63 - Wishes

3442 Words
*Michael PoV* A noite foi longa e, enquanto tomo um banho depois de chegar em casa, ainda não consigo acreditar no que aconteceu. Quem ousaria derrubar um prédio no meio de um centro urbano? A angústia me toma quando lembro que Ethan e sua secretária estavam naquele edifício e escaparam da morte por muito pouco. Mesmo não tendo que ir trabalhar, ainda há a gravação final do disco. Amber Lee fez como pedi, me enviando uma mensagem quando chegou em casa. Foi o que me deu tranquilidade para executar a tarefa que McGregor me incumbiu ao longo da madrugada. Quando me deito, já passa das quatro da manhã e durmo quase que instantaneamente. Apesar da noite agitada, cheguei mais cedo no estúdio. Já tinha combinado com o produtor e gravei a parte instrumental que fiz para a música que Amber Lee escreveu. Para a voz, eu não poderia cantar sozinho. Menos ainda depois de ouvi-la ontem. Quando todos chegam, nós trabalhamos duro durante a última sessão de gravações das músicas do álbum. Tanto eu, quanto Pete, concordamos em dar à nossa tecladista mais espaço para criar. Claro que Dorothy não gostou da ideia, porém estava em minoria. A questão é que, devido ao seu ciúme tol0, ela não quer admitir o quanto o som da banda melhorou por causa do teclado. Por causa do que Amber Lee desperta em mim. Eu sou um profissional e um homem melhor, por ela. Finalmente terminamos de gravar todas as faixas, exceto pela bônus, que somente eu e o produtor sabemos. Tentei diversas vezes falar com a Dorothy sobre eu e Amber Lee, porém ela não me deu espaço. Vai ter que ficar para um outro dia. Peço discretamente ao Pete para que ele tire Dorothy do estúdio. Mesmo desconfiada, ela cede e o acompanha. Ficamos eu e Amber Lee sozinhos. ㅡ Onde eles estão indo? ㅡ Pete precisava de uma opinião feminina para escolher uma jaqueta. ㅡ Ela cruza os braços na altura do peito. Minha desculpa esfarrapada não foi muito convincente e ela me desarma só com um olhar. ㅡ Tudo bem, eu poderia ter encontrado uma razão melhor... ㅡ Fato. Então? ㅡ Eu queria ficar sozinho um pouco com você. ㅡ Dou-lhe uma piscada charmosa e tento esconder minha euforia. ㅡ Tenho uma surpresa. Arrumo uma mecha de cabelo atrás da orelha, tentando esconder meu nervosismo, sorrio discretamente e a convido com um gesto para ficar próxima a mim e ao microfone. Espero que ela goste do que fiz. *Amber Lee PoV* A música começa e eu me sinto nervosa. Não conheço a melodia. Uma base de bateria, baixo e teclado pré-arranjados, enquanto Michael toca sua Fender. Quando ele solta sua voz, eu quero chorar, pois reconheço a letra que escrevi. Ele coloca tanto sentimento em cada palavra, que o meu coração palpita como um louco dentro do meu p&ito. How can I break that shell you live within (Como posso quebrar a concha onde vive) If I am enclosed in the embrace of fear? (Se eu estou enclausurada no abraço do medo?) It’s like being trapped in a deadly sin (É como estar presa em um pecado mortal) I’m afraid to be seen, but I’m still here (Tenho medo de ser vista, mas ainda estou aqui) Ele decorou a letra como se a tivesse guardado no coração, não precisando de papel algum para guiá-lo. Baixo meu olhar para o chão um instante, para depois me prender ao dele. Essa melodia… Será que foi ele quem fez para a minha música? É tão perfeita… Se eu pudesse, pularia em seus braços agora, porém não aqui, onde há estranhos na sala ao lado nos observando. Mesmo assim, não consigo evitar que minha emoção vaze pelo meu rosto, enquanto admiro meu namorado dar vida ao que eu escrevi. If you could find some peace of mind (Se você pudesse encontrar alguma tranquilidade) And make a wish to the stars above (E fazer um pedido às estrelas no céu) Would you choose