Bravo A escuridão parecia ainda mais funda quando os primeiros caveirões cortaram a ladeira de Copacabana e as picapes da polícia encheram a orla de luz. As sirenes roncavam como animais famintos. No morro, o holofote do batatão varria as lajes como lanças de aço; a Rocinha respondia em silêncio com olheiros encaixados, atiradores escondidos e barricadas improvisadas. Miguel estava na linha de frente. O sangue do ferimento já secara, a faixa apertando o abdome — mas a raiva fazia cada músculo doer menos que a vontade de chegar até o apartamento onde Ricardo se escondia. Bravo, atrás dele, fazia o trabalho sujo de comando: orientava os pontos de resistência, cortava saídas, mandava homens fazerem silêncio nos becos. — Miguel! Fecha a laje do Arpoador! — Bravo gritou, recoberto de fulige

