Bravo O som das rajadas de fuzil cortava o ar como trovões. O cheiro de pólvora misturado com o de terra molhada e sangue já dominava as vielas. A Rocinha ardia em fúria — o caveirão avançava, abrindo caminho entre os becos, e o helicóptero do BOPE cuspia luz sobre os telhados. Bravo gritava ordens pelo rádio: — Granada, segura o lado de cima! Escorpião, fecha o beco da bica! Ninguém passa! Corvo, ao lado dele, já tinha o rosto coberto de suor e poeira. — Eles tão vindo pesado, Bravo. Mandaram força total. — Então vão voltar carregados. Aqui é Rocinha, p***a! — rugiu Bravo, recarregando o fuzil. Do outro lado do morro, Miguel avançava com o peito em chamas, o olhar sangrando ódio. Ele não pensava em nada além de Merliah. Cada tiro que ecoava parecia gritar o nome dela. — Se ele fe

