●Aneliese Moore ● Eu não sabia o que responder. Porque, de alguma forma, eu entendia o que ele sentia. Entendia a solidão, o medo, o desejo que se disfarça de controle. Mas, ainda assim, uma parte de mim gritava em silêncio, perguntando como aquilo poderia ser real. — Por que nunca chegou pra me falar nada? — perguntei, a voz quase por um fio. Ele respira fundo. O ar entre nós parece se partir em dois. — Porque eu tive medo... — diz, enfim. Seus olhos me encontram, e há neles mais do que eu poderia decifrar em mil vidas. — Aneliese, eu não sou o homem certo pra você. — ele continua, e sua voz soa quebrada, honesta demais pra ser confortável. — Eu sou alguém cheio de rachaduras, de fantasmas. Alguém que ainda tenta colar os cacos de um passado que insiste em sangrar. Tenho insegura

