O Sangue do Bravo

2231 Words

Bravo O relógio de pulso marcava quase meio-dia quando Bravo se encostou na cadeira da sala da boca. O som dos rádios chiando nos corredores se misturava ao burburinho dos meninos contando notas e separando pacotes. O cheiro de maconha, café e suor se misturava no ar pesado do barraco principal. Era sexta-feira — dia de acerto, Dia de pesar, somar e dividir. Bravo, com o semblante sério, caneta entre os dedos e olhar frio, fazia as contas da semana. Cada número anotado no caderno era responsabilidade dele. Nenhum centavo podia sumir, nenhum erro podia passar despercebido. O morro rodava na engrenagem da Rocinha, e ele era o eixo central — o que mantinha tudo girando. — Fecha essa sacola e vê se tá batendo com o peso — disse ele sem levantar o olhar. — Tá certo, chefe. — respondeu um d

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