*Amber Lee PoV*
Eu rosno para o alto e coloco a minha gata no chão.
Michael está me deixando maluca!
Procuro meu celular na minha bolsa e meu olhar sorridente recai sobre o perfume. Eu o retiro com cuidado e o coloco na penteadeira do meu quarto, ao lado de outro frasco idêntico que está quase no fim. Retorno para a sala e fico analisando a cesta de lírios.
Aquele exagerado… Não faço a menor ideia de onde colocar. Ela é enorme!
Decido que é melhor separar em vasos menores. Dá para fazer quatro arranjos encorpados, deixo três espalhados pela sala e um na cômoda do meu quarto. Eu giro sobre mim mesma, sentindo o perfume das flores preenchendo o ambiente, da mesma forma que o meu coração está preenchido por Michael.
Sento-me no sofá e ligo para Lauren. Luto para não roer uma unha, enquanto espero que ela atenda. Quando ela o faz, há um som alto ao fundo e ela tem que gritar.
ㅡ Amiga! O que foi?
ㅡ Desculpe pela ho®a, Lauren. Estou te atrapalhando?
ㅡ Não, só um minuto! ㅡ A música diminui um pouco, ficando abafada. ㅡ Eu estava entediada em casa e decidi sair. Não te chamei porque me disse antes que queria ir dormir mais cedo.
ㅡ Bem, eu deveria, mas… Aconteceu uma coisa… Com o Michael…
ㅡ O quê? Chego em dez minutos!
ㅡ Não precisa…
ㅡ Meu bem, se você me ligou a essa ho®a, é porque está precisando conversar e, se o Michael está no meio, é urgente! Vou precisar de um café!
Lauren desliga e eu fico encarando o aparelho mudo.
Ela é doida!
Eu rio e corro para a cozinha fazer uma jarra de café. Assim que ela chega, vestida para matar em seu tubinho azul brilhante, fico com receio de ter atrapalhado algo. No entanto, ela pega a xícara da minha mão e me arrasta para o sofá. Só depois de três espirros, é que ela repara nos arranjos.
ㅡ Querida, por que você tinha que gostar tanto de lírios?
Nós rimos juntas, enquanto ela cata um antialérgico na bolsa.
ㅡ Vamos para o meu quarto. Só tem um arranjo lá, então o cheiro é mais fraco.
Seguimos para o cômodo, eu fecho a porta e abro bem a janela, enquanto ela toma seu medicamento com o café. Nós nos sentamos na cama e ela me encara com seus grandes e curiosos olhos azuis.
ㅡ Então, amiga. O que aconteceu?
ㅡ Bom, fui ver o Michael, sabe, para conversar. Ele foi rude comigo na última vez que nos falamos. Dei um gelo nele alguns dias e resolvemos tudo hoje.
ㅡ Hei! Volta a fita! Isso tudo acontece, você não me fala nada e se limita a me dar esse resumo chinfrim? Pode ir me dando o relatório completo! ㅡ Ela dá mais um espirro e coça o nariz. ㅡ Por que comprou tantos lírios? Qual é a ocasião?
ㅡ Bem… Eu não comprei… O Michael me deu…
Os olhos dela se abrem como duas luas cheias.
ㅡ O Michael? O nosso Michael?
ㅡ Sim.
ㅡ Michael Denver? O troglodita nerd, incapaz de uma gentileza, te deu flores?
ㅡ Aham… E não foi só isso.
Eu pego o perfume na minha penteadeira e mostro para ela. Ela continua sem acreditar.
ㅡ Amber Lee, sequestraram o Michael e colocaram um clone no lugar dele! É a única explicação!
ㅡ Sua boba! ㅡ Eu rio e seguro meu presente contra o peito. ㅡ Ele se deu ao trabalho de perguntar ao Rico qual flor e perfume eu gostava.
Ela dá um assobio longo, completamente chocada.
ㅡ Minha nossa… Você é muito importante para ele mesmo.
ㅡ Você acha? Importante como?
ㅡ Como eu vou saber? Só sei que, o Michael que eu conheço, jamais se preocuparia em agradar tanto alguém. Ele sempre liga o fod@-se ou simplesmente ignora.
