*Michael PoV*
A noite foi tumultuada na minha cabeça, onde montei uma dezena de cenários, uma centena de frases que eu poderia dizer para expressar como me arrependo. Nada pareceu bom o bastante. Tudo acabava sempre do mesmo jeito. Com ela me mandando pastar.
Coragem, Michael… Ela merece que você faça isso.
Sentado em minha cadeira no escritório, passo as mãos pelo rosto e massageio as minhas têmporas.
Ah, eu não tenho mais cabeça para o trabalho... Faz dois dias que enterrei meu pai. Hoje é sexta, tem um pilha de problemas para resolver, mas Amber ocupa toda a minha mente.
ㅡ Chefe? Está se sentindo bem?
Levanto meu olhar para o meu assistente em pé diante da minha mesa.
ㅡ Sim, Daniel. Esse foi o último?
ㅡ Foi.
ㅡ Vamos ver como os novos computadores se comportam. Mande-me o relatório depois.
ㅡ Pode deixar. Ainda vai ficar por aqui?
ㅡ Eu... Tenho que responder uns e-mails. Depois vou embora.
ㅡ Nossa, você é uma máquina? Nem parece que esteve no hospital no início da semana.
É isso, ou fico em casa remoendo minha angústia. Prefiro trabalhar.
ㅡ Você não tem um relatório para fazer?
ㅡ Claro! ㅡ Ele coça a cabeça um pouco sem graça e se dirige para a porta, parando por um momento antes de abri-la. ㅡ Talvez eu precise retornar para rodar algum diagnóstico no seu computador.
ㅡ Você tem a chave da sala, não tem?
Ele confirma com a cabeça e sai. Passo as mãos pelos meus cabelos e suspiro, encarando a tela, que está aberta no programa de e-mail.
“ㅡ Engula o seu ego ferido e o seu orgulho b&sta e implore pelo perdão dela.”
É duro admitir, porém Rico tem toda razão. Eu criei todo esse caos, tenho que resolver, mesmo que seja para escutar um “não”, seguido de um monte de xingamentos merecidos. Se fizer bem para ela, terá valido a pena me humilhar.
O problema agora é onde poderemos conversar em paz. Minha sala tem andado um pandemônio ultimamente e, talvez, o Daniel ainda precise entrar aqui hoje.
Vejo que, minimizado na barra de tarefas, está o programa de câmeras de segurança da empresa. Eu o maximizo e passo meus olhos pelas imagens, especificamente do 42º andar. Ela ainda não foi embora.
Edward está em seu escritório, não vai dar certo ir até seu setor ou pedir que venha até minha sala. Duvido que ela aceite ir ao meu apartamento, muito menos abrir a porta do dela para mim. Preciso de um local neutro.
Continuo a observar as imagens e noto que o estacionamento no subsolo está deserto.
Bom, vai ter que servir. Posso desligar o sinal das câmeras do estacionamento daqui para termos mais privacidade. Afinal, o que eu pretendo fazer não precisa se tornar um espetáculo à parte para mais ninguém.
Mando uma mensagem para o chefe de segurança que monitora as câmeras, avisando que preciso fazer uma atualização no sistema e que isso talvez cause um “apagão” temporário no sinal. Ele logo me responde, dizendo que me avisaria caso elas demorassem muito para ficarem ativas de novo.
Quando volto a olhar para a imagem do setor de Marketing, Amber está se preparando para ir embora.
Ah, merd@! Não vou passar outra noite nesse martírio!
Alterno para a tela de e-mail, procuro o dela e escrevo rapidamente.
“Encontre-me no estacionamento antes de ir embora.”
Não ficou lá grande coisa, porém a pressa e o nervosismo de que ela possa negar me dominam. Ela percebe a chegada do e-mail e volta a se sentar para abri-lo. Não parece muito contente com o que lê. Revejo o que enviei e receio ter sido autoritário demais.
