â Alexander Blake â As palavras de Aneliese, sua sugestĂŁo de cobrar antigos favores, mostraram-se nĂŁo apenas sensatas, mas indispensĂĄveis. Passamos a tarde trancados em meu escritĂłrio, alternando entre ligaçÔes, e-mails e promessas veladas. Eu recuperava favores enterrados em dĂvidas antigas, relembrava investimentos generosos em campanhas polĂticas, doaçÔes mascaradas de altruĂsmo, e contratos que nunca foram escritos, mas que todos sabiam existir. Acabo de encerrar mais uma ligação â desta vez com um polĂtico que, sem a minha doação, jamais teria visto seu nome impresso em cartazes pelas ruas da cidade. Ele me garante que âvai ver o que pode fazerâ. Traduzo mentalmente: âvou me mexer porque vocĂȘ me comprouâ. E, como sempre, eu nĂŁo sinto remorso. Meus olhos deixam a tela do computador,

