sombras do passado

910 Words
📘 O Campeão de Seul Capítulo 19 — Sombras do Passado O sol desaparecia lentamente no horizonte, pintando o céu de tons alaranjados e dourados. Jun-woo e Ha-yun caminhavam lado a lado junto ao rio Han, conversando sobre assuntos simples, algo que ambos não faziam há muito tempo. — Sabes... — disse Jun-woo, com um pequeno sorriso. — Nunca imaginei que conseguisses fazer-me passear sem falar de lutas durante quase duas horas. Ha-yun riu. — Estás a ver? O mundo não gira apenas à volta de octógonos. — Discordo. Ela olhou para ele de lado. — Ah, sim? — Também gira à volta de fisioterapeutas teimosas. Ha-yun deu-lhe uma pequena pancada no braço. — És impossível. — Já me disseram isso algumas vezes. Os dois riram. Era um momento raro. Leve. Sem tensão. Sem discussões. Sem medo. --- A alguns metros de distância, um homem observava-os escondido atrás de algumas árvores. Usava um boné preto e um casaco escuro. Nas mãos, segurava uma máquina fotográfica profissional. Click. Mais uma fotografia. Click. Outra. Ele aproximou o zoom. Sorriu. — Então encontrámo-la... Guardou a máquina e pegou no telemóvel. — Chefe... ela está com ele. Do outro lado da chamada, apenas uma pergunta: — Tens a certeza? — Absoluta. — Continua a segui-los. A chamada terminou. O homem voltou a esconder-se. --- Enquanto isso, dentro do carro preto estacionado a uma distância segura, Daichi continuava a acompanhar discretamente a irmã. Um dos seguranças olhava constantemente pelos espelhos. De repente, franziu o sobrolho. — Senhor... Daichi levantou os olhos. — O que foi? — Acho que não somos os únicos a segui-los. Daichi virou imediatamente a cabeça. — Onde? O segurança apontou discretamente. — Homem de boné preto. Está ali desde que eles chegaram ao parque. Daichi observou durante alguns segundos. O homem tentava parecer apenas mais um visitante. Mas cometia pequenos erros. Olhava demasiado. Mudava constantemente de posição. E escondia algo debaixo do casaco. Daichi ficou completamente sério. — Não é um jornalista. — Não. — Descubram quem é. Dois seguranças saíram discretamente do carro. --- Jun-woo e Ha-yun continuavam completamente alheios ao que acontecia. Pararam numa pequena banca para comprar café. — Um café e um chocolate quente, por favor — pediu Ha-yun. Jun-woo olhou para ela. — Chocolate quente? — Gosto. — Tens gostos de criança. Ela fez uma careta. — E tu tens gostos de velho. O vendedor começou a rir. — Vocês fazem um casal engraçado. Os dois congelaram. — Nós... Ha-yun começou a falar ao mesmo tempo que Jun-woo. — Não somos... Os dois olharam um para o outro. Depois começaram a rir. O vendedor entregou as bebidas sorrindo. — Seja como for, espero que sejam felizes. Ha-yun ficou ligeiramente corada. Jun-woo sorriu discretamente. Nenhum dos dois corrigiu mais o homem. --- Do outro lado do parque, os seguranças de Daichi aproximavam-se lentamente do indivíduo suspeito. Mas, quando estavam a poucos metros... O homem percebeu. Virou-se imediatamente. E começou a correr. — Parem-no! — gritou um dos seguranças. As pessoas no parque assustaram-se. O homem atravessou rapidamente um caminho cheio de gente. Saltou uma vedação baixa. Continuou a correr. Os seguranças foram atrás dele. --- O barulho chamou a atenção de Jun-woo. Ele virou-se. — O que está a acontecer? Ha-yun também olhou. — Aqueles são... Ela reconheceu imediatamente os seguranças do irmão. O coração acelerou. — Oppa... Jun-woo franziu o sobrolho. — Alguma coisa está errada. Nesse instante, Daichi saiu finalmente do carro. Caminhava depressa, mas mantinha a calma. Ha-yun ficou surpresa. — Oppa? Daichi aproximou-se dos dois. — Temos de sair daqui. Jun-woo deu um passo em frente. — O que aconteceu? Daichi olhou diretamente para ele. — Alguém estava a seguir-vos. O sorriso de Ha-yun desapareceu. — O quê? — Há pelo menos meia hora. Ela ficou completamente pálida. — Tens a certeza? Daichi respondeu apenas com um olhar. Era suficiente. Jun-woo apertou os punhos. — Quem era? — Ainda não sabemos. Um dos seguranças regressou ofegante. — Senhor... Daichi virou-se imediatamente. — Encontraram-no? O homem baixou a cabeça. — Não. — Escapou. Silêncio. Daichi respirou profundamente. Depois olhou para a irmã. A expressão dele mudou completamente. Já não era apenas um irmão protetor. Era um homem em alerta máximo. — Vamos para casa. Ha-yun não discutiu. Pela primeira vez desde a luta... ela própria estava assustada. Antes de entrar no carro, porém, virou-se para Jun-woo. — Tem cuidado. Jun-woo aproximou-se. — Eu podia dizer-te exatamente a mesma coisa. Ela sorriu muito levemente. — Promete-me. — Prometo. Ela entrou no carro. Os portões fecharam-se atrás da comitiva quando partiram. Jun-woo ficou a observá-los desaparecer. Minutos depois, Min-jae chegou ao local, depois de receber uma chamada dele. — Então? O que aconteceu? Jun-woo continuava a olhar para a estrada. — Alguém estava a seguir a Ha-yun. Min-jae perdeu o sorriso. — Achas que tem alguma coisa a ver com o acidente de há quatro anos? Jun-woo permaneceu em silêncio. No fundo... também começava a fazer a mesma pergunta. Sem que nenhum deles soubesse, a centenas de metros dali, o homem de boné preto entrou num carro estacionado. Entregou um envelope cheio de fotografias a alguém sentado no banco de trás. A pessoa folheou lentamente as imagens. Todas mostravam Ha-yun. Algumas ao lado de Jun-woo. Outras sozinha. Uma voz grave quebrou o silêncio. — Depois de quatro anos... Finalmente encontrámo-la. O carro arrancou lentamente, desaparecendo na noite de Seul. E um novo perigo começava a aproximar-se.
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