“Por que eu deveria te encontrar?”
Realmente fui autoritário, a resposta dela confirma tudo. Quero conversar e me desculpar sinceramente. Contudo, como posso fazer isso se ela se recusar a me ver?
“Preciso falar urgentemente com você.”
ㅡ Vamos, little bunny... Aceite...
Amber leva o que, no meu atual estado de ansiedade, parece uma eternidade para responder.
“Sei... Mesmo assim, não tenho certeza.”
“Porr@, Amber, apenas venha, está bem?”
Só depois de enviar é que percebo a merd@ que escrevi. Vejo-a erguer os braços no ar, certamente está put@ comigo e com razão.
Michael, você não aprende...
Sacudo a cabeça e colo a testa na mesa, abraçando minha nuca. Não olho mais para a tela, completamente convencido que, caso ela se dê ao trabalho de me responder, será um “f0da-se”. Leva tanto tempo para chegar uma resposta, que imagino que ela tenha ido embora. No entanto, quando ouço o aviso sonoro de nova mensagem, ergo a minha cabeça e clico nela rapidamente.
“Está bem, mas, no primeiro insulto que me fizer, chuto as suas bolas e saio correndo.”
Dou risada de sua resposta. Se a situação fosse menos tensa, poderia dizer que ela seria a maior prejudicada, uma vez que ficaria temporariamente sem o local de lazer, contudo prefiro não arriscar. Mando apenas um “Está bem” confirmando, desligo o sinal das câmeras do subsolo e saio imediatamente.
Estacionei próximo da saída dos elevadores pela manhã e sigo direto para o carro. Encosto-me no capô do meu sedã e cruzo os braços esperando por ela. De onde estou posso vê-la quando sair, apesar do ar sombrio do lugar por causa da iluminação escassa. Batuco com o pé nervosamente no chão, depois suspiro profundamente.
Merd@... Onde ela está? Será que me pregou uma peça como punição? Não, não é seu estilo... É mais provável que esteja me fazendo esperar de propósito. Eu mereço, vou ser paciente, ficarei plantado aqui a noite toda se for preciso. Se ela puder me perdoar, pode me castigar da forma que quiser.
*Amber Lee PoV*
“Porr@, Amber, apenas venha, está bem?”
Sacudo as mãos no alto, praguejando internamente contra esse homem, que surgiu na minha vida apenas para me azucrinar.
Ele é muito arrogante mesmo! Com que direito pensa que pode me dar ordens?
Estou prestes a mandar um “F0da-se” para ele, quando paro para pensar.
Porque ele quer conversar comigo depois de três semanas?
Respiro profundamente e tento racionalizar, lembrando-me da conversa que tive com a senhorita Hills.
Ele parecia um pouco desesperado e ansioso. Talvez, esse seja o momento do qual ela falou, onde Michael queira se desculpar. Mas, se ele pensa que um simples pedido de desculpas vai funcionar, está muito enganado!
“Está bem, mas, no primeiro insulto que me fizer, chuto as suas bolas e saio correndo.”
Acho que assim ele vai entender que não estou para brincadeiras. Ele confirma e eu aguardo. Não vou dar a ele o gostinho de ir correndo atrás dele. Ele tem que se sentir pressionado.
Apesar de tentar colocar as ideias no lugar, quem acaba se sentindo pressionada sou eu, conforme os minutos passam. Não sei se o motivo real de me chamar para conversar seja sobre o que eu quero. Então, não posso dar a entender que espero isso dele.
Após uns quinze minutos, decido ir ao encontro de Michael, rezando para que ele tenha realmente se arrependido de como me tratou.
É melhor deixar ele falar primeiro para sondar o território. Porém, se ele vier com gracinhas, faço exatamente como ameacei no e-mail.
*Michael PoV*
Ouço o barulho da porta que dá acesso para o estacionamento abrindo. Respiro longamente quando vejo sua silhueta. Ela demora um tempo para me perceber. Quando nossos olhares se encontram, é como se um raio me atingisse na cabeça. Estou disposto a tudo para que ela me perdoe.
