Merliah Acordou pelo som do próprio corpo reclamando. Primeiro veio a dor—um latejar surdo que parecia vir de cada canto dela—depois o silêncio pesado do apartamento que cheirava a álcool e medo. Merliah permaneceu imóvel por um tempo, os olhos fechados, tentando entender de onde vinha a parcela de quente e dor que percorria as costelas. Quando abriu os olhos, a luz tímida da manhã atravessava a cortina. O teto branco parecia distante, como se tudo que acontecera tivesse sido um pesadelo e ela ainda estivesse deitada no lugar errado entre sonho e realidade. Mas a dor era real — firme, insistente. Um nó subiu pela garganta. Ela se virou com cuidado. Cada movimento era uma decisão. O corpo protestou em ondas: a cabeça latejava, os joelhos tremiam, o braço direito doía quando esticava. Co

