*Michael PoV*
Por um momento, eu me deixo levar pela luxúria que nos envolve. No entanto, tenho que me ater à razão.
Ela bebeu demais. Se eu fraquejar agora, seria como me aproveitar. Eu a quero como nunca, porém não desse jeito.
Seguro suas mãos gentilmente, que já haviam terminado de abrir o zíper da minha calça, e tento fazê-la enxergar que ela não tem condições de tomar qualquer decisão agora por causa do álcool. Contudo, ela sequer me deixar falar e foge.
ㅡ Merd@! Amber Lee!
Saio correndo atrás dela, fechando a minha calça no meio do caminho de forma desengonçada, porém não chego a tempo. Ela some dentro do elevador, que se fecha bem na minha cara. Decido usar as escadas, pulando os degraus e o corrimão até o térreo.
Quando saio para a rua, a chuva está tão forte, que parece ter erguido uma cortina. Olho de um lado para o outro, tentando encontrá-la.
Onde você está, little bunny?
O desespero me toma quando a vejo correndo pela rua, os carros passando e buzinando.
ㅡ Amber Lee!
Corro em sua direção, com o coração na boca. Um carro freia na minha frente e eu pulo por cima do capô. Os xingamentos do proprietário ficam para trás. Só tenho uma coisa na cabeça, que é evitar que ela se machuque. Eu jamais me perdoaria.
Um táxi segue na direção dela, sem conseguir frear. Amber Lee fica parada, como um cervo cego pelas luzes, no meio da pista. Benditas sessões de corridas matinais. Não fosse por elas, não sei se teria conseguido chegar a tempo. Agarro Amber Lee pela cintura e a arranco do trajeto do veículo.
A rua está escorregadia por causa da chuva e eu acabo perdendo o equilíbrio. Consigo ao menos evitar que ela se machuque, virando meu corpo e deixando minhas costas baterem contra o asfalto, com seu corpo sobre o meu. Ouço o barulho de uma freada brusca e vejo um carro quase em cima de nós.
Não há tempo…
É estupidez da minha parte, um carro passando sobre nós atingiria os dois, mesmo assim, eu a viro e ofereço as minhas costas para as rodas, cobrindo sua cabeça com meus braços. Sinto o bafo do motor quente me tocar, porém não o impacto. O motorista consegue frear a tempo e sai do carro xingando todos os palavrões do mundo. Eu não dou importância. Minha preocupação está nessa ruiva que, a essa altura, já perdeu os sentidos. Examino seus braços e cabeça, à procura de algum ferimento, e fico extremamente aliviado por ver que ela parece bem. Dou leves tapinhas em suas bochechas, mas ela não acorda.
Ou ela desmaiou de medo, ou foi por causa da bebida.
Susto deixado para trás, eu me sento e só agora sinto meu cotovelo direito arder. Eu saí correndo e a camiseta não evitou que eu o machucasse na queda. Está sangrando, no entanto não é nada grave. O ferimento não me impede de pegar Amber Lee no colo e voltar para o meu apartamento. Fecho a porta com pé e fico olhando o sofá. Estamos ambos encharcados até os ossos e a água escorre pelo piso.
Vai ficar tudo molhado, mas fod@-se. Pelo menos, ela está segura.
Coloco Amber Lee deitada no sofá. Checo seus sinais vitais e examino de novo sua cabeça, braços e pernas.
Ela está bem… Mas, o que eu faço agora? Ela não pode ficar com essa roupa molhada…
Retiro minha camisa e sapatos encharcados e os deixo na lavanderia do apartamento. Volto para a sala e fico andando de um lado para o outro sem saber o que fazer. Tenho uma ideia e vou para o quarto. Busco no guarda-roupa um roupão e retorno para a sala. Eu a cubro com cuidado e, quando estico minhas mãos para tirar sua roupa, eu travo.
É melhor eu pedir permissão primeiro…
ㅡ Amber Lee, você pode me ouvir? ㅡ Ela murmura alguma coisa que eu não entendo e suspiro forte. ㅡ Olha, preciso tirar a sua roupa molhada. Tudo bem?
Não consigo entender essa linguagem que as pessoas falam quando estão morgadas. Ela diz alguma coisa, um monte de palavras sem sentido, na verdade.
ㅡ Little bunny, faça um esforço. Você não pode ficar com essa roupa molhada ou vai se resfriar.
Ela rosna algo que eu entendo como um “Sim”. Começo a remover suas roupas, com o roupão por cima. Até fecho os meus olhos bem apertados, para não sucumbir à tentação de ver essa mulher, que tanto desejo, nua na minha frente.