O som dos seus saltos no piso ecoam na minha mente. É de enlouquecer aquelas pernas de fora e aquele quadril rebolando envolto na saia. O olhar que ela me lança é determinado e duro. A ideia de não poder tocá-la novamente é mais assustadora que admitir meu erro.
ㅡ O que você quer? É um lugar muito medíocre para se encontrar comigo. Nós não somos mafiosos, você poderia ter me dito para ir até a sua sala.
Posso sentir toda sua mágoa em seu tom de voz e engulo em seco.
Eu me odeio...
ㅡ É mais tranquilo aqui.
Ela me observa cuidadosamente, tentando entender a razão desse encontro.
ㅡ Então, fale logo. Não tenho tempo a perder.
Respiro fundo e falo como se estivesse expurgando os males da minha alma.
ㅡ Eu sinto muito!
Sua expressão é um misto de surpresa e descrença. Vou ter que ser muito mais explícito que isso.
ㅡ Sente pelo o quê?
Agora chegamos no ponto onde explico minha falha e eu tremo na base. Entretanto, lembro das palavras sábias de Ethan.
“Está na ho®a de confiar no sentimento que uniu vocês dois, Michael. Mesmo que seja assustador. Ela tem o direito de saber e decidir por si própria o que fazer com relação a você.”
Respiro fundo para me encher de coragem.
ㅡ Fiz uma nova investigação. Voltei nos meus arquivos para ver quem mais poderia tê-los acessado e descobri várias anomalias no sistema. ㅡ Faço uma pausa para respirar, enquanto ela me encara aturdida. ㅡ Desculpe-me, acreditei que você tivesse contado algo para alguém, no entanto, foi o Grupo MEI que hackeou meus arquivos. Invadiram o meu computador e descobriram que o vazamento veio da McGregor Corporation.
ㅡ Como eles fizeram isso sem que você percebesse, oh, grande hacker de confiança do CEO?
O deboche em suas palavras me deixa mais nervoso que já estou, porém eu continuo mesmo assim. Se ela quiser me perdoar, tem que saber com o que está lidando.
ㅡ O meu computador, assim como muitos outros, estavam “grampeados” por um chip, que via e controlava praticamente tudo o que o usuário fazia online. Eu tinha uma fonte offline para trabalhar, então, quando fiz a invasão, não havia como me parar, pois eu sabia exatamente onde ir e o que pegar. Porém, eles puderam me rastrear por causa desse chip, que também maquiou qualquer invasão que eles tenham feito no sistema da empresa. Eu só descobri porque quebrei o meu computador e ele teve que ser trocado. Foi quando os sinais das invasões do Grupo MEI surgiram. Tivemos que trocar dezenas de equipamentos por causa disso.
ㅡ Ah, agora entendo toda aquela confusão… ㅡ Ela encolhe os ombros, pensativa, ainda absorvendo o que lhe contei. Desencosto do capô com as mãos nos bolsos e tento me aproximar, porém ela dá um passo para trás. ㅡ O que quer que eu diga?
Seus olhos brilhantes cruzam os meus. Passo uma mão pelos meus cabelos de nervoso e desvio o olhar um momento para o piso. Até respirar é difícil diante de tanta pressão.
ㅡ Você tem razão de estar irritada comigo, little bunny, e eu só posso culpar a mim mesmo.
ㅡ Não me chame assim!
Sua frase desperta uma centelha de determinação em mim. Avanço novamente em sua direção, ela recua na mesma proporção, até esbarrar de costas contra uma pilastra.
Não vou desistir de você!
Seu olhar se levanta para encarar o meu quando toco sua bochecha. Logo, afasto minha mão e umedeço os lábios.
Estou decidido a ir até o fim, mesmo que ela me rejeite. Nada pode ser pior que esse tormento que eu mesmo criei.
