📘 O Campeão de Seul
Capítulo 10 — A Mansão e as Correntes de Ouro
Ha-yun ficou alguns segundos parada depois da última frase de Jun-woo.
O silêncio entre eles já não era leve.
Era pesado.
Carregado.
Ela respirou fundo, os olhos a tremer ligeiramente de frustração.
— Tu só estás a piorar tudo para mim…
A voz saiu baixa, mas firme.
Jun-woo não respondeu de imediato.
Ha-yun apertou os punhos, evitou olhar diretamente para ele e continuou:
— Eu pedi-te para ficares fora disto.
Jun-woo deu um passo na direção dela.
— Eu não consigo simplesmente…
— Consegues sim!
Ela interrompeu-o pela primeira vez com uma voz mais alta.
O bar inteiro pareceu sentir aquele momento.
Ha-yun respirou fundo outra vez, controlando-se.
— Por favor… só… não compliques mais.
Jun-woo ficou em silêncio.
Ela passou por ele rapidamente.
Sem esperar resposta.
Sem olhar para trás.
E saiu do bar.
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Do lado de fora, a noite de Seul estava fria.
O vento cortava leve, e as luzes da cidade refletiam nas ruas molhadas.
Assim que Ha-yun atravessou a porta, percebeu imediatamente.
Não estava sozinha.
Um carro preto estava estacionado à frente.
Dois outros mais atrás.
E vários seguranças espalhados discretamente pelo local.
Um deles aproximou-se imediatamente.
— Senhora Ha-yun.
Ela suspirou.
— Já sei.
O segurança baixou ligeiramente a cabeça.
— O senhor Nakamura pediu para não ficar no apartamento hoje.
Outro homem abriu a porta do carro.
— Vamos levá-la para a mansão.
Ha-yun ficou parada por um segundo.
Olhou para a rua.
Depois para o carro.
E finalmente para o bar, por cima do ombro.
Jun-woo ainda estava lá dentro.
Ela não o via, mas sabia.
Estava lá.
Por um instante, pareceu hesitar.
Mas a hesitação durou pouco.
— Está bem.
Entrou no carro.
A porta fechou-se com um som seco.
E o veículo arrancou lentamente.
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Dentro do carro, o silêncio era absoluto.
Dois seguranças à frente.
Um ao lado dela.
Outro veículo atrás.
Ela encostou a cabeça ligeiramente ao vidro.
Os prédios de Seul passavam devagar.
Luzes.
Sinais.
Pessoas.
Liberdade… do lado de fora.
Mas não dela.
Um dos seguranças ao lado dela falou baixo, como quem não queria incomodar.
— Está tudo bem, senhora?
Ha-yun não respondeu logo.
Depois disse:
— Sim.
Mas não parecia convencida.
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No bar, Jun-woo saiu finalmente para a rua.
Min-jae veio logo atrás.
— O que aconteceu lá dentro?!
Jun-woo não respondeu.
Olhou para os carros já a desaparecerem na distância.
— Ela foi levada.
Min-jae franziu o sobrolho.
— Levada?
Jun-woo fechou os punhos.
— Para a mansão do irmão.
Min-jae ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois soltou um assobio baixo.
— Isso… não é normal.
Jun-woo começou a andar.
— Nada disto é normal.
— Para onde vais?
— Não sei ainda.
Mas a voz dele já não era confusa.
Era determinada.
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Do outro lado da cidade.
A mansão Nakamura ficava afastada do centro de Seul.
Grande.
Moderna.
Imponente.
Portões altos.
Segurança em todos os lados.
O carro entrou lentamente.
Assim que parou, os seguranças abriram a porta.
Ha-yun saiu.
O ar ali era diferente.
Mais frio.
Mais silencioso.
Mais pesado.
Ela caminhou pelo caminho iluminado até à entrada principal.
Um dos seguranças murmurou:
— Boa noite, senhora Ha-yun.
Ela apenas assentiu.
Dentro da mansão, tudo era demasiado organizado.
Demasiado perfeito.
Demasiado controlado.
E isso sempre a incomodava.
No topo das escadas, uma figura esperava.
Daichi Nakamura.
Ele não parecia irritado.
Nem feliz.
Apenas… atento.
— Chegaste.
Ha-yun subiu os últimos degraus.
— Isto não era necessário.
Daichi respondeu sem emoção:
— É temporário.
— Eu não sou uma criança.
— Eu sei.
Silêncio.
Ha-yun cruzou os braços.
— Então porque continuo a ser tratada como uma?
Daichi aproximou-se lentamente.
— Porque o mundo não te tratou bem antes.
Ela desviou o olhar.
Essa resposta era sempre a mesma.
E sempre a mais difícil de contestar.
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Enquanto isso, no bar, um dos amigos de Min-jae, que observava tudo à distância, comentou:
— Ela parece uma herdeira rica… muito rica.
Min-jae respondeu sem tirar os olhos da rua:
— Não é só rica.
Pausa.
— É controlada.
Jun-woo, ao lado deles, finalmente falou:
— E isso vai acabar.
Min-jae olhou para ele.
— O quê?
Jun-woo já estava a caminhar.
— Eu vou até ela.
— Como?!
— Não interessa.
Min-jae correu atrás dele.
— Tu não sabes nem onde fica a mansão!
Jun-woo respondeu sem parar de andar:
— Vou descobrir.
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Na mansão, Ha-yun estava no seu quarto.
Grande.
Luxuoso.
Mas vazio.
Ela sentou-se na cama.
Olhou para as mãos.
E depois para a janela.
Do outro lado da cidade…
Jun-woo ainda não sabia onde era.
Mas já tinha decidido uma coisa.
E isso era pior do que qualquer informação.
Porque quando Seo Jun-woo decidia algo…
ele não parava até conseguir.
E, naquela mesma noite, Daichi recebeu uma nova mensagem no telemóvel.
“Jun-woo começou a procurar a mansão.”
Ele fechou os olhos por um segundo.
Depois abriu-os lentamente.
— Então… começou mesmo.
E pela primeira vez…
não era apenas uma luta marcada.
Era uma guerra inevitável.