Ricardo O jatinho tremia leve enquanto subia, rasgando as nuvens que ainda guardavam o brilho da cidade lá embaixo. Ricardo escorou a nuca no encosto e deixou um riso rouco escapar — aquele riso de quem acreditava que comprou a própria sorte. No salão do avião, os móveis de couro, o whisky no copo e a garrafa ao alcance, parecia o trono de um rei que deixou a guerra para trás. — Finalmente, suíça, meu refúgio — murmurou, num tom embriagado que misturava alívio e soberba. — Podem dizer o que quiserem, eu tô fora dessa lama. Do outro lado, um segurança mexia no tablet, checando a rota, confirmando conexões, mantendo o semblante frio. Outro segurava uma pasta com documentos e passaportes. Ricardo estalou os dedos, pedindo outro uísque, e quando o copo veio, ergueu um brinde mudo ao ar que