ㅡ Sinto muito por duvidar de você.
ㅡ Você não duvidou de mim... Simplesmente estava completamente convencido que eu tinha te traído!
ㅡ Eu sei, fui um idïota, little bunny. Estou com muita raiva de mim mesmo. Eu... Entrei em pânico... ㅡ A extrema necessidade de sentir seu calor leva o melhor de mim e eu afundo meu rosto entre seu pescoço e ombro. Ela fica paralisada e eu respiro seu perfume estonteante. ㅡ Toda a minha vida se resume em decepções e traições, little bunny. Tenho dificuldades para confiar, até porque nunca pensei que fosse digno de merecer você. Quando achei que tinha me traído, foi como se os meus medos estivessem se concretizando... Isso acabou comigo. Acredite em mim.
*Amber Lee PoV*
Seu corpo tão próximo ao meu, seu perfume envolvente nublando os meus sentidos. Preciso de um pouco de distância para manter meu foco.
ㅡ Michael, por favor, se afaste…
Minha voz falha no final e eu me xingo internamente pelas lágrimas que querem sair.
Imaginei essa conversa tantas vezes na minha cabeça. Tantas vezes desejei que ele reconhecesse seu erro. Eu o amo e o quero de volta, porém não posso facilitar para ele. Tenho que ser firme, como nunca fui em toda a minha vida.
Nossos corpos estão tensos e ofegantes. Procuro fortalecer a voz quando ele se afasta um pouco e me observa com aqueles olhos azul-gelo hipnotizantes. Seus braços ainda estão apoiados na parede atrás de mim.
Não vou deixá-lo com essa vantagem dominante.
ㅡ Eu disse para se afastar.
Uma nuance de surpresa passa por seu rosto, no entanto ele dá dois passos pequenos para trás. Está tão sem graça, que coça a ponte do nariz e enfia as mãos nos bolsos.
ㅡ Little bunny, eu…
ㅡ Não! Nada de little bunny! Três semanas, Michael... Três semanas de tormento encarando seu desprezo e sua raiva! Você acha que tudo se resolve assim? Você pede desculpas e devo passar uma borracha em cima das suas falsas acusações?
ㅡ Eu sei, não tenho mais justificativas. Apenas gostaria de consertar o que quebrei…
Tento evitar transparecer a minha surpresa, porém é difícil fechar a boca.
ㅡ Você quer uma segunda chance? Você não tem esse direito! Não depois de…
ㅡ Depois de ter acusado você de algo que não fez? É verdade, Amber, foi exatamente o que fiz... Pode me dar uma nova chance para te compensar? Se você ainda me ama…
Arregalo os meus olhos com sua cara de p@u e franzo os lábios.
ㅡ Quer usar o que sinto por você, em detrimento da minha autoestima, para ser perdoado?
*Michael PoV*
Tenho que ser mais claro, porém ela parece ter colocado uma parede no meio de nós dois.
ㅡ Não! Não foi o que quis dizer! Droga, às vezes é difícil conversar com você... Pode desligar o seu modo de autodefesa por um minuto?
Ela desvia o olhar, pensando um pouco.
ㅡ Você tem um minuto.
Suspiro aliviado e inclino a cabeça, varrendo seu rosto com meus olhos.
O sentimento que ela me declarou não poderia desaparecer assim tão completamente, certo? Só preciso saber se ainda estou em seu coração, assim como ela está no meu.
ㅡ Eu amo você, little bunny. Sou um idïota loucamente apaixonado por você. Por favor, me perdoe, me dê outra chance. ㅡ Quando ela me encara de novo, sinto meu sangue gelar nas veias com a decepção que vejo em seus olhos. ㅡ Você ainda me ama?