your safe place to hide (Escolheria o seu lugar seguro para se esconder) Or would you give yourself to love? (Ou se entregaria ao amor?) *Michael PoV* Vejo um brilho que nunca presenciei antes em seus olhos. Um brilho que faz com que eu me apaixone por ela ainda mais. Eu sei que suas palavras foram inspiradas em mim. Assim como minha melodia foi inspirada nela. É a forma que encontro para dizer que a amo. Ela não escreveu esses versos em um capricho. Eles saíram de dentro da sua alma. Uma alma que eu só consigo desejar ter sempre ao meu lado. Então, eu faço meu pedido, sussurrando longe do microfone. ㅡ Cante comigo, little bunny. Você conhece a letra melhor que eu. Ela quase deixa uma lágrima escapar. Eu entendo que temos um longo caminho a percorrer. Seu espírito é como o meu, sua paixão é igual à minha. Pela primeira vez, eu não tenho medo. *Amber Lee PoV* ㅡ Seja tolerante... Respiro fundo para me dar coragem. Eu não gosto muito da minha voz, porém o sorriso que ele me oferece é o suficiente para me estimular. A emoção do momento torna a minha voz um pouco instável no começo. No entanto, quando casamos os versos, nossas vozes se combinam perfeitamente. Eu, em um tom mais doce e rouco. Ele, com um timbre mais grave e forte. And I wish (E eu desejo) Your burning kiss to light me up (Seu beijo ardente para me acender) Your heartbeat pacing wildly (Seu coração batendo descontrolado) With our love and strong desires (Com o nosso amor e fortes desejos) Just watching you is not enough (Apenas te observar não é o bastante) Posso dizer que cantar ao lado dele é ainda melhor que apenas tocar. É a sensação de estar completa, como nunca pude ser antes. É a liberdade me elevando, como se ele se transformasse nas asas que preciso para voar. So let me in (Então, deixe-me entrar) I don't want to die before I know (Não quero morrer antes de conhecer) The sweet taste of your skin (O doce sabor da sua pele) Flash to flash, just give in (Carne contra carne, apenas se entregue) And feel the warm of my soul (E sinta o calor da minha alma) *Michael PoV* Pelo canto dos olhos, observo o sorriso satisfeito do nosso produtor através do vidro que separa a sala ao lado. Eu só queria fazer algo importante para ela, no entanto, percebo que temos uma coisa única, capaz de encantar não só alguém exigente como ele, como também multidões. Amber Lee me completa e afasta os demôni0s mais sombrios da minha alma. Em consequência, sou mais livre do que jamais poderia ser. Somos uma combinação perfeita. Nothing is lost when you are loved (Nada é perdido quando você é amado) ‘Cause in the arms of one another (Pois, nos braços um do outro) We found a new reason to believe (Encontramos uma nova razão para acreditar) It’s all I wish (É tudo o que eu desejo) Quando a música termina, eu procuro me recompor. Não sonhei a entrega que houve aqui, porém esse lugar não é apropriado para discutirmos isso. Eu resolvo descontrair. Teremos nosso momento, a sós e sem pressão exterior alguma. ㅡ Nada mau… ㅡ Você acha? Eu não sou muito boa cantando… ㅡ Está brincando? Foi incrível! Tanto, que quero ouvir de novo! Ela sorri e concorda. Foi a forma que achei para fazê-la cantar novamente sem levantar suspeitas. Fico aliviado por ela fazer isso umas cinco vezes comigo, afinal os técnicos precisam de material para o disco. Ela tem um ouvido musical fantástico e cada vez é melhor que a outra. Quando terminamos, eu a puxo pela cintura e a abraço. Suas mãos se prendem ao meu pescoço e trocamos um beijo cúmplice. Algo me diz que nossa história está apenas começando. E será uma linda história. *Amber Lee PoV* Fui com Michael para o seu apartamento depois de sairmos da produtora. Com Mylla segura na casa da Stefani, posso curtir o