Desde que me conheço por gente, sempre gostei de ouvir músicas. Tanto tristes, quanto alegres. Minhas amigas costumavam dizer que eu era e sou louco na verdade somos todos iguais, não eu e todas as pessoas do mundo. Elas e eu.
Digo isso, porque se passa em nossa cabeça, que quando temos a melhor música do mundo por um momento nos imaginamos no lugar do cantor, exalando beleza, corpos esbeltos, uma pele bronzeada ou Clarinha. O cabelo impecável e a pele de fazer inveja. Sim, eu me imaginava no lugar dessas pessoas, mas acredito que isso não venha acrescentar muita coisa, não no que estou prestes a dizer.
Quando ouço uma música é como se ela conversasse comigo, como se aquela canção fosse no fundo do meu coração fazendo com que eu a escutasse com toda a minha alma. A playlist perfeita para que eu pudesse chorar, sentir aquela dor, aquela melancolia me destruindo por dentro desabando no quarto com as lembranças que vem a tona e lembrando de tudo que vi e ouvir quando sair daquele motel.
Juro por Deus, que desejei nunca mais ver Benjamin. Que tipo de amor é esse que maltrata, que ignora, finge que o outro não está ali ? Quem era ele ? Por um segundo eu não reconheci o cara que tanto amava, não fazia ideia que ele tinha aquela personalidade meu desejo era chorar e chorar até não suportar mais. Mas algo dentro de mim gritava me dizendo que eu não precisava daquilo, que eu merecia mais. - Não chora, Théo. Ouço uma voz me dizer. - Você não precisa passar por isso você é lindo, você é novo e um mundo lindo te esperando bem lá na frente.
- Você ainda não começou a seguir os seus sonhos. Siga em frente e não desista. Poderia ouvir claramente tudo que aquela voz me falava. Eu tinha certeza que era o meu subconsciente, eram os meus sonhos me chamando, me fazendo acreditar que a vida não se resumia ao amor.
Mesmo com os olhos vermelhos e pesados desejando despejar todas as lágrimas que eu tinha, me contive. Eu amava Benjamin, mas eu amava os meus sonhos muito mais. E não iria admitir que ele nem ninguém me fizesse desistir porque eu era indestrutível. Quando eu falo sobre uma música tocar profundamente em mim, estou realmente falando a verdade, me lembro, que neste exato dia estava passando de frente a uma delicatessen, estava tão transtornado que senti a garganta seca, era o universo preparando o momento para que eu ouvisse aquela música e entrando lá, reconheci de imediato quem era o dono daquela canção.
O refrão tocava profundamente em mim. A sua tradução era: Só o amor pode machucar alguém assim. E isso é verdade, passei tanto tempo planejando coisas com ele, um futuro a cor da nossa casa os móveis, tudo tão detalhado que se fosse para eu fazer um desenho saberia onde colocar cada coisa, cada quadro, cada enfeite minúsculo. O tapete no meio da sala o centro, o porta-retratos. Uma adega, uma cristaleira repleta de taças lindas.
Eu ainda sonhava e desejava aquilo para nós, mas a única coisa que nos impedia era o fato de Benjamin não me deixar seguir com os meus sonhos, ele imaginava que eu deveria ceder a tudo, fazer as coisas que desejasse. A gente trabalharia no mesmo lugar e iríamos sorrir o tempo todo em sua cabeça tudo seria perfeito, nunca haveria uma discussão, jamais iria acontecer uma Dr porque ele imaginava o casamento perfeito um conto de fadas.
Mas eu sabia que não era aquilo e talvez a minha conversa com os meus pais tinham me aberto os olhos. Tudo o que mais desejei era poder ficar com ele, manter um relacionamento saudável e do jeito que estava eu na minha casa e ele na dele, nos veríamos todos os fins de semana e quando a saudade apertasse daríamos um jeito de nos encontrar, seria mais tranquilo! Mas talvez, em sua cabeça poderia se passar que a partir do momento que eu começasse a estudar mesmo e focar no meu curso as coisas começariam mudar como a frequência dos encontros, por exemplo!
Entretanto, acredito que eu esteja me contradizendo com os meus próprios pensamentos a questão é que nunca desejei ficar sem ele, e se Benjamin realmente acreditasse no meu amor jamais iria me deixar partir. Olhando para todos os lados eu buscava saber de onde estava vindo aquela canção até me dar conta, que era de um interfone bem acima da minha cabeça.
Assim que cheguei em casa eu ouvi ela de novo e lendo e relendo a sua tradução, chorava feito uma criança quando perde um brinquedo no parque. Mas ao mesmo tempo eu entendia que éramos dois adolescentes com a mente fértil e cheias de fantasias, talvez a minha nem tanto mas a dele criava as cenas de quais eu tinho a certeza que era tudo uma imagem dos filmes que ele costumava assistir, os romances gays.
Porventura, a minha conversa com os meus pais tinham surtido um efeito muito maior, afinal, Benjamin tinha uma mente voltada a um mundo colorido e perfeito. Já a minha tinha certeza que nada era para sempre, e que tudo uma hora ou outra chega ao fim. Por por mais que me doesse eu estava percebendo, que possivelmente o nosso relacionamento estava descendo ladeira abaixo e não era culpa minha tudo o que mais desejava era só conversar com ele, que me ouvisse dissesse para mim que estaria tudo bem. Que iria esperar, mas quis o destino e ele que não ficássemos juntos, Benji precisava de alguém, que pensasse igualmente a ele e não foi tão difícil encontrar.
Depois daquele dia e daquela noite tão triste eu não soube mais dele, pelo menos durante uma semana. A minha mãe sempre perguntava: está acontecendo alguma coisa entre você e o Benjamin ? Ele nunca mais apareceu e não vejo mais você ao telefone. - Não. Estamos bem, mamãe!