ㅡ Isso não importa, Michael. Esse seu amor não o impediu de jogar tudo para o alto na primeira dificuldade. Entendo a vida que levou, os horrores que sofreu, mas não sou seu s@co de pancadas. Você se abriu comigo sobre coisas que nunca tinha falado com mais ninguém, nem mesmo com o Rico ou o Pete. Acreditei mesmo que eu fosse importante para você. Se a sua dúvida tivesse caído em cima de um deles, será que teria sido tão odioso com eles como foi comigo? A verdade, queira admitir ou não, é que o seu amor é frágil, inseguro e arrogante. Eu não quero esse tipo de sentimento na minha vida.
Uma tristeza profunda me toma. Ela começa a se afastar e as palavras do Rico cortam meus pensamentos.
“Implore pelo perdão dela.”
Não penso em mais nada. Apenas deixo o peso do meu corpo desabar sobre os joelhos, o que cria um som abafado com o choque. Ela pára de andar e vira pra mim, ficando completamente surpresa. Espalmo as mãos no chão, baixo minha cabeça por entre os ombros, quase tocando o piso com a minha testa.
Pouco me importa se alguém aparecer agora e me pegar nessa posição humilhante. Faço qualquer coisa por ela.
ㅡ Eu sei que eu errei… Muito! Você não merecia a minha desconfiança, desprezo ou fúria. Não tiro sua razão por não acreditar nos meus sentimentos. Mas… Eu tenho aprendido a ser uma pessoa melhor, pois é o que eu quero ser para você. Infelizmente, tenho esse lado explosivo que acaba ferrando com tudo. Eu vou tentar… Não… Eu vou conseguir mudar isso, vou ser esse homem que você merece ter. Só imploro por mais uma última chance…
Já não consigo dizer mais nada. O embargo na minha voz me impede de continuar. As lágrimas caem sem que eu possa contê-las. Não sei mais o que fazer para mostrar como me arrependo por tê-la magoado tanto, ao ponto de perdê-la para sempre.
*Amber Lee PoV*
Cubro minha boca com uma das mãos para disfarçar os soluços da minha garganta. Se vê-lo no leito de hospital entre a vida e a morte foi difícil, essa situação agora é completamente surreal.
Ele está se humilhando desse jeito… Por mim? Pelo meu perdão?
Olho ao redor nervosamente. Morreria de vergonha se alguém nos visse agora. O chefe do setor de Desenvolvimento e Tecnologia prostrando-se para mim. É simplesmente inacreditável e uma pontada de esperança surge no meu peito.
Talvez, haja conserto para o nosso relacionamento afinal…
Respiro fundo e vou até ele. Não pretendo ceder tão cedo, porém também não quero deixá-lo desse jeito. A surpresa maior vem quando me aproximo e ele se agarra às minhas canelas, como se sua vida dependesse disso.
ㅡ Eu sinto muito! Por favor, me perdoe! Você pode me punir como quiser, apenas me perdoe!
O ápice de suas súplicas se concretiza quando ele começa a beijar os meus tornozelos e pés. Por cima dos sapatos de salto alto!
ㅡ Michael! Pare com isso!
Tento me desvencilhar dele, até bato algumas vezes nas suas costas, porém ele está pior que a Mylla com seu brinquedo favorito. Sou obrigada a usar muita força para me soltar e acabo perdendo o equilíbrio, caindo sentada, de bund@ no chão.
ㅡ Ai!
Michael finalmente ergue seu olhar e leva um susto ao me ver.
ㅡ Little bunny! Você está machucada?
Essa é a situação mais ridícula na qual já estive. Estamos os dois no chão do estacionamento, com ele no meio das minhas pernas, enquanto eu tento fechá-las para não mostrar a minha calcinha por causa da saia transpassada que se abriu. Porém, ele sequer parece ter notado isso. No momento, sua única preocupação é ver se estou bem.
Suas mãos quentes estão nas minhas bochechas, seu olhar minucioso examina cada traço do meu rosto procurando por qualquer sinal de dor. Reviro os olhos e tento afastá-lo quando ele começa a checar meus braços e pernas.