meu namorado um pouco. O que ele fez por mim, dando vida a minha música de uma forma tão excepcional, é algo que jamais vou esquecer. Agora entendo porque ele pediu ao Pete para levar a Dorothy embora. Ela certamente surtaria se nós visse no estúdio. Eu não sei se ela já percebeu o que está acontecendo, porém, toda vez que Michael tentou ficar sozinho com ela para contar sobre nós, ela desconversou e se afastou. Imaginei que ela tivesse percebido algo por causa dos anéis-pulseiras, uma ideia que logo descartei. Apesar da minha sempre estar visível, Michael costuma usar camisas de manga longa e jaqueta, então a pulseira dele permanece fora das vistas. O que é um anel no meio dos muitos que ele usa, certo? Talvez, seja aquele sexto sentido feminino, que a alerte que ela não vai gostar do que ele possa ter para lhe dizer. Eu concordei em ser discreta até a Dorothy estar ciente do que está acontecendo, porém é insanamente difícil fingir que não sinto nada quando ela está por perto. E os olhares indiscretos do Michael na minha direção não ajudam. Se ele tivesse que ganhar a vida como um espião, morreria de fome. O pensamento me diverte e isso não passa despercebido por Michael. Seu olhar curioso me analisando, enquanto me entrega uma garrafa de cerveja, me faz encolher no sofá. Ele se senta sobre uma perna, virado para mim, e brinca com uma mecha do meu cabelo. ㅡ Não vai me contar qual é a piada? ㅡ Que piada? ㅡ Você estava rindo. Gostaria de rir com você. Acho que eu também morreria de fome se fosse uma espiã… ㅡ Nada demais. Ele acena com a cabeça e coloca sua garrafa na mesa de centro. Seu olhar nunca se perde do meu, como se estivesse hipnotizado. Logo, ele desliza a mão pela minha nuca e me puxa contra a sua boca. Repouso minhas mãos em seu peito e ele coloca sua outra mão nas minhas costas. Seu beijo é delicioso, nunca vou me cansar dele. Em um momento que tomamos fôlego, fico sem graça de encará-lo, pois sinto minhas bochechas queimarem e escondo meu rosto em seu peito. ㅡ Little bunny, posso te fazer uma pergunta pessoal? ㅡ Perguntar, pode... Se eu vou responder é outra história... ㅡ Você é tão má comigo às vezes... ㅡ Coelhinhas também mordem e arranham. É o preço. ㅡ Que eu pago sem reclamar... ㅡ Ele inspira profundamente, como se reunisse coragem. ㅡ Você é virgem? Eu me solto dos seus braços e me afasto um pouco, a surpresa escrita na minha cara. De onde ele tirou isso? ㅡ Por quê? Eu te disse que tive um namorado! ㅡ Talvez o cara não fosse competente. ㅡ Eu por acaso sou algum processo jurídico, para que um cara precise de competência para finalizar? *Michael PoV* Acho que dei uma bola fora… Mas, a dúvida estava me consumindo. ㅡ Desculpe, não foi o que eu quis dizer. Você é sempre tão arredia… E acho que não é só por causa daquele traste. Não é vergonha nenhuma. É até fofo. ㅡ Ah... Agora eu sou fofa? Ela cruza os braços diante do peito e eu coço o meu queixo. Como eu saio dessa? ㅡ Olha, eu não quis te ofender... Não sei mais o que dizer. Acho até melhor ficar calado. Ela suspira, relaxa os braços e coça a cabeça um pouco sem graça. ㅡ É complicado. Eu e Kevin ficamos juntos por anos até eu ir embora. E, para falar a verdade, nós só dormimos juntos pela primeira vez poucas semanas antes de eu fugir. Ele estava convicto da ideia das nossas famílias, mas eu não. Então, eu inventava uma desculpa atrás da outra. Finalizar a faculdade foi a última. Ela começa a morder a boca como sempre faz, mas dessa vez, é com um nervosismo agonizante. Fica amarrotando os dedos uns nos outros e eu percebo que algo entre eles deu muito errado. Não queria ser tão invasivo, porém, se ela estiver disposta a falar, posso aprender a não cometer os mesmos erros que ele. ㅡ Quer me contar como