A verdade escondida

833 Words
📘 O Campeão de Seul Capítulo 21 — A Verdade Escondida A chuva caía intensamente sobre Seul. As gotas batiam contra as enormes janelas da mansão Nakamura, enquanto Daichi permanecia sentado no escritório, analisando dezenas de relatórios. Sobre a secretária havia fotografias. Mapas. Registos telefónicos. Imagens das câmaras de segurança. Nenhuma delas lhe agradava. A porta foi batida duas vezes. — Entre. O chefe da segurança entrou. — Senhor. — Encontraram alguma coisa? O homem colocou uma pasta sobre a mesa. — Conseguimos identificar o homem que seguia a senhorita Ha-yun. Daichi levantou imediatamente os olhos. — Nome. — Choi Min-seok. Daichi permaneceu em silêncio. Esse nome não lhe era estranho. — Continua. — Antigo segurança privado... mas, nos últimos anos, passou a trabalhar para organizações criminosas ligadas a apostas ilegais e lutas clandestinas. Os olhos de Daichi endureceram. — Tem ligação ao incidente de há quatro anos? O chefe da segurança respirou fundo. — Ainda não conseguimos provar... mas tudo indica que sim. Daichi fechou lentamente a pasta. — Então... eles voltaram. --- No quarto andar da mansão, Ha-yun encontrava-se deitada no sofá da biblioteca. Tentava ler. Mas a mesma página permanecia aberta havia quase vinte minutos. Não conseguia concentrar-se. A porta abriu-se lentamente. Era a governanta da casa. — Menina Ha-yun... Ela sorriu. — Sim? — O jantar está pronto. — Já vou. A mulher hesitou antes de sair. — O senhor Daichi ainda está no escritório. Ha-yun suspirou. Ela conhecia demasiado bem o irmão. Quando ele passava tantas horas fechado naquele escritório... significava que alguma coisa muito grave estava a acontecer. --- No ginásio da MFC... Jun-woo terminava outra sessão de treino. O treinador Kang aproximou-se. — Chega por hoje. Jun-woo limpou o suor da testa. — Ainda consigo fazer mais algumas rondas. — O teu corpo consegue. O problema é a tua cabeça. Jun-woo sorriu de lado. — Está assim tão óbvio? — Está. Nesse instante, o telemóvel dele vibrou. Era uma mensagem. Ha-yun. "Podemos falar?" Jun-woo respondeu imediatamente. "Claro." Poucos segundos depois, o telefone começou a tocar. — Olá. Do outro lado, ouviu-se a voz suave dela. — Desculpa estar a incomodar. — Nunca incomodas. Ela ficou alguns segundos em silêncio. — Estás ocupado? — Não. Na verdade, desliguei o treino agora. Ela respirou fundo. — Tenho um mau pressentimento. Jun-woo ficou imediatamente sério. — Aconteceu alguma coisa? — Não sei explicar... Mas sinto que alguma coisa está para acontecer. Jun-woo caminhou lentamente para fora do ginásio. — Onde estás? — Na mansão. — Estás segura? Ela sorriu levemente. — Com o meu irmão por perto? É impossível não estar. Mesmo assim... A voz dela voltou a ficar séria. — Tenho medo. Jun-woo respondeu sem hesitar. — Se precisares de mim... eu vou. Ela fechou os olhos. — Obrigada. --- No escritório... Daichi continuava a analisar os documentos. Até que um dos seguranças entrou apressadamente. — Senhor! Daichi levantou imediatamente a cabeça. — Fala. — Recebemos uma denúncia anónima. — Sobre quê? O segurança entregou-lhe um envelope. Dentro havia apenas uma fotografia. Daichi pegou nela. No instante seguinte... o seu rosto perdeu toda a expressão. A fotografia mostrava Ha-yun. Mas não era recente. Era uma fotografia tirada no hospital. Ela encontrava-se inconsciente, ligada a várias máquinas. Na parte de trás da fotografia havia apenas uma frase escrita à mão. "Da primeira vez ela sobreviveu..." Daichi virou a fotografia. No verso havia outra frase. "Da segunda... talvez não." O escritório mergulhou num silêncio assustador. O chefe da segurança apertou os punhos. — Senhor... As veias do pescoço de Daichi tornaram-se visíveis. Era raro vê-lo perder o controlo. Mas naquele momento... os seus olhos estavam cheios de uma fúria silenciosa. Ele rasgou lentamente a fotografia ao meio. Depois voltou a rasgá-la. E outra vez. Até restarem apenas pequenos pedaços de papel espalhados pela secretária. Respirou fundo. Olhou para todos os homens presentes. A voz saiu fria. Muito fria. — Fechem todos os acessos à mansão. — Sim, senhor! — Dobrem a segurança. — Sim, senhor! — Quero homens armados em todas as entradas. Os seguranças assentiram imediatamente. Daichi deu mais uma ordem. — E ninguém... absolutamente ninguém... aproxima-se da minha irmã sem que eu saiba. --- No exterior da mansão, escondido entre as árvores do outro lado da estrada, um homem observava tudo através de binóculos. Sorriu. Pegou novamente no telemóvel. — Chefe... A mensagem foi entregue. Do outro lado da chamada ouviu-se uma gargalhada. — Excelente. — O Nakamura caiu na provocação. — Era exatamente isso que eu queria. O homem baixou os binóculos. — Qual é o próximo passo? O chefe respondeu calmamente. — Ainda não. Vamos deixá-lo acreditar que consegue protegê-la. Fez uma pequena pausa. Depois acrescentou: — Porque quando um homem acredita que controla tudo... é muito mais fácil tirar-lhe aquilo que ele mais ama. A chamada terminou. O observador desapareceu na escuridão da noite. E, sem que ninguém soubesse... o inimigo já estava muito mais perto da família Nakamura do que qualquer um deles imaginava.
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