ㅡ Eu estou bem, seu exagerado!
ㅡ Tem certeza? Vou te levar para o setor Médico. O Mikelly já deve ter ido embora, mas sempre fica um enfermeiro de plantão por causa dos seguranças noturnos.
Sem esperar a minha resposta, ele passa um braço por debaixo das minhas coxas, outro pelas minhas costas e me tira do chão. Eu fico batendo em seu peito, sem sucesso, e acabo suspirando pesadamente.
ㅡ Eu já disse que estou bem! Pode me colocar no chão?
ㅡ Só depois que um enfermeiro der uma olhada em você! Não seja teimosa!
Ele começa a caminhar na direção do elevador e essa sensação é muito familiar para mim. Sinto-me segura em seus braços, como se neles sempre fosse o meu lugar. Não estou ferida, apesar do meu traseiro estar um pouco dolorido. Não preciso de um médico e essa preocupação toda dele é até hilária. De qualquer forma, entendo que só haja uma forma de pará-lo.
Envolvo seu pescoço com minhas mãos e o puxo contra mim. Quando seu rosto se vira para me encarar, eu toco seus lábios com os meus. Seu corpo todo paraliza, seus olhos arregalados presos aos meus.
Senti falta disso…
Separo lentamente nossas bocas, enquanto ele me coloca no chão. Quando dou por mim, seu corpo está me pressionando contra uma parede.
ㅡ Estou perdoado?
Ele não consegue disfarçar a euforia em sua voz. Dou um sorriso malicioso e sussurro.
ㅡ Vai depender do quanto você pode suportar.
ㅡ Como assim?
ㅡ Você não disse que eu poderia te punir como eu quisesse?
*Michael PoV*
Fico surpreso por sua audácia. O brilho de malícia que há em seus olhos é diferente de tudo o que já vi. Ela tem algo planejado para me castigar, no entanto estou disposto a passar por qualquer provação que queira me impor. Pela primeira vez, depois daquele dia horrível em que briguei com ela, sinto que posso respirar de novo sem que o meu peito doa. Desço minhas mãos lentamente por seus braços, repousando-as em seu quadril. É uma sensação maravilhosa poder tocá-la outra vez. Isso me inflama e pressiono suavemente sua pelve contra a minha.
ㅡ Pode fazer o que quiser comigo, little bunny. Sou todo seu.
Seu sorriso aumenta e tenho a impressão de ter caído em alguma armadilha. Entretanto, esqueço de tudo ao meu redor quando sua boca busca pela minha avidamente. Um beijo que se torna uma força desesperada por união.
Queria não ter sido tão estüpido ao ponto de quase perdê-la. Não podemos recuperar o tempo que perdemos, entretanto vou me esforçar para compensá-la pelos meus erros.
Seguro suas coxas e a tiro do chão. Ela instintivamente envolve meu quadril com suas pernas. Sua saia sobe indecentemente, dando-me acesso à sua pele quente. Não abandono seus lábios e sua língua deliciosa um segundo sequer. Suas mãos abrem minha camisa e um botão voa longe. Não poderia me importar menos. Palavras surgem na minha boca e não tenho mais medo ou vergonha em dizê-las.
ㅡ Não dá nem para mensurar o quanto senti sua falta. Não aguentava mais ficar longe de você. Estava enlouquecendo.
ㅡ Diga de novo...
Sorrio em seus lábios e quando estou prestes a dizer que a amo, o barulho de uma porta batendo nos faz congelar. Olho pelo corredor, porém não vejo viva alma. Aperto-a mais contra mim e sussurro em sua boca:
ㅡ Quero você, little bunny, no entanto não desejo ter uma plateia.
Eu iria sugerir o meu apartamento ou o dela, no entanto ela me surpreende. Amber olha rapidamente por cima do meu ombro e depois me encara.
ㅡ Seu carro.