27 — Vitória Narrando O vazio não faz barulho. Ele é um silêncio que esmaga o peito até você sentir as costelas estalarem. Eu não lembro de como saí daquele beco. Não lembro do cheiro do sangue ou do som do Caveira gritando. A última imagem que eu tinha na cabeça era o corpo do meu pai caindo por cima de mim, o peso do homem que era a minha muralha se tornando o peso de um corpo frio. Acordei com o Luan me jogando dentro de casa. O som da chave girando na fechadura da sala soou como um tiro. — ME SOLTA! ABRE ESSA PORTA, LUAN! ABRE AGORA! — Eu gritei, minha voz saindo rasgada, uma coisa que nem parecia humana. — Victória, para! Olha pra mim! Acabou, ruivinha... acabou! — O Luan tentou me segurar pelos ombros, mas eu estava possuída. Eu empurrei ele com toda a força que eu tinha. Comec