Levo suas roupas para a área. Como Amber Lee está desacordada, retiro minha calça, ficando completamente nu, e coloco tudo na secadora. Vou para o quarto vestir uma calça nova e, quando retorno para a sala, ela está deitada de lado, o roupão um pouco fora do lugar, revelando sua linda bund@ para os meus olhos. Eu me viro de costas e olho para o teto.
Deus, estou tentando ser um cavalheiro aqui, sabia? Quer, por favor, parar de me testar?
Respiro fundo, fecho os meus olhos, e vou tateando o caminho até chegar no sofá. Praguejo alto quando bato com meu pé na mesa de centro, porém cubro minha boca rapidamente com medo de despertá-la ao ouvi-la gemer.
Se ela acordar agora nessa situação, vai pensar o pior de mim e eu não vou ter nem como me defender!
Uso minhas mãos para encontrar a base do sofá e finalmente o roupão, que volto a enrolar nela. Só quando tenho certeza que ela está decente, é que abro os olhos. Os dela estão fechados e eu suspiro de alívio. Eu a pego no colo mais uma vez e a levo para o meu quarto, deitando-a na minha cama.
Os cabelos dela ainda estão molhados…
Busco uma toalha e os seco com cuidado. Depois, a cubro com o lençol e retiro o roupão, que estava úmido a essa altura. Sento na cadeira do computador, enquanto a observo dormir tranquilamente e suspiro frustrado.
Não era bem assim que eu planejava te ter nua na minha cama…
*Amber Lee PoV*
Ai… Minha cabeça está latejando…
Eu me mexo um pouco na cama quentinha e me encolho, apertando o lençol contra o meu corpo.
Espera um pouco… Como eu cheguei em casa?
Começo a buscar nas minhas memórias e não faço ideia de como fui parar no meu apartamento.
Na verdade, a cama está diferente e estou… Nua? Eu não durmo sem roupa!
É quando o som de teclas sendo manuseadas me atinge. Levanto meu olhar e vejo Michael diante de seu computador, de costas para mim, e fico horrorizada. Eu grito de susto e ele praticamente pula da cadeira e se vira para mim. Eu me sento e o lençol escorrega. Quando ele me dá as costas no mesmo instante, me recordo que não estou vestindo nada.
Eu mereço!
Puxo o lençol para me cobrir rapidamente. Fico tentando me lembrar do que aconteceu e flashes do que eu estava disposta a fazer no sofá da sala dele e como eu comecei a abrir sua calça, me fazem ficar roxa de vergonha.
Céus! Não acredito que tr@nsei com ele e nem me lembro de como foi!
Fico enfurecida, enquanto amarroto o lençol contra o meu corpo trêmulo.
ㅡ Michael Denver! O que você fez?
ㅡ Eu? ㅡ Ele se vira para me encarar e cruza os braços. ㅡ Eu não fiz nada! Você surtou e saiu correndo! Quase foi atropelada e, se não fosse por mim, estaria esmagada debaixo de um carro agora! O que deu em você?
Ele está genuinamente zangado, então só posso crer que esteja dizendo a verdade.
ㅡ Minha… Roupa?
ㅡ Está na secadora. Você estava encharcada de chuva, eu não podia deixar você dormir com aquela roupa molhada. ㅡ Ele completa quando percebe meus olhos arregalados. ㅡ Eu não olhei, te mantive coberta o tempo todo, tá legal?
Bom, não sei se fico decepcionada ou aliviada. Ele não olhou porque não tem interesse ou porque foi gentil?
Como lendo a dúvida no meu rosto, Michael suspira forte e apoia as mãos na cintura. Só agora me dou conta de que ele está sem camisa, seus músculos perfeitos chamando por mim.
Foco, Amber Lee!
Ele vai até o guarda-roupa e pega uma camisa preta, jogando-a na minha direção.
ㅡ Acho que você vai se sentir mais confortável para conversar se estiver vestida.
Dito isso, ele se vira novamente. Então, vejo o que parece ser uma enorme tatuagem em suas costas. Não sei como nunca havia percebido antes.
Já o vi sem camisa, porém, acho que estava tão distraída com seu corpo, que não reparei.
Não consigo identificar que desenho é, está escuro e seus longos cabelos cobrem parte dele.
ㅡ Está pronta?
Saio do meu transe e visto a camisa rapidamente. É bem maior que eu e fica parecendo um vestido, que alcança quase metade das minhas coxas.
ㅡ Agora estou.
Ele se vira e caminha na direção da cama, sentando-se de frente para mim.
ㅡ Pode me dizer agora porque saiu correndo daquele jeito? Quase enfartei quando te vi perdida no meio do trânsito.
Baixo meu olhar e brinco com o lençol entre os meus dedos.