Baixo o meu olhar para o perfume em minhas mãos e respiro fundo.
ㅡ Nós… Nós nos beijamos…
Sua boca se abre, porém ela fica muda alguns segundos. Eu coro violentamente, lembrando de como o corpo dele reagiu ao meu e vice-versa, o que não passa despercebido por ela.
ㅡ Oh, por favor, me diga que não passou disso!
ㅡ Claro que não! Eu não sou tão maluca assim! Foi só um beijo!
E que beijo…
ㅡ Que bom. Michael é o tipo de cara que sempre teve todas mulheres que quis aos seus pés. Você é interessante porque não cedeu. É um desafio.
ㅡ Tenho medo de quando o desafio acabar…
ㅡ Oh, minha querida… Se isso te consola, realmente é uma surpresa que ele esteja correndo atrás de você. É um bom sinal. E, sinceramente, pedir conselhos sobre garotas ao Rico, é como assinar uma autorização para ser zoado pelo resto da vida. Então, creio que o Michael se importa de verdade com você. O desafio é um tempero no grude que vocês estão fazendo. Mesmo que vocês avancem, vai ficar tudo bem.
ㅡ Como eu vou saber que é o momento certo? Tudo é tão confuso e intenso com ele… E a minha experiência é tão pequena…
Ela batuca com os dedos na bochecha, pensando.
ㅡ Devo concordar que não podemos comparar àquele seu namoradinho chato de infância com o Michael. O cara nem sabia como te dar uma boa chupada.
Eu fico embasbacada e vermelha de vergonha. Até já tinha esquecido que tinha contado isso a ela.
ㅡ Lauren! Não precisa me lembrar disso!
ㅡ Não é verdade? Um beijo diz muito, querida, principalmente o primeiro. Seja sincera, aquele tal de Kevin te beijou alguma vez como o Michael te beijou hoje?
Eu suspiro e sem querer passo os dedos pelos meus lábios. O gosto dele ainda está vivo em mim, me fazendo desejar ter mais.
ㅡ Não…
ㅡ Nem precisava responder, sua cara de satisfeita diz tudo! ㅡ Dou-lhe um tapa leve no ombro e ambas rimos. ㅡ Quanto a saber o momento certo de ir para a cama com ele, bom, isso só você pode descobrir. Não dá para marcar uma data, entende? ㅡ Eu aceno com a cabeça e ela estreita o olhar. Sinto que vem uma bomba. ㅡ Como foi?
ㅡ Como foi o quê?
ㅡ O beijo, criatura!
ㅡ Lauren! Eu não vou ficar fazendo propaganda!
Ela ri descaradamente e dá outro espirro. Eu decido tirar o jarro do quarto enquanto ela estiver aqui.
ㅡ É só curiosidade. Ele tem muita fama. Às vezes, me pergunto se não é só encenação.
ㅡ Bom, eu garanto que não é encenação. Ele sabe o que faz com a boca.
ㅡ Imagine o resto! ㅡ Sua risada é alta e descontraída. Eu fico roxa, pois me lembro exatamente do que vi quando ele se levantou do sofá. ㅡ Oh, Céus! Você disse que não passaram do beijo!
Eu fico surpresa.
ㅡ Não passamos! Por que diz isso?
ㅡ A cara que você fez agora! O que mais aconteceu?
Mordo minha boca e respiro fundo.
ㅡ Bom… Pode ser que eu tenha visto algo mais… Eu estava no colo dele quando nos beijamos e ele se empolgou. ㅡ Como eu sei que ela vai perguntar, eu completo. ㅡ A fama dele é totalmente real, amiga.
Ela dá um gritinho e ri. Eu dou risada junto com ela e uma de suas mãos para no meu ombro.
ㅡ Tirou a sorte “grande”, heim?
Afasto sua mão, sacudindo a minha cabeça e achando graça.
ㅡ Você é terrível…
Nos dias que se seguiram, eu e Michael não nos vimos pessoalmente. Ele dizia estar de trabalho até o pescoço, no entanto eu fico me perguntando se, na realidade, não estaria fugindo de mim.
