Merliah / Miguel Os dias se arrastavam lentos, pesados, sufocantes. O apartamento em Copacabana, que antes parecia o sonho de qualquer mulher, agora era o cativeiro silencioso de Merliah. Ricardo saía cedo para o hospital e voltava tarde, sempre com o mesmo olhar de posse. Ele deixava recados, ordens, e olhares que não precisavam de palavras para ameaçar. E ela, mesmo cercada de luxo, vivia em medo constante. As mensagens da mãe se acumulavam no celular: “Filha, você sumiu.” “Tá tudo bem?” “O morro sente sua falta.” Merliah lia e apagava antes que ele visse. A cada toque no telefone, o coração disparava. O medo de Ricardo encontrar algo era maior que a vontade de responder. No espelho, a mulher que ela via já não era a mesma. O brilho dos olhos tinha se apagado, os sorrisos vira