ㅡ Eu… Eu acho que não levei a sua rejeição numa boa…
ㅡ Rejeição? ㅡ Ele fica olhando para mim com cara de paisagem, até a ficha cair. Um sorriso se estica em seus lábios e ele beija os meus gentilmente. ㅡ Eu não te rejeitei, sua tonta. Vai por mim, não sabe o esforço que foi resistir à tentação de ter você nua na minha cama.
ㅡ Então, por que me parou quando eu…
Nem consigo terminar a frase, já sentindo minhas bochechas queimarem com a vergonha ao me lembrar de onde minhas mãos estavam naquele momento. Ele esfrega o punho no topo da minha cabeça, bagunçando o meu cabelo.
ㅡ Quando você estava com as mãos cheias?
Fico boquiaberta e ele dá risada.
ㅡ É… Por favor, não ria. É muito embaraçoso…
Michael faz exatamente isso. Seu riso cessa e ele fica me encarando de um jeito estranho. Então, ele limpa a garganta.
ㅡ Little bunny, você estava bêbada e…
ㅡ Eu não estava bêbada! Só… Meio alta?
ㅡ Está bem, meio alta… Olha, ㅡ Sua mão segura a minha, enquanto seus olhos se prendem aos meus. ㅡ Eu quero muito você, mas você não estava no seu juízo perfeito por causa do álcool. Seria como se eu estivesse me aproveitando daquele seu momento de fragilidade. Não quero que as coisas aconteçam dessa forma entre nós.
Cadê meu coração, que parou de bater no meu peito?
Minha boca fica aberta, até ele fechá-la com o indicador. Em seguida, ele se acomoda na cama e me puxa para o seu peito. Sua pele é quente, com aquele perfume selvagem que nubla todos os meus sentidos.
ㅡ Eh… Você não deveria dormir na sala e me deixar sozinha na cama?
Ele levanta uma sobrancelha curiosa, enquanto afasta os cabelos do meu rosto.
ㅡ Você já viu o meu tamanho? Dormir naquele sofá é pedir para arrebentar a coluna. Já fiz isso algumas vezes, então, passo. A cama é grande, cabemos os dois perfeitamente. A não ser que você queira ir para o sofá.
O sorriso sacana que surge em seu rosto me obriga a lhe dar um beliscão nas costelas. Ele quica sobre o colchão, rindo livremente.
ㅡ Acho que o Michael cavalheiro já foi passear, não é? Por que não me leva para casa?
ㅡ Ah, nem pensar, little bunny. Suas roupas ainda não secaram e está caindo um dilúvio lá fora.
Nesse momento, só para me contrariar e me deixar sem opções, um alto trovão ecoa, iluminado o quarto por um segundo. Eu praticamente me agarro ao corpo dele e puxo o lençol sobre nós. Seus braços me envolvem e poderia até ver seu sorriso maroto se estivesse olhando para ele.
ㅡ Boa noite, little bunny. ㅡ Ele carinhosamente beija o topo da minha cabeça. Mas, como ele tem sempre que fazer alguma provocação, também aproveita para sussurrar. ㅡ Eu não vou me opor caso você queira me tocar, agora que está sóbria.
Como estou com a cabeça em seu peito, aproveito para morder um de seus m@milos. Grande erro, pois foi como jogar lenha na fogueira e sua agilidade me surpreende. Ele me gira na cama, ficando sobre mim e segura meus pulsos acima da minha cabeça. Apesar da pouca luminosidade, consigo notar o brilho que arde no fundo de seus olhos. Eu engulo em seco.
*Michael PoV*
Beijo sua boca com tanta voracidade, que até perdemos o fôlego. Seu corpo ainda está tenso embaixo de mim e isso acende de novo a razão na minha cabeça. Aproximo meus lábios e sussurro em seu ouvido.
ㅡ Você está muito nervosa, little bunny. Vou esperar até que fique mais calma e mais… À vontade comigo.
Saio de cima dela e deixo meu corpo cair de costas sobre a cama. Procuro controlar a minha respiração e o meu corpo também. Noto que ela se ergue sobre os cotovelos e fica me encarando.
ㅡ Jamais imaginei que Michael Denver pudesse ser tão paciente com uma garota.
ㅡ Nem eu. Você vai acabar fazendo com que minhas bolas explodam.
Ela fica visivelmente confusa com o meu infeliz comentário e isso só aumenta a minha dúvida.
Não… É impossível… No entanto, essa ideia absurda se torna cada vez mais plausível.
ㅡ Não vai me explicar?
Engasgo com a saliva e decido me sentar.
ㅡ É só jeito de falar. Não leve a sério. Vamos dormir? Comporte-se, viu, little bunny…
Ela bate com seu ombro no meu e sorri discretamente. Volto a me deitar, aninhando sua cabeça no meu peito. Já tive noites melhores de sono desde que a conheci, entretanto, essa noite, que a tenho em meus braços, é a melhor de todas.