Ele disse uma vez que achava melhor não nos envolvermos além do profissional. Deve ter se arrependido de me beijar. Ou, talvez, esteja apenas procurando um pretexto para me dispensar, já que eu fui difícil demais. De qualquer forma, não vou ficar correndo atrás dele como uma desesperada. Mesmo que eu queira muito.
Ocupar a minha cabeça com o trabalho é a minha válvula de escape, mesmo assim, é impossível esconder do Rico que algo tenha acontecido, por mais que eu tente. Durante um almoço, acabo lhe contando. Ele fica tão empolgado, que acaba berrando no meio do restaurante, enquanto sacode os braços para o alto, como se comemorasse a vitória do seu time preferido de baseball.
ㅡ Rico, por favor…
Eu sacudo a minha cabeça e me encolho na minha cadeira, morta de vergonha, tentando ignorar os olhares escandalizados dos demais clientes.
ㅡ Ah, ojitos! Estou tão feliz por vocês dois! Eles fez o pedido?
ㅡ Que pedido?
ㅡ De namoro! O que mais?
ㅡ Não creio que ele iria tão longe, Rico. Foi só um beijo…
ㅡ Um beijo que demorou uma eternidade! Madre de Dios! Vocês dois acabam comigo… A lerdeza do Michael é impressionante, eu disse para ele…
Ele se interrompe e só agora levanto meu olhar do meu prato para ele.
ㅡ Disse o quê? ㅡ Ele bufa e coça a cabeça, medindo se deve falar ou não. Eu fico ansiosa. ㅡ Rico, eu sei que você é muito fiel ao Michael, eu entendo. Mas, eu também estou envolvida. Ele tem me evitado depois do beijo, com a desculpa de ter muito trabalho, contudo eu me pergunto se ele não estava apenas brincando comigo ou sei lá. Você não acha que eu também tenho o direito de saber?
Balanço os cílios para ele, na intenção de comovê-lo. Por fim, Rico suspira e me encara.
ㅡ Não diga a ele que contei, mas, quando ele esteve na minha casa para pedir conselhos, eu disse que ele devia simplesmente te pedir em namoro. Sabe, essa coisa toda de relacionamento com você é uma novidade extremamente complicada na cabeça dele. Ele ainda está aprendendo, porém gosta de fazer tudo como manda o figurino. Ele é muito…
ㅡ Perfeccionista?
Nós rimos juntos e ele respira fundo.
ㅡ Exatamente, ojitos. Ele nunca vai admitir, mas ele é um cara à moda antiga. Ou, pelo menos, ele quer ser com você. Até me perguntou se não tinha que ter paquera antes de oficializar o pedido. Então, não se preocupe. As intenções dele são boas com você.
Confesso que o sorriso volta a iluminar o meu rosto e eu permaneço nesse estado de glória até perto do final do expediente. Tanto, que decido ir vê-lo.
Se Maomé não vai à montanha…
Infelizmente, não o encontro em sua sala e fico perambulando pelos corredores do andar.
Que ótimo! Onde será que ele foi? Talvez, esteja até em outro setor.
Ao passar por uma sala com a porta entreaberta, escuto a voz que jamais poderia esquecer, mesmo que se passassem mil anos sem ouvi-la. Olho sorrateiramente pela abe®tura, pois não quero interrompê-lo. Ele está de costas e tem pelo menos meia dúzia de funcionários com ele. Uma garota olha para ele com olhos brilhantes, enquanto ele dá orientações, e o meu sorriso se desmonta.
Não seja ciumenta, Amber Lee. É só trabalho. Mesmo que aquelazinha esteja comendo o Michael com os olhos.
Michael dispensa três rapazes e a garota se aproxima dele.
ㅡ Nossa, senhor Denver! Aprendi tanto! Posso fazer alguma coisa para retribuir?
ㅡ Não precisa. É o meu trabalho corrigir seus erros.
ㅡ Ah, mas eu insisto… Posso te ensinar a arrumar a gravata. Ficaria muito mais elegante.
Quando a moça se aproxima dele e começa a ajeitar a gravata que ele nunca arruma, eu me afasto da porta.
Argh! Abusada!
Volto para o meu andar pelas escadas, pois preciso de tempo para me recompor.
Ele vive cercado de mulheres que se oferecem em uma bandeja. Como eu posso competir com isso?