Bravo O sol já estava se pondo por trás do alto das casas, dourando o cimento quente da Rocinha. A boca estava no ritmo de sexta-feira: corre-corre de cria, gente indo e vindo, o som do rádio chiando enquanto o dinheiro passava de mão em mão. Bravo estava sentado na sua cadeira de couro, atrás da mesa onde as planilhas, os rádios e o copo de café se misturavam. Corvo, de pé, analisava o movimento lá fora pela janela de vidro espelhado. Miguel, encostado na parede, girava o anel no dedo, aquele que agora tinha as iniciais M&M, o símbolo do amor que ele jurou proteger. — As contas tão fechando bonito essa semana, — disse Bravo, rabiscando num caderno grosso. — Os fornecedores já receberam, o povo tá com gás e comida… o morro tá tranquilo, graças a Deus. Corvo cruzou os braços. — Tran

