âAneliese Mooreâ O relĂłgio na parede, no canto da sala, marca 23h10. Observo Alexander tentar calçar os sapatos enquanto permaneço encostada no sofĂĄ, braço cruzados e um meio sorriso no rosto. Meus olhos seguem cada movimento dele â o modo distraĂdo como ajeita o cadarço, o cabelo caindo levemente sobre a testa, a expressĂŁo calma demais pra quem acabou de me roubar o ar algumas horas atrĂĄs. Ele parece alheio ao meu olhar, ou talvez apenas finge que nĂŁo percebe. Nas horas que se seguiram ao beijo, conversamos como se o tempo nĂŁo tivesse pressa. O cafĂ© esfriou, o bolo de cenoura quase acabou, e em algum ponto da madrugada ele me fez rir mais do que eu gostaria de admitir. Falamos sobre famĂlia, sobre a vida, sobre tudo aquilo que se diz quando o silĂȘncio começa a ser Ăntimo demais. Em m

