Prólogo Part I

2409 Words
Anahi: 10 de setembro — Casa Branca, Washington D.C. Se alguém algum dia ler isso, quero deixá-lo registrado.“Eu não planejei me enfiar no armário do presidente dos Estados Unidos… vulgo chefe dos don’s da Máfia.”. Não de propósito, pelo menos! Tudo começou com eu dando ouvidos a pensamentos intrusivos.. Quer dizer… com ele, o presidente Alfonso Herrera. O homem que fez metade do país suspirar e a outra metade desconfiar. E eu, i****a de carteirinha, resolvi cair na primeira metade com entusiasmo olímpico. Alfonso era a definição viva do impossível. Um homem que falava de política com voz de whisky caro e que parecia ter saído diretamente de um sonho. Eu assistia a todas as entrevistas, todos os discursos, até as coletivas de imprensa sobre agricultura e eu nem gosto de planta! Mas ele? Ele fazia qualquer coisa parecer fascinante. E então veio o coquetel. Um evento exclusivo, transmitido ao vivo, em comemoração aos cem dias do governo Salvatore. E quem, em sã consciência, recusaria a chance de vê-lo de perto? Certamente não eu. Então, eu fiz o que qualquer mulher mentalmente desequilibrada faria… implorei à minha melhor amiga, Chloe, que me colocasse na equipe do buffet. — Você só pode estar brincando, Anahí — disse ela, rindo. — Você nem sabe equilibrar uma bandeja! — Eu sei sim! — menti descaradamente. — Uma vez servi um vinho na ceia de Natal e só derrubei em duas pessoas. — Isso não é um argumento. — Por favor, Chloe. Eu juro que vou ser profissional. Nem vou olhar pra ele! Chloe me encarou com aquele olhar de quem já me perdoou por antecedência. — Você vai olhar pra ele. Vai suspirar. Vai deixar a bandeja cair. E provavelmente vai ser presa ao tentar se jogar nos braços forte e cabeludo dele, Anahí… eu te conheço e por isso sei não vai se controlar. — Mas vai ser com estilo — sorri. — Você pode me pôr na escala, certo? — Deus me perdoe… mas sim. – Ela suspirou. E foi assim que, três dias depois, eu estava uniformizada, de cabelo preso, bandeja prateada nas mãos e o coração batendo no ritmo de um desfile de escola de samba. O salão principal da Casa Branca brilhava como um sonho caro e patriótico. Lustres de cristal, músicos afinando violinos, políticos rindo falsamente. E eu ali, me esgueirando entre as figuras de terno, tentando parecer alguém que pertencia àquele mundo. O que, convenhamos, era uma tarefa impossível quando se está com os nervos fritando e uma paixão presidencial latejando nas veias. E então, ele apareceu… Alfonso Herrera… De perto, ao vivo, a cores era ainda melhor… O terno escuro parecia moldado ao corpo dele, o cabelo penteado com precisão cirúrgica, o olhar firme. Deus me livre… Aquele sorriso controlado que fazia qualquer pessoa acreditar que estava segura, mesmo que ele estivesse prestes a arrancar o chão sob seus pés. Ele caminhou até o púlpito e a orquestra silenciou. A voz dele encheu o salão com uma calma que parecia ensaiada, mas soava genuína. — Cem dias… — disse ele, com aquele timbre que vibrava no peito de todo mundo — ...não é o fim de uma promessa. São o começo de uma revolução feita com fé e transparência. A palavra, naquela noite, soou como poesia, m*l sabia eu que, semanas depois, ela me pareceria ironia pura. Enquanto os convidados aplaudiam, ele agradeceu com um aceno contido, humilde, como se a santidade política fosse uma segunda pele. Eu, segurando uma bandeja de taças, senti uma pontada no peito, junto com a famosa borboleta no estômago. Eu agradeci a ansiedade desse evento não ter me permitido comer nada o dia todo. Era fascínio… Era um perigo embrulhado em charme… Chloe apareceu do nada ao meu lado, me cutucando e me chamando de volta para a terra. — Fecha a boca, Anahí. Você está babando. — Estou apenas… respirando... Intensamente… — corrigir. — Você está encarando o presidente como quem olha bolo mais gostoso e suculento em uma confeitaria. — E se eu tiver? — brinquei, mas sem tirar os olhos dele. — Gostoso e suculento ele é! — Anahí Giovanna Portilla! — Ue! Não sou cega, mesmo trabalhando. Acho que não sou a única a estar babando pela beleza desse deus grego. Ela bufou e se afastou, rindo. Mas a verdade é que eu não conseguia tirar os olhos dele. Massimo não precisava falar pra dominar o espaço. O salão se curvava à presença dele. Os seguranças se mantinham à distância, mas alertas, como cães de guarda treinados. E eu? Eu só queria um segundo a sós com aquele homem, nem que fosse só por um segundo, para me sentir notada por ele. Mas m*l sabia o quanto me arrependeria desse pedido… Quando o discurso terminou, ele desceu do púlpito e começou a circular entre os convidados. Cumprimentos, risos educados, flashes de câmeras. A cada passo, meu