📘 O Campeão de Seul
Capítulo 21 — A Verdade Escondida
A chuva caía intensamente sobre Seul.
As gotas batiam contra as enormes janelas da mansão Nakamura, enquanto Daichi permanecia sentado no escritório, analisando dezenas de relatórios.
Sobre a secretária havia fotografias.
Mapas.
Registos telefónicos.
Imagens das câmaras de segurança.
Nenhuma delas lhe agradava.
A porta foi batida duas vezes.
— Entre.
O chefe da segurança entrou.
— Senhor.
— Encontraram alguma coisa?
O homem colocou uma pasta sobre a mesa.
— Conseguimos identificar o homem que seguia a senhorita Ha-yun.
Daichi levantou imediatamente os olhos.
— Nome.
— Choi Min-seok.
Daichi permaneceu em silêncio.
Esse nome não lhe era estranho.
— Continua.
— Antigo segurança privado... mas, nos últimos anos, passou a trabalhar para organizações criminosas ligadas a apostas ilegais e lutas clandestinas.
Os olhos de Daichi endureceram.
— Tem ligação ao incidente de há quatro anos?
O chefe da segurança respirou fundo.
— Ainda não conseguimos provar... mas tudo indica que sim.
Daichi fechou lentamente a pasta.
— Então... eles voltaram.
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No quarto andar da mansão, Ha-yun encontrava-se deitada no sofá da biblioteca.
Tentava ler.
Mas a mesma página permanecia aberta havia quase vinte minutos.
Não conseguia concentrar-se.
A porta abriu-se lentamente.
Era a governanta da casa.
— Menina Ha-yun...
Ela sorriu.
— Sim?
— O jantar está pronto.
— Já vou.
A mulher hesitou antes de sair.
— O senhor Daichi ainda está no escritório.
Ha-yun suspirou.
Ela conhecia demasiado bem o irmão.
Quando ele passava tantas horas fechado naquele escritório...
significava que alguma coisa muito grave estava a acontecer.
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No ginásio da MFC...
Jun-woo terminava outra sessão de treino.
O treinador Kang aproximou-se.
— Chega por hoje.
Jun-woo limpou o suor da testa.
— Ainda consigo fazer mais algumas rondas.
— O teu corpo consegue.
O problema é a tua cabeça.
Jun-woo sorriu de lado.
— Está assim tão óbvio?
— Está.
Nesse instante, o telemóvel dele vibrou.
Era uma mensagem.
Ha-yun.
"Podemos falar?"
Jun-woo respondeu imediatamente.
"Claro."
Poucos segundos depois, o telefone começou a tocar.
— Olá.
Do outro lado, ouviu-se a voz suave dela.
— Desculpa estar a incomodar.
— Nunca incomodas.
Ela ficou alguns segundos em silêncio.
— Estás ocupado?
— Não.
Na verdade, desliguei o treino agora.
Ela respirou fundo.
— Tenho um mau pressentimento.
Jun-woo ficou imediatamente sério.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não sei explicar...
Mas sinto que alguma coisa está para acontecer.
Jun-woo caminhou lentamente para fora do ginásio.
— Onde estás?
— Na mansão.
— Estás segura?
Ela sorriu levemente.
— Com o meu irmão por perto?
É impossível não estar.
Mesmo assim...
A voz dela voltou a ficar séria.
— Tenho medo.
Jun-woo respondeu sem hesitar.
— Se precisares de mim...
eu vou.
Ela fechou os olhos.
— Obrigada.
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No escritório...
Daichi continuava a analisar os documentos.
Até que um dos seguranças entrou apressadamente.
— Senhor!
Daichi levantou imediatamente a cabeça.
— Fala.
— Recebemos uma denúncia anónima.
— Sobre quê?
O segurança entregou-lhe um envelope.
Dentro havia apenas uma fotografia.
Daichi pegou nela.
No instante seguinte...
o seu rosto perdeu toda a expressão.
A fotografia mostrava Ha-yun.
Mas não era recente.
Era uma fotografia tirada no hospital.
Ela encontrava-se inconsciente, ligada a várias máquinas.
Na parte de trás da fotografia havia apenas uma frase escrita à mão.
"Da primeira vez ela sobreviveu..."
Daichi virou a fotografia.
No verso havia outra frase.
"Da segunda... talvez não."
O escritório mergulhou num silêncio assustador.
O chefe da segurança apertou os punhos.
— Senhor...
As veias do pescoço de Daichi tornaram-se visíveis.
Era raro vê-lo perder o controlo.
Mas naquele momento...
os seus olhos estavam cheios de uma fúria silenciosa.
Ele rasgou lentamente a fotografia ao meio.
Depois voltou a rasgá-la.
E outra vez.
Até restarem apenas pequenos pedaços de papel espalhados pela secretária.
Respirou fundo.
Olhou para todos os homens presentes.
A voz saiu fria.
Muito fria.
— Fechem todos os acessos à mansão.
— Sim, senhor!
— Dobrem a segurança.
— Sim, senhor!
— Quero homens armados em todas as entradas.
Os seguranças assentiram imediatamente.
Daichi deu mais uma ordem.
— E ninguém...
absolutamente ninguém...
aproxima-se da minha irmã sem que eu saiba.
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No exterior da mansão, escondido entre as árvores do outro lado da estrada, um homem observava tudo através de binóculos.
Sorriu.
Pegou novamente no telemóvel.
— Chefe...
A mensagem foi entregue.
Do outro lado da chamada ouviu-se uma gargalhada.
— Excelente.
— O Nakamura caiu na provocação.
— Era exatamente isso que eu queria.
O homem baixou os binóculos.
— Qual é o próximo passo?
O chefe respondeu calmamente.
— Ainda não.
Vamos deixá-lo acreditar que consegue protegê-la.
Fez uma pequena pausa.
Depois acrescentou:
— Porque quando um homem acredita que controla tudo...
é muito mais fácil tirar-lhe aquilo que ele mais ama.
A chamada terminou.
O observador desapareceu na escuridão da noite.
E, sem que ninguém soubesse...
o inimigo já estava muito mais perto da família Nakamura do que qualquer um deles imaginava.