O voo de volta a Los Angeles parecia durar uma eternidade. O choro incessante de um bebê na cadeira atrás da minha é o ponto de foco que necessito agora para me manter sã.
Em menos de vinte quatro horas eu quase fui sequestrada, eu tive um dos melhores momentos do meu relacionamento com Philip, tive a maior decepção a minha vida e agora estou implorando aos céus para que minha mãe fique bem.
Meu peito ainda dói com tudo que sofri, mas não tenho mais lágrimas para chorar. Estou vazia.....
???
É madrugada quando o avião finalmente pousa em solo Americano. Sigo pelo portão de desembarque até a saída e só não esqueço a mala por que meu celular está dentro dela e eu preciso dele para pedir um uber.
Tenho que ir para o hospital.
Espero alguns minutos até que meus carro chegue e para completar o turbilhão de sentimentos em que me encontro, uma chuva torrencial e fora de época começou a cair me encharcado toda e me fazendo tremer de frio.
Por que as coisas não podem ser fáceis para mim, ao menos uma vez.
_ com licença moça, você precisa de ajuda?- uma voz grave e desconhecida fala perto de mim, me assustando e me fazendo quase cair para trás.- opa. Cuidado.- ele me segura pela cintura rapidamente e assim que consigo me manter em pé sozinha, eu me afasto.
_ obrigado por me segurar, mas eu não preciso de ajuda.- sou rude, mas isso não parece intimida-lo. Na verdade ele sorri, como se minhas palavras o divertissem.
_ nesse caso acho que apenas esperarei meu uber ao seu lado, o lado de fora do aeroporto pode ser bem perigoso a essa hora da madrugada e você parece ser o tipo de mulher que sabe se defender muito bem.
Ele me cobre com seus guarda chuva e mesmo que eu tenha dito que não quero sua ajuda, não recuso esse auxílio. A última coisa que preciso é ficar gripada.
_ você não é muito de conversar, não é?- ele pergunta depois de dois minutos de completo silêncio e eu fico me perguntando por que esse Uber está demorando tanto, acho que não existe transito as três da manhã.- eu me chamo Conrad Thompson, você por acaso tem um nome?- não respondo a pergunta e vejo pelo canto do olho, quando ele sorri novamente. Qual o problema desse cara?
_ pelo visto você aprendeu direitinho que não deve falar com estranhos. Seus pais devem estar orgulhosos.- ele tenta mais uma vez chamar minha atenção, mas dessa vez ele foi longe de mais.
_ olha aqui, cara. Meu dia foi h******l, eu estou exausta, e a última coisa que eu quero é ter que lidar com um i****a, irritante como você.
Meu celular apita me avisando que meu motorista acaba de chegar e assim que vejo seu carro, agradeço aos céus por me livrar dessa pessoa desnecessária.
Saio correndo na chuva em direção ao carro e assim que entro meu sangue ferve ao ver o b****a do guarda chuva, entrar pela outra porta.
_ ei, esse Uber é meu! - reclamo e o vejo rir de novo.
_ na verdade a corrida é dos dois.- o motorista fala e eu respiro fundo porque não tenho tempo de esperar outro carro e terei que aturar esse i****a por todo o percurso.
_ não se preocupe moça, eu não vou te incomodar.- o tal cara fala e para a minha felicidade ele não me dirige mais a palavra, mas passa todo o percurso conversando animosamente com o motorista.
Paz e silêncio para quê? Quando você pode passar longos trinta minutos ouvindo falar de hóquei. Eu mereço!!
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O carro para em frente ao hospital e minha vontade é sair correndo para não ter mais que ouvir a voz desses dois, mas tenho que pagar o motorista e isso se torna mais uma missão impossível quando o b****a ao meu lado decide pagar pelas duas corridas.
_ eu não preciso do seu dinheiro.- falo de maneira fria enquanto retiro minha carteira de dentro da bolsa.
_ por que ser orgulhosa dessa maneira. É só uma corrida de uber, não é como se eu fosse te cobrar esses oito dólares em algum momento.
_ nada nunca é de graça e a última coisa que quero é dever alguma coisa a você, então aqui está moço.- entrego para o homem o dinheiro e saio do carro apenas esperando ele abrir o porta malas, para pegar minha bagagem.
Sigo para a porta principal e não me importo com o olhar dos seguranças em minha direção, tudo que preciso agora é descobrir onde está minha mãe.
Vou para a recepção e meus olhos não crêem no que estou vendo. Eu devo ter jogado pedra na cruz, só pode.
_e então doutor Thompson, como foram suas férias. Este hospital fica tão sem vida sem a sua presença.
Vejo a recepcionista se jogar para o b****a do ponto e eu tenho que respirar bem fundo antes de seguir até ela e esperar por sua atenção.
_ foram ótimas Elisa, mas sabe como é, eu sinto falta de estar aqui, lidar com minhas pacientes, de entrar em uma sala de cirurgia.....- ele olha em minha direção percebendo minha presença e sorri, o que me faz respirar fundo mais uma vez.- está me seguindo senhorita.
_ estou procurando Dora Bancks, ela deu entrada nesse hospital na madrugada de ontem.- falo com a recepcionista ignorando completamente o homem ao meu lado e eu à vejo ficar de boca aberta para a minha indiferença.- será que pode deixar para ficar pasma outra hora, eu estou com um pouco de pressa aqui.- sou rude e eu a vejo voltar para terra e começar a fazer seu trabalho.
_ preciso saber seu gral de parentesco com a paciente.- ela fala, agora focando toda sua atenção no monitor a sua frente.
_ eu sou filha dela.
_ um minuto por favor.- ela fala sem olhar em minha direção e em seguida pega o telefone ligando para alguém que eu não consegui entender, já que ela estava praticamente sussurrando.- o doutor Monteiro pediu que você o aguarde na sala de espera, ele já vai falar com a senhorita.
Ela me passa o recado e eu sigo para o elevador sem me despedir ou agradecer. Tudo que quero é acabar com toda essa angústia que estou sentindo de uma vez por todas e eu só poderei fazer isso quando tiver a certeza que minha mãe está bem e fora de perigo.
Saio do elevador e ando em direção a sala de espera, sem nem ao menos olhar para os lados. Entro pela porta branca e assim que me vê, Luna corre em minha direção com lágrimas nos olhos
_ me perdoa Amy, me perdoa....- ela repetia de maneira incessante.
_ olha para mim Luna- seguro em seus rosto para que ela olhe nos meu olhos- não foi sua culpa. Nenhum de nós poderia prever essa tragédia.
_ eu já disse isso a ela milhões de vezes, mas ela não me escuta.- Afonso que até então estava quieto em seu canto, vem em nossa direção e nos abraça, se unindo a nossa bolha e me fando agradecer por tê-lo aqui.
_ vocês tem alguma notícia?- pergunto assim que nos soltamos e antes que eles possam me responder, o doutor entra na sala.
_ senhorita Bancks que bom que veio.- ele fala se dirigindo a mim de maneira tranquila e isso é reconfortante.
_ doutor Monteiro, a situação não permite que seja um prazer vê-lo, mas é bom saber que era o senhor com ela na sala de cirurgia. Agora me diga por favor, como está minha mãe?