📘 O Campeão de Seul
Capítulo 9 — O Limite do Controlo
A mensagem no telemóvel de Daichi Nakamura ficou acesa durante alguns segundos.
Ele não reagiu de imediato.
Só ficou parado, a olhar para o ecrã, como se estivesse a pesar todas as consequências possíveis.
Depois pousou o telemóvel lentamente.
— Jun-woo… — murmurou.
A sua expressão não era de raiva explosiva.
Era pior.
Era calma.
Uma calma perigosa.
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No bar clandestino, a noite continuava, mas o ambiente parecia mais pesado.
Jun-woo não tinha saído do balcão.
Ha-yun também não se afastava muito dele, embora tentasse manter a rotina normal.
Mas ambos sentiam o mesmo: algo tinha mudado.
Os seguranças estavam mais atentos.
Mais próximos.
Mais rígidos.
Min-jae, sentado numa mesa ao fundo, percebeu também.
— Isto ficou estranho… até para este sítio — murmurou.
Jun-woo inclinou-se ligeiramente para Ha-yun.
— Ele já sabe.
Ela não perguntou “quem”.
Não precisava.
— Ele sabe tudo o que acontece aqui — respondeu ela baixo.
— Então vai vir atrás de mim?
Ha-yun hesitou.
— Não… diretamente.
Jun-woo franziu o sobrolho.
— O que isso significa?
Ela abriu a boca para responder, mas parou.
Os olhos dela desviaram-se para o corredor dos fundos.
Um dos seguranças fez sinal discreto.
Ha-yun ficou pálida.
— Tenho de ir.
— Agora?
— Já volto.
Ela afastou-se rapidamente.
Jun-woo levantou-se para ir atrás dela, mas um dos seguranças colocou-se no caminho.
— Ela disse para esperar.
Jun-woo olhou-o fixamente.
— Sai da frente.
O segurança não se mexeu.
E nesse instante Jun-woo percebeu algo importante:
aqueles homens não eram apenas p******o.
Eram barreira.
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Ha-yun entrou num pequeno escritório nos fundos do bar.
Daichi estava lá.
De pé.
À espera.
— Oppa…
— Eu disse-te para teres cuidado — interrompeu ele.
A voz dele era baixa, mas firme.
— Eu estou a ter cuidado.
Daichi deu um passo à frente.
— Estás a aproximar-te dele.
Ha-yun baixou o olhar.
— Ele não é perigoso.
— Todos os lutadores são perigosos.
— Ele não é assim.
Daichi respirou fundo.
— Tu não viste o que eu vi.
O silêncio ficou pesado.
Ha-yun apertou as mãos.
— Eu vi tudo o que aconteceu comigo também.
Daichi ficou imóvel por um segundo.
Depois a expressão dele endureceu.
— É exatamente por isso.
— Por isso o quê?
— Por isso ele não deve chegar perto de ti.
Ha-yun levantou a cabeça.
— Eu não sou frágil.
Daichi aproximou-se mais.
— Não é sobre fragilidade.
— Então é sobre o quê?
Ele hesitou.
Uma fração de segundo.
Depois respondeu:
— Sobre sobrevivência.
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No bar, Jun-woo já tinha perdido a paciência.
Ele afastou-se do segurança com um movimento rápido e caminhou diretamente para o corredor dos fundos.
Min-jae levantou-se imediatamente.
— Jun-woo!
Mas já era tarde.
Ele abriu a porta e entrou.
O corredor estava vazio.
Mas a porta do escritório estava entreaberta.
Vozes.
Jun-woo parou.
Não entrou imediatamente.
Escutou.
— Ele não deve chegar perto de ti.
— Eu não sou frágil.
— Não é sobre fragilidade.
Silêncio.
Jun-woo encostou-se discretamente à parede.
— Sobre sobrevivência.
Aquilo ficou a ecoar na cabeça dele.
Ele respirou fundo.
E entrou.
A porta abriu-se com um som seco.
Ha-yun virou-se imediatamente.
Daichi também.
Os olhos dele fixaram-se em Jun-woo.
Frio.
Imediato.
— Eu disse para não te aproximares.
Jun-woo não desviou o olhar.
— E eu disse que já estou metido.
O ar ficou tenso.
Ha-yun deu um passo à frente.
— Jun-woo, sai.
Ele não se mexeu.
Daichi deu um passo na direção dele.
— Tu não entendes o que está em jogo.
Jun-woo respondeu sem hesitar:
— Eu entendo perfeitamente.
Silêncio.
Daichi aproximou-se mais.
Agora estavam a poucos passos um do outro.
— Então vais desistir.
Jun-woo soltou uma pequena risada.
— Não.
Os olhos de Daichi estreitaram.
— Então não tens ideia do que estás a fazer.
Jun-woo olhou de lado para Ha-yun.
Depois voltou a olhar para Daichi.
— Estou a tentar proteger alguém que nunca teve escolha.
Ha-yun congelou.
Daichi ficou imóvel.
Por um segundo, o controlo dele vacilou.
Mas voltou imediatamente.
— Ela não precisa de ti.
Jun-woo respondeu:
— Talvez não precise.
Pausa.
— Mas eu quero estar aqui mesmo assim.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Daichi ficou a olhar para ele como se estivesse a avaliar uma decisão irreversível.
Ha-yun, no meio dos dois, sentia o coração a bater forte.
Porque pela primeira vez…
alguém não estava a recuar perante o irmão dela.
E isso podia mudar tudo.
Daichi deu um passo atrás.
Lento.
Controlado.
— A luta está marcada.
Olhou diretamente para Jun-woo.
— No ringue, não vou ter misericórdia.
Jun-woo assentiu.
— Eu também não.
Daichi virou-se para sair.
Mas antes de sair, disse:
— Depois da luta… vais entender porque ela n******e ter uma vida normal.
E desapareceu pelo corredor.
O silêncio ficou.
Ha-yun baixou o olhar.
Jun-woo aproximou-se dela.
— Ele está errado.
Ela não respondeu.
Mas, pela primeira vez…
não disse que ele estava certo.