📘 O Campeão de Seul
Capítulo 19 — Sombras do Passado
O sol desaparecia lentamente no horizonte, pintando o céu de tons alaranjados e dourados.
Jun-woo e Ha-yun caminhavam lado a lado junto ao rio Han, conversando sobre assuntos simples, algo que ambos não faziam há muito tempo.
— Sabes... — disse Jun-woo, com um pequeno sorriso. — Nunca imaginei que conseguisses fazer-me passear sem falar de lutas durante quase duas horas.
Ha-yun riu.
— Estás a ver? O mundo não gira apenas à volta de octógonos.
— Discordo.
Ela olhou para ele de lado.
— Ah, sim?
— Também gira à volta de fisioterapeutas teimosas.
Ha-yun deu-lhe uma pequena pancada no braço.
— És impossível.
— Já me disseram isso algumas vezes.
Os dois riram.
Era um momento raro.
Leve.
Sem tensão.
Sem discussões.
Sem medo.
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A alguns metros de distância, um homem observava-os escondido atrás de algumas árvores.
Usava um boné preto e um casaco escuro.
Nas mãos, segurava uma máquina fotográfica profissional.
Click.
Mais uma fotografia.
Click.
Outra.
Ele aproximou o zoom.
Sorriu.
— Então encontrámo-la...
Guardou a máquina e pegou no telemóvel.
— Chefe... ela está com ele.
Do outro lado da chamada, apenas uma pergunta:
— Tens a certeza?
— Absoluta.
— Continua a segui-los.
A chamada terminou.
O homem voltou a esconder-se.
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Enquanto isso, dentro do carro preto estacionado a uma distância segura, Daichi continuava a acompanhar discretamente a irmã.
Um dos seguranças olhava constantemente pelos espelhos.
De repente, franziu o sobrolho.
— Senhor...
Daichi levantou os olhos.
— O que foi?
— Acho que não somos os únicos a segui-los.
Daichi virou imediatamente a cabeça.
— Onde?
O segurança apontou discretamente.
— Homem de boné preto. Está ali desde que eles chegaram ao parque.
Daichi observou durante alguns segundos.
O homem tentava parecer apenas mais um visitante.
Mas cometia pequenos erros.
Olhava demasiado.
Mudava constantemente de posição.
E escondia algo debaixo do casaco.
Daichi ficou completamente sério.
— Não é um jornalista.
— Não.
— Descubram quem é.
Dois seguranças saíram discretamente do carro.
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Jun-woo e Ha-yun continuavam completamente alheios ao que acontecia.
Pararam numa pequena banca para comprar café.
— Um café e um chocolate quente, por favor — pediu Ha-yun.
Jun-woo olhou para ela.
— Chocolate quente?
— Gosto.
— Tens gostos de criança.
Ela fez uma careta.
— E tu tens gostos de velho.
O vendedor começou a rir.
— Vocês fazem um casal engraçado.
Os dois congelaram.
— Nós...
Ha-yun começou a falar ao mesmo tempo que Jun-woo.
— Não somos...
Os dois olharam um para o outro.
Depois começaram a rir.
O vendedor entregou as bebidas sorrindo.
— Seja como for, espero que sejam felizes.
Ha-yun ficou ligeiramente corada.
Jun-woo sorriu discretamente.
Nenhum dos dois corrigiu mais o homem.
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Do outro lado do parque, os seguranças de Daichi aproximavam-se lentamente do indivíduo suspeito.
Mas, quando estavam a poucos metros...
O homem percebeu.
Virou-se imediatamente.
E começou a correr.
— Parem-no! — gritou um dos seguranças.
As pessoas no parque assustaram-se.
O homem atravessou rapidamente um caminho cheio de gente.
Saltou uma vedação baixa.
Continuou a correr.
Os seguranças foram atrás dele.
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O barulho chamou a atenção de Jun-woo.
Ele virou-se.
— O que está a acontecer?
Ha-yun também olhou.
— Aqueles são...
Ela reconheceu imediatamente os seguranças do irmão.
O coração acelerou.
— Oppa...
Jun-woo franziu o sobrolho.
— Alguma coisa está errada.
Nesse instante, Daichi saiu finalmente do carro.
Caminhava depressa, mas mantinha a calma.
Ha-yun ficou surpresa.
— Oppa?
Daichi aproximou-se dos dois.
— Temos de sair daqui.
Jun-woo deu um passo em frente.
— O que aconteceu?
Daichi olhou diretamente para ele.
— Alguém estava a seguir-vos.
O sorriso de Ha-yun desapareceu.
— O quê?
— Há pelo menos meia hora.
Ela ficou completamente pálida.
— Tens a certeza?
Daichi respondeu apenas com um olhar.
Era suficiente.
Jun-woo apertou os punhos.
— Quem era?
— Ainda não sabemos.
Um dos seguranças regressou ofegante.
— Senhor...
Daichi virou-se imediatamente.
— Encontraram-no?
O homem baixou a cabeça.
— Não.
— Escapou.
Silêncio.
Daichi respirou profundamente.
Depois olhou para a irmã.
A expressão dele mudou completamente.
Já não era apenas um irmão protetor.
Era um homem em alerta máximo.
— Vamos para casa.
Ha-yun não discutiu.
Pela primeira vez desde a luta...
ela própria estava assustada.
Antes de entrar no carro, porém, virou-se para Jun-woo.
— Tem cuidado.
Jun-woo aproximou-se.
— Eu podia dizer-te exatamente a mesma coisa.
Ela sorriu muito levemente.
— Promete-me.
— Prometo.
Ela entrou no carro.
Os portões fecharam-se atrás da comitiva quando partiram.
Jun-woo ficou a observá-los desaparecer.
Minutos depois, Min-jae chegou ao local, depois de receber uma chamada dele.
— Então? O que aconteceu?
Jun-woo continuava a olhar para a estrada.
— Alguém estava a seguir a Ha-yun.
Min-jae perdeu o sorriso.
— Achas que tem alguma coisa a ver com o acidente de há quatro anos?
Jun-woo permaneceu em silêncio.
No fundo...
também começava a fazer a mesma pergunta.
Sem que nenhum deles soubesse, a centenas de metros dali, o homem de boné preto entrou num carro estacionado.
Entregou um envelope cheio de fotografias a alguém sentado no banco de trás.
A pessoa folheou lentamente as imagens.
Todas mostravam Ha-yun.
Algumas ao lado de Jun-woo.
Outras sozinha.
Uma voz grave quebrou o silêncio.
— Depois de quatro anos...
Finalmente encontrámo-la.
O carro arrancou lentamente, desaparecendo na noite de Seul.
E um novo perigo começava a aproximar-se.