o limite do controlo

843 Words
📘 O Campeão de Seul Capítulo 9 — O Limite do Controlo A mensagem no telemóvel de Daichi Nakamura ficou acesa durante alguns segundos. Ele não reagiu de imediato. Só ficou parado, a olhar para o ecrã, como se estivesse a pesar todas as consequências possíveis. Depois pousou o telemóvel lentamente. — Jun-woo… — murmurou. A sua expressão não era de raiva explosiva. Era pior. Era calma. Uma calma perigosa. --- No bar clandestino, a noite continuava, mas o ambiente parecia mais pesado. Jun-woo não tinha saído do balcão. Ha-yun também não se afastava muito dele, embora tentasse manter a rotina normal. Mas ambos sentiam o mesmo: algo tinha mudado. Os seguranças estavam mais atentos. Mais próximos. Mais rígidos. Min-jae, sentado numa mesa ao fundo, percebeu também. — Isto ficou estranho… até para este sítio — murmurou. Jun-woo inclinou-se ligeiramente para Ha-yun. — Ele já sabe. Ela não perguntou “quem”. Não precisava. — Ele sabe tudo o que acontece aqui — respondeu ela baixo. — Então vai vir atrás de mim? Ha-yun hesitou. — Não… diretamente. Jun-woo franziu o sobrolho. — O que isso significa? Ela abriu a boca para responder, mas parou. Os olhos dela desviaram-se para o corredor dos fundos. Um dos seguranças fez sinal discreto. Ha-yun ficou pálida. — Tenho de ir. — Agora? — Já volto. Ela afastou-se rapidamente. Jun-woo levantou-se para ir atrás dela, mas um dos seguranças colocou-se no caminho. — Ela disse para esperar. Jun-woo olhou-o fixamente. — Sai da frente. O segurança não se mexeu. E nesse instante Jun-woo percebeu algo importante: aqueles homens não eram apenas p******o. Eram barreira. --- Ha-yun entrou num pequeno escritório nos fundos do bar. Daichi estava lá. De pé. À espera. — Oppa… — Eu disse-te para teres cuidado — interrompeu ele. A voz dele era baixa, mas firme. — Eu estou a ter cuidado. Daichi deu um passo à frente. — Estás a aproximar-te dele. Ha-yun baixou o olhar. — Ele não é perigoso. — Todos os lutadores são perigosos. — Ele não é assim. Daichi respirou fundo. — Tu não viste o que eu vi. O silêncio ficou pesado. Ha-yun apertou as mãos. — Eu vi tudo o que aconteceu comigo também. Daichi ficou imóvel por um segundo. Depois a expressão dele endureceu. — É exatamente por isso. — Por isso o quê? — Por isso ele não deve chegar perto de ti. Ha-yun levantou a cabeça. — Eu não sou frágil. Daichi aproximou-se mais. — Não é sobre fragilidade. — Então é sobre o quê? Ele hesitou. Uma fração de segundo. Depois respondeu: — Sobre sobrevivência. --- No bar, Jun-woo já tinha perdido a paciência. Ele afastou-se do segurança com um movimento rápido e caminhou diretamente para o corredor dos fundos. Min-jae levantou-se imediatamente. — Jun-woo! Mas já era tarde. Ele abriu a porta e entrou. O corredor estava vazio. Mas a porta do escritório estava entreaberta. Vozes. Jun-woo parou. Não entrou imediatamente. Escutou. — Ele não deve chegar perto de ti. — Eu não sou frágil. — Não é sobre fragilidade. Silêncio. Jun-woo encostou-se discretamente à parede. — Sobre sobrevivência. Aquilo ficou a ecoar na cabeça dele. Ele respirou fundo. E entrou. A porta abriu-se com um som seco. Ha-yun virou-se imediatamente. Daichi também. Os olhos dele fixaram-se em Jun-woo. Frio. Imediato. — Eu disse para não te aproximares. Jun-woo não desviou o olhar. — E eu disse que já estou metido. O ar ficou tenso. Ha-yun deu um passo à frente. — Jun-woo, sai. Ele não se mexeu. Daichi deu um passo na direção dele. — Tu não entendes o que está em jogo. Jun-woo respondeu sem hesitar: — Eu entendo perfeitamente. Silêncio. Daichi aproximou-se mais. Agora estavam a poucos passos um do outro. — Então vais desistir. Jun-woo soltou uma pequena risada. — Não. Os olhos de Daichi estreitaram. — Então não tens ideia do que estás a fazer. Jun-woo olhou de lado para Ha-yun. Depois voltou a olhar para Daichi. — Estou a tentar proteger alguém que nunca teve escolha. Ha-yun congelou. Daichi ficou imóvel. Por um segundo, o controlo dele vacilou. Mas voltou imediatamente. — Ela não precisa de ti. Jun-woo respondeu: — Talvez não precise. Pausa. — Mas eu quero estar aqui mesmo assim. O silêncio que se seguiu foi pesado. Daichi ficou a olhar para ele como se estivesse a avaliar uma decisão irreversível. Ha-yun, no meio dos dois, sentia o coração a bater forte. Porque pela primeira vez… alguém não estava a recuar perante o irmão dela. E isso podia mudar tudo. Daichi deu um passo atrás. Lento. Controlado. — A luta está marcada. Olhou diretamente para Jun-woo. — No ringue, não vou ter misericórdia. Jun-woo assentiu. — Eu também não. Daichi virou-se para sair. Mas antes de sair, disse: — Depois da luta… vais entender porque ela n******e ter uma vida normal. E desapareceu pelo corredor. O silêncio ficou. Ha-yun baixou o olhar. Jun-woo aproximou-se dela. — Ele está errado. Ela não respondeu. Mas, pela primeira vez… não disse que ele estava certo.
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