corpo reagia como se fosse magnetizado, eu tentei me concentrar no trabalho, mas fracassei com dignidade. Até que ele passou a menos de um metro de mim, o perfume dele amadeirado, discreto, caro me atingiu como uma flechada no peito por um cupido desastrado. Ele olhou rápido para algo em minha direção, sem me ver de verdade eu acho e o tempo pareceu segurar o ar. Senti um arrepio que me percorreu inteira, foi só um olhar de nada, eu sei. Mas bastou pra me deixar sem chão. Foi ali que a ideia começou a se intensificar como algo certo. Ridícula, absurda, perigosa, mas irresistível… Eu sabia que a Casa Branca era enorme, cheia de corredores, portas e seguranças. Mas eu também sabia, graças a três noites de pesquisa em fóruns, vídeos de arquitetura e subornando pessoas certas que deviam favores. Então fiz um mapa mental para onde ficava a ala privada. O andar dele… a suíte Presidencial… Eu não ia fazer nada. Só… olhar. Olhar de verdade o lugar onde ele vivia, o espaço onde ele dormia e talvez conhecer um pouco mais dele. Cinco minutos, no máximo. Seria inofensivo… Um passeio de uma fã curiosa, nada mais! Pelo menos, era o que eu queria acreditar. ❤️ Eu sabia que era loucura no segundo em que me afastei do salão. Mas havia algo de irresistível em caminhar sozinha pelos corredores da Casa Branca, ouvindo o som abafado da orquestra se dissolver atrás de mim. Cada passo ecoava como uma batida de culpa. As luzes ali eram mais frias, brancas demais, refletindo nas paredes cheias de retratos de ex-presidentes. Todos pareciam me observar, desaprovando silenciosamente a garçonete curiosa que acabara de decidir virar espiã amadora. Peguei o caminho que tinha memorizado nas madrugadas anteriores. Escada de serviço à esquerda, corredor de mármore que terminava em uma porta de ferro polido. A entrada da ala privada. Ela brilhava como se alguém tivesse encontrado a entrada para o paraíso. O crachá emprestado sem permissão da equipe de limpeza pendia no meu pescoço como um passe de milagre. Respirei fundo, olhei para os dois lados e empurrei a porta. O som de minhas sapatilhas contra o chão mudou. Lá dentro o piso era de madeira escura, encerrada até brilhar como espelho. O ar tinha outro cheiro: couro, tabaco, um perfume caro com notas de especiarias. Era como entrar no território de um animal que sabia que mandava no mundo. O corredor era longo, forrado de painéis de nogueira e quadros de paisagens italianas discretos, porém elegantes. No final, duas portas. Uma delas, maior, com o brasão dourado gravado na madeira. Eu já sabia qual era. A maçaneta fria girou sob a minha mão, e por um instante hesitei. Mas a curiosidade venceu. A música Hands To Myself da Selena Gomez tocava na minha mente como uma trilha sonora perfeita. A porta cedeu com um clique suave. A suíte de Alfonso Herrera surgiu na minha frente, como se estivesse finalmente alcançado o paraíso com música angelical. O teto alto sustentava um lustre de cristal enorme fixado exatamente no centro da suíte, mas a luz vinha baixa, quente, feita para criar sombras. À direita, uma parede inteira era uma estante de livros organizados por tema em ordem alfabética. Era metódico exatamente como imaginei. No centro, uma lareira apagada cercada por poltronas de veludo marsala-escuro. E no lado oposto, o quarto propriamente dito: cama larga, lençois de algodão egípcio, tudo impecavelmente alinhado. A janela, enorme e infinita, dava para o jardim iluminado. Cortinas de tecido pesado da cor da bandeira balançavam levemente com o ar-condicionado. Eu andava devagar, como se cada passo pudesse acionar um alarme invisível. — Meu Deus… — sussurrei. — O homem mora dentro de um conto de fadas de reis e príncipes. Havia uma escrivaninha de madeira maciça com pastas perfeitamente empilhadas, um porta-canetas dourado, e um pequeno globo terrestre girando em silêncio. Passei a ponta dos dedos pela superfície lisa da mesa, imaginando quantas decisões de Estado e quantas mentiras tinham nascido ali. Então minha atenção foi para a cama dele, me aproximei devagar, como se estivesse andando em campo minado. Não resisti… Meu corpo se moveu sozinho, como se a música que ainda ecoava na minha mente, Hands to Myself da Selena tivesse tomado as rédeas. Dei um salto impulsivo e me joguei na cama dele, o colchão afundando sob meu peso com um suspiro macio, quase indecente, como se a própria cama estivesse me convidando para o pecado. Os lençois de algodão egípcio eram frios no início, deslizando contra minha pele como seda líquida, mas logo se aqueceram, envolvendo-me em um abraço traiçoeiro. Rolei de costas, os braços abertos em crucifixo, e puxei o edredom para cima de mim, enrolando-me nele como uma ladra roubando o tesouro do rei, só que esse rei era o Presidente, o homem que comandava o mundo e tudo ali tinha o cheiro dele. O perfume dele me invadiu como uma droga viciante, aquela mistura de couro caro, tabaco defumado e especiarias proibidas que gritava poder absoluto. Enterrei o rosto no travesseiro, respirando fundo, e um arrepio delicioso subiu pela minha espinha, fazendo meu corpo arquear involuntariamente. — Can't keep my hands to myself… — murmurei, ecoando a letra da Selena na minha cabeça. Enquanto minhas mãos “ah, essas traidoras” começaram a vagar. Desabotoei o topo do meu uniforme de garçonete devagar, como se estivesse me despindo para Alfonso Herrera, deixando o tecido cair dos ombros e expondo a pele arrepiada. Ri baixinho, nervosa e excitada, o som ecoando como uma piada cósmica no quarto vazio. Eu, a garçonete ingênua, me contorcendo na cama do presidente como uma estrela de clipe pop em um vídeo proibido. Imaginei ele ali, Alfonso, pairando sobre mim, seus olhos em um dourado escuro me devorando, aquelas mãos firmes deslizando pela minha cintura, puxando-me para ele com uma urgência que não pedia permissão. Eu o via nu, o corpo esculpido como uma estátua renascentista, pressionando-me contra esses lençol, seus lábios roçando meu pescoço enquanto sussurrava ordens baixas, roucas: "Você é minha agora, Violeta. Toda minha. No matter how hard you try..." Meu coração disparou, um calor traiçoeiro se espalhando entre minhas pernas, e eu me mexi na cama, rolando de lado para o outro, as mãos explorando meu próprio corpo como se fossem as dele, traçando curvas, apertando, imaginando-o me tomando devagar no início, depois com uma fúria que me deixaria marcada, ofegante, suada. Gemi baixinho quando um orgasmo me atingiu, mordendo o lábio para abafar o som, e ri de novo, histérica. — I want you all to myself… — cantei para o travesseiro, girando no edredom como se dançasse em um vídeo clip de obsessão, o lustre de cristal acima de mim girando em sombras sensuais. Era loucura pura, uma cena digna de um clipe: eu, sozinha no palácio do poder, me perdendo em fantasias eróticas, ao mesmo tempo que masturbei na cama do presidente enquanto o mundo lá fora desmoronava. Eu ria baixinho, nervoso, o som ecoando como se ele fosse um príncipe de conto de fadas. Atravessei o quarto devagar, sentindo que cada passo era uma confissão. O chão de madeira antiga rangia sob minhas sapatilhas, e o som, ainda que quase inaudível, parecia ecoar pelo silêncio denso da suíte. Era um espaço imponente, elegante e frio do tipo de lugar que parecia ter sido projetado para intimidar qualquer um que ousasse entrar. A cama ainda guardava o calor do meu corpo, um vinco no lençol denunciando minha presença proibida. Foi então que notei a porta lateral entreaberta, meio escondida por uma sombra. À primeira vista, parecia apenas uma divisória, mas havia algo nela que me chamava como um segredo. Aproximei-me, guiada pela mesma curiosidade que sempre me colocava em confusão, e toquei a maçaneta. O metal estava frio contra meus dedos e entrei. O ar do outro lado tinha um perfume mais forte, mais pessoal. O closet de Alfonso Herrera era uma extensão da própria alma dele, meticuloso, contido, perfeito até a rigidez. Fileiras de ternos em tons de cinza, preto e azul-marinho formavam um exército silencioso. As camisas estavam dobradas com uma precisão quase matemática, e os sapatos, dispostos como se esperassem um desfile. As luzes embutidas lançavam reflexos suaves sobre o couro e o metal, criando uma atmosfera rústica Passei a ponta dos dedos pelas mangas de um paletó, levei até o narinas e fechei os olhos inalando o cheiro daquele homem. O tecido era caro, macio, e exalava o mesmo perfume amadeirado que parecia impregnar o ar. Por um instante, senti que conhecia aquele homem sem jamais tê-lo realmente conhecido, como se cada roupa guardasse um fragmento de suas máscaras: o presidente impecável, o líder severo, o homem que ninguém ousava contrariar. Um frasco de perfume repousava sobre a bancada de vidro, aberto, como se tivesse sido usado recentemente. Inclinei-me para cheirar e quase ri de nervoso. O aroma era tão marcante que parecia atravessar a pele, misturar-se com o ar, com a memória, com o medo. Era estranho como o poder podia ter cheiro. De repente, algo estalou do lado de fora , o som seco de uma porta batendo. Meu corpo inteiro enrijeceu, mas não tinha tempo para travar. Então corri até a porta, tentei girar a fechadura, mas ela não se moveu selando o closet como uma tumba de luxo. — Não…não… não… — exclamei com a voz saindo em um sussurro histérico. — Isso não pode tá acontecendo.
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