101 - Distância incômoda

1430 Words
*Amber Lee PoV* O que está acontecendo? Michael estava um pouco distante durante o almoço. E, agora, até parece que está me evitando. Mordo a bund@ da minha caneta, enquanto observo a tela com a mensagem dele, rejeitando minha proposta de ir até sua casa. Sequer noto quando Rico se aproxima. ㅡ O que foi, ojitos? Você parece preocupada. ㅡ Eu não sei, Rico. Michael está estranho. ㅡ Estranho como? ㅡ É como se ele estivesse me evitando. Rico dá uma breve risada e se espreguiça em sua cadeira, colocando um tornozelo sobre o joelho. ㅡ Por que ele faria isso? Ele adora você. Seu comentário arranca um meio sorriso meu. Então, algo passa pela minha cabeça. ㅡ O que você sabe sobre o irmão caçula dele que morreu, o Raphael? Ele quase cai da cadeira e me encara surpreso. ㅡ Michael não gosta de falar sobre isso, é melhor nem tocar no assunto com ele. Tudo o que todo mundo sabe, mesmo o Pete que convive com ele desde a infância, é que o irmão dele morreu afogado aos quatro anos. Ele nunca nos deu detalhes sobre o que aconteceu e se limitava a rosnar para a gente quando perguntávamos. Com o tempo, achamos melhor não mexer nessa história, porque o Michael se afastava de nós sempre que o assunto surgia. ㅡ Certo… Ele não falou sobre isso nem mesmo com seus amigos mais próximos, no entanto se abriu comigo. Talvez, seja essa a razão de estar distante. Apoio meu cotovelo na mesa e o queixo sobre o punho, suspirando pesadamente. Acho que fui intrometida demais… Vou para casa sozinha, Michael também não pôde me levar porque iria trabalhar até tarde. No dia seguinte, sequer almoçamos juntos. Isso só faz com que eu me sinta sendo jogada para escanteio. Deveria ter mantido a minha grande boca fechada, mas não. Eu tinha que perguntar sobre a tatuagem… *Michael PoV* ㅡ Nível um. Ainda está na empresa? A voz séria do meu chefe do outro lado da linha me deixa em alerta. ㅡ Sim. Na minha sala. ㅡ Estou subindo. Ele desliga primeiro e eu fico um momento encarando a tela do celular com preocupação. O que terá acontecido? Disse que estava subindo, o que quer que seja, pode ter acontecido no exterior. Imediatamente fecho todos os programas na tela do meu computador. Eu abro o sistema de câmeras de segurança na frente do prédio e volto as imagens. Vejo a limusine do McGregor, ele entrando no prédio com o celular na orelha. Foi quando ele me ligou. Volto mais um pouco e vejo Mayra sair do veículo e atravessar a rua. Ela entra em uma bomboniere. Eu repasso as imagens. Estranho. Ela não saiu da loja. Não tenho outra escolha a não ser invadir o sistema interno do lugar. Quando Ethan chega, seguido de seu segurança, eu já estou com vídeo no gatilho. Ele encara a tela com surpresa, quando eu a aponto. ㅡ Acho que estamos em sintonia. Nós vemos como Mayra é sequestrada. Ele me dá algumas orientações e um número de celular que eu nunca tinha visto. Seu segurança me entrega um comunicador de ouvido, para que eu possa orientá-los. Sinto o peso da responsabilidade. Qualquer informação errada da minha parte e alguém pode se ferir, talvez até morrer. Eu não discuto nada, nem pergunto o que está acontecendo. Ele está sério como nunca vi antes. Com certeza tem um plano e não quero quebrar sua concentração com perguntas idïotas. Quando puder, irá me falar. Ele se retira sem dizer mais nada e eu continuo a procurar, invadindo um sistema atrás do outro e guiando seus passos. Tenho a sorte de encontrar um drone com uma câmera especial. Acho que foi crucial para garantir a segurança de todos. Procuro me manter calmo, embora ouvir e ver tudo o que se passa seja exasperante, principalmente quando há um tiroteio. Não saio da minha sala até o retorno de Ethan. Ele me conta sobre o passado de Mayra e a conexão do antigo chefe dela, Cougar, com o Grupo MEI. ㅡ A senhorita Hills é minha assistente pessoal, conhece todos os meus passos, assim como senhas de acesso. Fizeram-na de alvo. Eu só posso acreditar que não vão parar por aí. Nancy e