foi? Ela me encara um momento e respira fundo. Parece até estar expulsando a alma junto com o ar. ㅡ Não foi como eu imaginei que seria. Ele simplesmente me ligou, um dia depois que me formei, e marcou um horário para consumarmos a nossa “relação”. Sempre achei que a minha primeira vez me faria ver estrelas, mas eu só senti dor e foi tão rápido… Na verdade, fiquei aliviada quando acabou, porque eu realmente não queria mais. Eu me sinto horrível falando dele assim, mas eu inventava qualquer desculpa para não estar com ele depois disso. Na minha casa, ele era um robô cronometrado, por ter medo que o meu pai nos pegasse juntos. Ele aparecia, fazia o que queria e ia embora. Eu ficava sozinha, chorando a noite toda, sem ao menos um abraço para me consolar. Até eu não aguentar mais e partir. Franzo a testa, sentindo uma raiva enorme de um cara que sequer conheço, apenas por tê-la tratado tão m@l. ㅡ Você teve mais alguém depois que veio para Nova Iorque? Ela se limita a negar com a cabeça e desvia o olhar. Provavelmente leu na minha expressão como estou surpreso. Ela já está aqui há praticamente um ano. Esse ot@rio deve ter sido muito ruïm, para ela não querer saber de s&xo por tanto tempo… Eu me sinto até lisonjeado que ela queira alguma coisa comigo. Eu me ajeito no sofá e apoio as mãos sobre os joelhos, com um milhão de ideais na cabeça. *Amber Lee PoV* Vejo como ele fica quieto de repente e o meu nervosismo aumenta. Que ótimo… Agora ele deve estar achando que eu tenho algum problema… Limpo a minha garganta e seu olhar inexpressivo me alcança. ㅡ No que está pensando, Michael? ㅡ Que vou te dar as estrelas que merecia ter visto e muito mais, little bunny. Ou eu não me chamo Michael Denver. Ele diz isso assim, com a maior tranquilidade do mundo. Eu engasgo com o meu próprio ar e ele tem que bater nas minhas costas para que eu consiga recobrar o fôlego. ㅡ Você está bem? ㅡ Estou… ㅡ Respiro fundo e não ouso olhar para ele. ㅡ Pode falar. Eu sou ridícula… Michael usa um dedo para erguer meu queixo e me fazer encarar o sorriso mais encantador do mundo. ㅡ Por que eu acharia isso? Eu estava falando sério. ㅡ Ah... Por que se dar a esse trabalho comigo? ㅡ Não vejo nenhum trabalho, apenas um delicioso desafio. ㅡ Ele aproxima sua boca da minha orelha e seu sussurro me faz arrepiar. ㅡ Um que será incrivelmente recompensado quando você estiver nos meus braços, gritando o meu nome e delirando com cada org@smo que eu pretendo te dar. Garanto que serão tantos quanto você quiser, little bunny… Ele chupa o lóbulo da minha orelha lentamente, para depois deslizar sua língua pela pele do meu pescoço. Meu corpo estremece e, se eu tivesse um coração mais fraco, teria tido um ataque cardíaco de tanto que esse órgão acelera no meu peito. Um gemido me escapa, juntamente com uma observação que sempre me preocupou. ㅡ Por que sou tão especial? Você nunca parou com mulher… ㅡ Parei com você. Minhas mãos envolvem seu tronco e escondo meu rosto em seu pescoço. ㅡ Por quê? Eu preciso saber o que ele sente… *Michael PoV* Talvez, porque eu tenha me apaixonado? Repouso meu rosto em sua pele e respiro fundo. Minha vez de ser pego na saia-justa, pois a minha falta de habilidade para dizer em voz alta como me sinto é desconcertante. De qualquer forma, eu faço o melhor que posso. ㅡ Porque você é importante para mim. Conhecer você mudou a forma como eu encarava um relacionamento. Quer dizer, nunca tive um que durasse mais que uma ou duas noites. Mas, não se preocupe. Eu posso ter sido um galinha, mas nunca deixei de me proteger. ㅡ Seu rosto assume um rubor encantador. ㅡ Sabia que te acho adorável quando fica vermelha? E você, little bunny? ㅡ Eu o quê? ㅡ Você se protegia? ㅡ Oh... Minha mãe era muito neurótica. Eu