Nanda O cheiro de alho dourando no azeite se espalhava pela casa quando Bravo entrou. Deixou o rádio sobre o balcão e foi direto pra cozinha, atraído pelo perfume de tempero e pelo som suave de uma música antiga que Nanda sempre colocava quando cozinhava. Ela estava ali, de avental branco, o cabelo preso num coque alto e o rosto iluminado pelo vapor que subia do forno. Tirava a travessa com a carne assada — dourada, suculenta, soltando aquele cheiro que fazia qualquer um salivar. Bravo parou na porta e ficou só observando. Por um momento, esqueceu os problemas, o movimento, o peso de ser o dono da Rocinha. Ali, ele era só Blede, o homem que tinha encontrado o amor da vida dele numa mulher que não precisava de armas pra comandar respeito. — Tá me olhando por quê? — ela perguntou, se