Claire também podem acabar correndo perigo. Eles deixaram claro que estão dispostos a tudo para me parar. Coço meu queixo um momento, olhando a tela do meu computador. Apesar de sua aparente calma, sinto que há algo mais. Ethan foi pessoalmente resgatar Mayra, mesmo tendo a seu dispor um exército que faria isso primorosamente, evitando que ele sujasse suas mãos. Ele não arriscaria seu pescoço, que vale bilhões de dólares, por alguém que não seja especial para ele. Se Amber corresse perigo de alguma forma, eu também não hesitaria em ir atrás dela. Essa percepção só faz com que eu me condene ainda mais. ㅡ Eu fui relapso, Ethan. Sinto muito. Fiquei distraído com problemas particulares e a situação da banda quando, na verdade, havia algo muito mais grave acontecendo. Jamais pensei que o Grupo MEI pudesse ir tão longe. Porém, não mais. Vou acabar o que comecei e, quando eu terminar, não vai sobrar nada deles. O sorriso cúmplice que ele dá reflete o meu. ㅡ Não esperava menos de você, Michael. Peça aos seus assistentes para lidarem com os assuntos internos. Sua prioridade é derrubar o Grupo MEI. Se não os atacarmos agora, vão continuar avançando e as consequências podem ser fatais. Hoje, eu cheguei a tempo de salvar a senhorita Hills e a mãe da amiga dela. Posso não ser tão bem-sucedido em uma próxima vez. ㅡ Não vou descansar enquanto não acabar com eles. *Amber Lee PoV* Bufo irritada e cruzo os braços ao redor do peito, sem tirar os olhos da minha tela. A cabeça marrom do Rico surge além do monitor, onde ele se apoia levemente. ㅡ Problemas com o computador, ojitos? Quer que eu chame um certo alguém para resolver? Seu ar maroto não melhora o meu ânimo. ㅡ Duvido que ele se desse a esse trabalho. Está tão ocupado, que sequer respondeu o e-mail que mandei de manhã. Seu sorriso desmonta e ele dá a volta na mesa, se ajoelhando ao lado da minha cadeira. ㅡ Deve ter acontecido alguma coisa grave no trabalho. Não fique assim. Não esqueça que ele é o chefe de um setor inteiro e tem muitas responsabilidades. ㅡ Será mesmo, Rico? Ou será que só está me preparando para quando for me chutar? ㅡ Do que está falando, ojitos? Por que todo esse pessimismo? Não tenho coragem de dizer a ele que Michael falou da morte do irmão para mim, quando nunca se abriu com ele. O problema é que não sei como explicar minha angústia sem deixar isso escapar. ㅡ É apenas uma intuição… ㅡ Que deve estar muito errada. Vai por mim. Olha, vou chamar a Lauren e faremos a noite da pizza na minha casa. Que tal? Bom, já que o meu namorado não pode me dar um minuto do seu precioso tempo, é melhor ter o que fazer para não ficar criando minhocas na cabeça. ㅡ Salame com cheddar. ㅡ Tudo o que você quiser, ojitos. Vamos? Aceno com a cabeça e pego a minha bolsa para irmos embora. *Michael PoV* Eu não voltei para casa aquela noite. Não conseguiria dormir de qualquer forma depois do que presenciei. Durante o almoço no dia seguinte, passei no meu apartamento apenas para tomar um banho e trocar de roupa. Ao final do expediente, quebrei a última camada de segurança. Encontrei muitos dados incriminatórios, apesar de serem informações antigas. Mas, uma lista de códigos me deu a dica de como invadir o sistema atual. Levei mais um dia para entender o padrão utilizado, porém o esforço valeu a pena. Amber me enviou um e-mail que m@l pude responder. Não nos vimos durante esses dias, embora tivesse sido por uma boa causa. No estado em que eu estava foi até melhor. Ela perceberia que algo estaria me preocupando e com certeza faria perguntas às quais não poderia responder. Depois de invadir o sistema e recolher todas as provas necessárias, envio uma mensagem para o Ethan no número novo que ele me deu dias atrás. “Estou dentro e já coletei o que precisava. Denver.” “Encontre-me na minha sala, chego em cinco minutos. Quero ver o que conseguiu. E. M.” Eu passo tudo para o pendrive e, após guardá-lo no bolso, sigo para o escritório do CEO.
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