mas, um dia, após uma apresentação, ela gostou do que uma fã estava usando. Giorgio Beverly Hills. Havia acabado de ser lançado, era o começo da década de 80, e ela adorou a fragrância. Não era de lírios, mas o jasmim entre notas amadeiradas e frutais a encantou. Eu cresci cercada de lírios e jasmim até ela… O bolo que se forma no fundo da minha garganta não me deixa prosseguir. A mão de Michael passa pelos meus cabelos, prendendo-os atrás da minha orelha, depois do seu polegar limpar algumas lágrimas que deixei cair. ㅡ Sinto muito, little bunny. ㅡ Tudo bem… ㅡ Fecho os meus olhos e deixo minha cabeça pender na direção do ombro de Michael. Ele me recebe e me envolve com seus braços calorosos. ㅡ Obrigada. Michael se ajeita um pouco mais no sofá, me aninhando de lado em seu colo. Eu me deixo levar e, pela primeira vez desde que o conheci, estou completamente à vontade em sua presença. Seu polegar ergue meu rosto e ele fica acariciando a linha do meu queixo. Mergulho em seu olhar oceânico, que transborda tantas emoções que sequer consigo acompanhar. Eles são brilhantes, cativantes, tentadores. Todo esse cuidado que ele teve… Merece algo em troca. Estico meu pescoço e beijo demoradamente sua bochecha. Seus olhos se fecham, apreciando meu gesto. Fico acariciando sua maçã do rosto com a ponta do meu nariz e ele suspira. Quando seu rosto se vira para me encarar, seus lábios passam gentilmente sobre os meus. Eu não me oponho e fecho os olhos. Sinto sua boca sobre a minha de forma leve, no entanto ele não avança. ㅡ Eu quero muito beijar você, little bunny… Sua ofegante voz sussurrada e cheia de desejo nubla todos os meus sentidos e faz com que eu mande o bom senso para o espaço eterno. ㅡ Eu não me oporia… Michael não perde tempo e pressiona sua boca contra minha, ora esfregando seus lábios nos meus, ora mordendo-os e sugando-os de leve. É apenas o toque da pele contra pele, sem língua, mas que manda choques por todo o meu ser. Nós saboreamos esse beijo inocente sem pressa, o maior momento de intimïdade que já compartilhamos desde que nos conhecemos. Seus lábios ficam provando os meus, a intensidade de sua boca aumenta, e eu não resisto em abrir a minha para receber sua língua. Esse contato faz com que ambos acabemos gemendo prazerosamente com o sabor um do outro. É melhor que qualquer fantasia que já tive com ele e seu beijo experiente me deixa nas nuvens. Deslizo uma das minhas mãos por seu peito, sentindo cada músculo, parando-a na parte de trás do seu pescoço, entranhando meus dedos em seus cabelos macios. Ele aprofunda nosso beijo com um rosnado, uma mão na minha nuca e outra na lateral do meu rosto. O beijo, que começou despretensioso, logo parece querer nos consumir vivos, como uma brasa ardente que se alastra e incendeia toda uma floresta. Eu me pego querendo nunca mais sair de seus braços. No entanto, é o mais longe que estou disposta a ir no momento. Se eu não parar agora, não sei o que pode acontecer. Ou melhor, eu sei. Por mais que eu queira, não posso ceder agora. É cedo demais. Aproveito um instante que ele respira e desvio meu rosto para o lado, fugindo de sua boca faminta. Não foi muito inteligente, já que ele planta beijos fervorosos do meu queixo até a minha orelha. Eu arrepio e acabo gemendo, ainda mais quando sinto o volume em sua calça crescer embaixo de mim. Dai-me forças, Senhor! Decido segurar seu rosto com ambas as mãos, ambos ofegantes pela força do desejo que nos come por dentro. Ele não é nem um pouco discreto quanto ao que quer. ㅡ Eu quero tanto você… Suas palavras fazem meu s&xo pulsar e umidedecer ao mesmo tempo. Principalmente, quando sua boca volta a caçar a