e Kevin vivíamos juntos, não pelos motivos que todo mundo queria, eu só via o amigo. Mas, assim que minhas regras vieram pela primeira vez, ela me levou em uma médica para me explicar tudo sobre camisinha e pílula. Ela dizia que não queria ser avó antes da ho®a… Fiquei tão sobrecarregada que usava os dois. Ainda tomo pilula, mesmo não tendo ninguém, ajuda a controlar o ciclo. ㅡ Eu sou ninguém? Minha pergunta é apenas uma brincadeira, porém acho que ela não entendeu. Começa a gaguejar, muito sem graça. ㅡ Eu... Você... Bem... Conversa esquisita... ㅡ Por quê? Íamos ter que falar sobre s&xo em algum momento, certo? Ou você não quer? ㅡ Não! ㅡ Ela cobre a boca com as duas mãos. Acho que se surpreendeu com sua própria reação, que foi um pouco excitada demais. Não posso deixar de exibir um sorriso satisfeito. ㅡ Digo, quero... Eu... Ah, merd@... Eu rio de sua confusão e ela respira fundo, frustrada. Seu olhar procura um ponto qualquer no chão de novo. Aliso sua bochecha e seguro seu queixo, fazendo-a me encarar. ㅡ Está tudo bem, little bunny. Vamos com calma. Ela sorri timidamente. ㅡ Você não se importa? ㅡ Esperei até agora, não foi? Ela se joga no meu peito e abraça meu tronco. Seu sussurro sai tão baixo no meu pescoço, que quase não escuto. ㅡ Talvez… Não demore muito… Eu a envolvo com meus braços e beijo o topo de sua cabeça, com o meu coração batendo a mil por segundo. Se não fosse assustá-la, juro que estaria berrando e pulando pelo meio da sala. ㅡ Não precisa se apressar por minha causa… É o que eu consigo dizer no meio da minha euforia mental. Não estou brincando, por ela espero o tempo que for sem reclamar. Seu rosto sorridente me encara e ganho um selinho. ㅡ Onde está meu Michael irritante e sarcástico? ㅡ Se quiser posso chamá-lo... Belisco a lateral do seu corpo, o que a faz rir. ㅡ Não! O Michael fofo é mais interessante no momento. ㅡ Little bunny, fofura é algo que não combina comigo. Já te disse isso. ㅡ Isso é o que você pensa! ㅡ Jura? Começo a lhe fazer cócegas, cutucando suas costelas e ela tenta se defender como pode. ㅡ Pare, seu bobo! Eu me rendo! ㅡ Retire o que disse, só assim eu paro! ㅡ Não! Ela salta do sofá e corre para a poltrona. Eu também me levanto e ela tem o cuidado de manter o móvel entre nós dois. Abro meus braços, com um sorriso malicioso nos lábios. ㅡ Qual é, Amber? Eu não mordo... Muito... ㅡ Ela pára um instante, me observando. Eu olho ao redor, meio confuso. ㅡ O que foi? ㅡ Nada. É que fazia tempo que eu não escutava meu nome assim, sem a parte composta. Mesmo o Rico ou a Lauren, só me chamam de Amber Lee. ㅡ Isso é ruïm? ㅡ Não... Lembra a minha casa. Eu aponto um dedo em sua direção. ㅡ Se você disser que eu lembro o seu pai, juro que me mato! ㅡ Não nesse sentido, seu tonto! ㅡ Então, como? ㅡ A casa onde eu cresci com a minha avó, o piano e a música. É como um porto-seguro nas minhas memórias. Foi o que nunca me deixou desistir, por mais assustador que fosse largar tudo e correr atrás dos meus sonhos. Suas palavras me tocam profundamente e a olho com tanta ternura, que chegar a doer no peito. Amar tem um lado bom... ㅡ Venha aqui, little bunny... Estico meu braço em sua direção, um gesto que ela encara com desconfiança à princípio. Ela suspira diante do meu largo sorriso, sai de trás da poltrona e segura na minha mão. Puxo-a contra mim e a beijo apaixonadamente. ㅡ Quem disse que você não combina com fofura? Sorrio em sua boca com a provocação. ㅡ Não comece... Anda, vou te levar em casa. Pego minhas chaves e carteira na estante e as coloco no bolso da calça. Visto meu casaco e a abraço pelos ombros para sairmos. Você merece que eu te dê uma noite muito especial. Como se fosse sua primeira vez.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD