PRIMEIRO DIA NA FACULDADE

1424 Words
Joyce entrou na universidade com sua cara de poucos amigos. Tinha tido uma discussão com Celina antes de se dirigir pra lá, e perdido como sempre: — Lina, pelo amor de Deus! Eu sei me defender, tenho sempre cinco estrelas acessíveis para uma emergência, me deixa ser livre? — Você quer ainda mais liberdade, Joyce? Tem três anos que você só faz o que dá na telha e Luís, Marcos e Caio ficam limpando sua bagunça! Você me dá mais dor de cabeça do que Bruno! — Lina, hoje será meu primeiro dia na faculdade! Pensa na situação constrangedora de chegar na aula com segurança! — Não vai ser nada constrangedor, Denis e Augusto vão entrar como dois alunos normais, está tudo combinado e pago com a reitoria. Inclusive suas armas não serão detectadas. — Eu sempre vou ter esses dois me seguindo! Não vou conseguir me enturmar e nem arranjar um namorado! — Como se você quisesse um namorado. E não, eles não vão te atrapalhar. Vão estar no meio da multidão e são um casal, Joyce. Todos vão saber que são um casal. Nenhum homem vai se sentir ameaçado pra chegar junto de você por causa deles. Não é como se eles tivessem vestidos de preto, óculos escuros, ponto no ouvido e andando cada um de um lado seu! — Eu não preciso de seguranças, Celina! Sei usar as estrelas e minha mira é melhor do que a deles! — Joyce, me mira mas me erra, pelo amor. Não sei porque estamos discutindo isso de novo! Já te expliquei que tenho consciência de que você sabe se defender. Mas você não está indo pra universidade em missão, mas sim pra aprender! Não quer ser médica? Então precisa se concentrar e muito nas aulas. Se você estiver preocupada se alguém vai se aproximar de você pra te matar, como vai se dedicar a aprender? — Quem iria tentar me matar na universidade, Celina? Você tem cada idéia - Joyce revirou os olhos. — Deixa eu ver. Você é irmã de mafiosa. Cunhada de mafioso e chefe de organização criminosa. Você é m****o com cargo de regência da máfia. Mesmo que ninguém queira te pegar por isso, que tal a família de algum dos incontáveis presuntos que você deixou pelo caminho nos últimos anos? — Ninguém seria doido de me desafiar! Consigo cortar a mão de qualquer filho da p**a antes mesmo dele sacar a arma. Nem você consegue fazer isso! — Joyce, você é uma criança mimada. Não é porque você pode fazer uma coisa que você deva fazer. Você consegue ter essa perícia com as estrelas porque não tem dó de matar um pobre coitado... — Pobre coitado, vírgula! Nunca matei nenhum inocente, menos ainda sem motivos! — Mulher, você matou o Alemão porque ele te pediu em casamento! — Negativo. Matei aquele i****a porque ele espalhou que dormiu comigo e que eu ia me casar com ele por causa disso. — E você não dormiu com ele, criatura? — Nunca dormi com ninguém. — Porque você vai embora depois de t*****r! — E isso não é um bom motivo para esses idiotas perceberem que eu não quero nada sério e segurar suas línguas dentro da boca? — Você evitaria toda essa situação se segurasse sua p******a dentro das calças e conservasse suas pernas fechadas! — Vai começar de novo? — Eu não. Vamos fazer um trato. Eu não falo mais nisso e você não fala mais em suspender os seguranças. — Nunca, eu já te falei que sou mais rápida do que eles, posso me defender. — Pra você ter essa agilidade, você precisa estar atenta em alguma ameaça. Deixe que seus homens estejam atentos a isso e você fica atenta em cortar uns corações! — Eu não vou cortar corações. Vou consertar. E vai levar uns bons anos pra isso! — Então comece a aprender a consertar. Porque preocupada em cortar mão de atiradores de aluguel, não vai aprender a consertar nada. — E se eu me recusar? Se eu matar os seguranças? — Bem, você pode se recusar com toda a certeza! Mas você tem três opções aqui. Vamos a elas: você pode ser enviada para estudar na França sobre os cuidados de Helena. Lá, todo mundo vai pra escola e faculdade de segurança. É tão normal que chega a ser irritante. E quem não tem segurança é considerado favelado ou insignificante. Opção dois: você desiste da faculdade e fica enfiada em nosso mundo pra sempre assim como eu fiz, porque sem segurança você não sai nunca mais de casa! Até Anderson e Jeferson já se acostumaram com a presença deles, e olha que eles nem são envolvidos com a máfia! Opção três: você pode aceitar Denis e Augusto disfarçados, ir pra sua aula tranquila e se acostumar a ser guardada e ter uma vida dita normal, sem se preocupar em se defender o tempo todo. O que vai ser? Joyce mostrou língua pra ela e saiu pisando duro. Quando passou pela porta, as duas sombras saíram atrás dela, que fingiu que não os viu. Naquele momento, enquanto procurava sua sala, via os dois fingindo fazer a mesma coisa e tinha que admitir, eles tinham sido muito bem treinados, pois disfarçavam muito bem. Ninguém que os visse, diria sequer que se conheciam. Depois que achou sua sala e viu que Augusto já tinha se adiantado, entrou e ameaçou sentar em um lugar que não tinha mais nenhuma cadeira próxima, mas ao olhar pra ele, fazendo uma cara de poucos amigos ameaçadora, achou melhor cumprir o combinado e se sentar em um lugar que tivesse cadeira vazia próximo, para Denis que estava entrando naquele momento. Depois que o professor entrou e a aula começou, Joyce se envolveu tanto que nem pensou nos dois brutamontes que a vigiavam. Decidiu que ia se jogar de cabeça e esquecer aquele problema! No intervalo, saiu da sala e foi chamada por uma loirinha toda maquiada e sorridente. — Oi. Meu nome é Samantha, estou na sua sala. — Oi, eu sou Joyce, muito prazer. As duas foram lanchar juntas enquanto conversavam e falaram suas expectativas para o curso. Trocaram telefone (Joyce tinha um número para interações sociais, diferente do telefone de trabalho) e o resto da semana foi assim. Samantha se tornou sua amiga e elas se encontravam na entrada, intervalos e saída. No segundo dia, Celina já tinha mandado fazer a checagem dela e descobriu que ela era de uma boa família e se aproximou de Joyce inocentemente. Mesmo assim, o cuidado era redobrado dos seguranças com ela, e Joyce só revirava os olhos! Durante a semana foi exatamente assim, cada pessoa com quem Joyce interagia na faculdade, era minuciosamente checada pelo pessoal de Celina. E a turma foi aumentando, tanto que Denis socializou com alguns para fazer parte do grupo e ter motivo para estar colado nela. Depois de duas semanas de aulas, Joyce foi reclamar com Celina: — Porrä, você já viu que é tudo tranquilo, tudo inocente! Pra que ficar enchendo o meu saco e checando todo mundo! Daqui a pouco vai começar a checar os médicos que dão as aulas. — Engano seu, não vou checar nenhum dos seus professores. — É mesmo? Porque não? Tomou como verdade que todos são inocentes e bons? — Nunca tomo nada como verdade, Joyce! Já chequei todos eles, o reitor, até os funcionários da lanchonete antes de te matricular. E monitoro todo o quadro diariamente. Também tenho uma equipe que faz monitoramento anti bombas e armas químicas antes de vocês entrarem nas salas e laboratórios. — Isso é paranóia, sabia? — Não! Isso é cuidado. É saber o tipo de vida que levamos e que podemos ter inimigos. Agora pare de me encher o saco e vá trabalhar, que temos um carregamento chegando. Você precisa verificar a rota e acompanhar os homens do Caio. — Eu sei das minhas obrigações, não precisa querer ensinar meu serviço! — Ótimo, então vá e não me aborreça mais! — Celina, com dois homens pra te comer a noite, como você ficou tão azeda? — Eu não sou azeda, Joyce. Sou cautelosa. Não estou sentindo falta de sexo, se é o que você quer saber! — Achei que estava, já que o Marcos já passou dos 50 e deve estar velho pra você! Joyce falou e correu, sabendo que a irmã iria atirar alguma coisa nela. E quando passou pela porta, ouviu alguma coisa batendo no batente e a gargalhada de Celina de dentro do escritório…
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