minha. Fico envolvida nessa atmosfera magnética e cheia de aromas deliciosos. Não sei de onde tiro forças para falar entre seus lábios destruidores. ㅡ Eu também… Mas… Não estou… Pronta… Acho que esse é o momento que todo homem odeia: Quando a mulher diz “não”. Fico esperando que ele se aborreça ou algo parecido, afinal eu correspondi com todo o meu corpo aos seus avanços nos últimos minutos, apenas para jogar esse balde de água fria sobre ele. Não ouso sequer encará-lo. ㅡ Little bunny, olhe para mim… Seu tom gentil me surpreende e eu abro apenas um olho. Fico ainda mais chocada. Ele está sorrindo? ㅡ Está tudo bem… Eu entendo. Abro o outro olho e o encaro perplexa. Ele aproveita para me roubar um selinho. ㅡ Não está chateado? Ele suspira como se expulsasse todos os males de seu corpo e afaga as minhas costas. ㅡ Muito. Mas, comigo mesmo. Pelo tempo que perdi sendo um b@baca, ao invés de estar beijando essa sua linda boca viciante. Eu estava disposta a não ceder, porém juro que estou fazendo um esforço enorme para não arrancar a minha calcinha eu mesma e rebolar sobre ele como fiz nos meus sonhos! O olhar dele se estreita sobre mim com um ar curioso. ㅡ O que passou por essa sua cabecinha? Você está vermelha como uma cereja. ㅡ Oh, nada! ㅡ Pulo para fora de seu colo e arrumo meu vestido sem olhar na direção dele. Pego minha bolsa e o perfume que ele me deu, arrumando-o dentro da caixa um pouco desengonçada. ㅡ Está ficando tarde, é melhor eu ir para casa. ㅡ Eu levo você, só preciso vestir uma camisa. Quando ele se levanta, eu praticamente grito e cubro meus olhos com uma das mãos. Quer dizer, deixo um espaço entre os dedos para admirar secretamente a e®eção maciça que escapa por sua calça, deixando uma parte da cabeça à mostra. Eu não vou dar conta disso! Michael olha para baixo e imediatamente cobre as partes íntimas com as duas mãos, virando-se de costas para mim. ㅡ Perdão! Não foi intencional! ㅡ Percebo como ele tenta a todo custo esconder seu memb®o enrijecido de mim. É até engraçado, levando em conta sua fama. ㅡ Acho que, além da camisa, vou precisar de um tempinho para controlar isso… ㅡ Leve o tempo que precisar. Eu pego um táxi. ㅡ Mas, e as suas flores? Nesse momento, ele pega uma almofada do sofá para se cobrir. Agora que o susto passou, eu me sinto até orgulhosa. Tenho orgulho de mim por fazer um homem como ele ficar nesse estado. Também tenho orgulho dele por ter tanta consideração comigo e respeitar o meu tempo. Isso só faz com que eu me apaixone ainda mais por ele. O que me lembra de que a situação está ficando perigosamente tentadora demais. Guardo o perfume dentro da minha bolsa, vou até ele, que está petrificado no lugar, e lhe beijo os lábios rapidamente. ㅡ Boa noite, Michael. Pego a cesta enorme de lírios com as duas mãos e faço um gesto com a cabeça para a porta. Ele se adianta em abri-la, sem nunca largar a almofada e eu saio. Somente ao chegar em casa, eu me permito comemorar. Dou gritinhos histéricos, pulando pela sala, o que deixa minha gata assustada. Eu a pego no colo e a encaro. ㅡ Mylla! Nem te conto o que aconteceu! *Michael PoV* Quando ela finalmente vai embora, jogo a almofada de volta no sofá, apoio as mãos na cintura e olho para o meu próprio memb®o teimoso. ㅡ Você é um traidor, sabia? E se ela se ofendesse? Dou-me conta do ridículo da situação e acabo rindo. Eu estou falando com o meu próprio p@u! Passo uma mão pela minha boca, ainda me lembrando de seu sabor delicioso. Sinto um alívio enorme no meu peito, pois sei que estamos no caminho certo finalmente. Olho para a estante e bato na minha testa. A pasta dela!
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