Capítulo 4

1062 Words
- Porque está no hotel e não na casa dos seus pais? - perguntou depois de fazermos a maior parte do trajeto em silêncio. - Eles ainda não sabem que estou aqui, bonita. Só vim por que Helena disse que precisava de mim, nem pensei em ir ver os meus pais antes de saber sobre o que se tratava. - Você realmente a ama, não é? - ela desviou rapidamente seu olhar que estava em mim, voltando sua atenção ao trânsito. - Sim eu a amo, ela é para mim a irmã que os meus pais não me deram. O resto do caminho até o hotel foi em silêncio, abri a porta do quarto e deixei que ela entrasse primeiro, ela se sentou no sofá e agradeceu a bebida que ofereci. Me sentei na poltrona logo a frente também com um copo na mão e esperei para ver o que acontecia. - As coisas em casa realmente estão complicadas, como se já não bastasse a doença do meu pai. A culpa não é de Helena, as coisas já estavam em declínio bem antes de ela chegar, não concordo nem um pouco com a decisão de esconder a verdade dela, porém não tive muita escolha. - A situação não é mesmo a das melhores, na verdade eu não sei nem o que te dizer, talvez um eu sinto muito pelo que está acontecendo. - Vai ficar tudo bem, eu sei disso. No final tudo será como tem que ser e dará certo. - Eu senti verdade em sua fala, mas havia ali também muita dor. - Mas e como está se sentindo em relação a tudo isso Tônia? - Desconfortável - ela deu um grande gole na sua bebida - agora era para estarmos unidos. Devíamos estar proporcionando os melhores momentos da vida do meu pai e deixá-lo saber que pode partir em paz quando for chamado. O clima ficou um pouco tenso e sentindo isso também Tônia se colocou a mudar de assunto: - Então a vida era agitada nas terras norte-americanas? - Não foi esse assunto que causou toda aquela confusão? - sorri ao vê-lá ajeitando sua postura e erguendo uma de suas sobrancelhas antes de responder. - Na verdade só serviu para me deixar mais curiosa - disse sorrindo ligeiramente para o lado direito o que deixou o meu corpo em alerta. - Quer saber se consegui juntar uma boa economia, como disse mesmo o babaca do seu irmão? Ah é… dando o cu? - Não! Até parece que você faria isso, sempre foi tão “macho alfa”. Você não fez, não é? Não sabia se me zangava pela sua dúvida ou se ria de sua expressão de quase desespero e sua fala acelerada. - Não, Antônia eu não dei o cu em troca de dinheiro, mas por que quer saber sobre isso? Qual o motivo do seu repentino interesse? - Fui extremamente apaixonada por você durante a minha infância e pré-adolescência inteira, seria frustrante saber que você bate uma bola também no outro time. - Apaixonada é? Vamos falar mais sobre isso… um assunto que muito me interessa, bela Antônia. - Não mude de assunto Eduardo, e sim você foi a primeira pessoa que me apaixonei mas isso foi a bastante tempo. Você nunca sequer reparou em mim e eu ficava toda boba, me arrumava todos os dias pois nunca sabia quando você iria chegar. A diferença de idade entre nós não é significativa, no fim acho que nunca fui o seu tipo de mulher. - Não sabe a besteira que está falando Antônia. Corrigindo você é o meu tipo de mulher, não foi o meu tipo de garota porque eu sempre te via como a irmãzinha da pessoa que considerava uma irmã para mim, como se fosse da minha própria família. - Você tirou a virgindade de Helena - disse depois de mais um grande gole e com o sarcasmo puro escorrendo pela lateral de sua boca. - Helena soube ser persuasiva - a essa hora o clima era tão tenso que o ar estava literalmente abafado e o quarto parecia ter encolhido diversos metros quadrados, era quase que sufocante. - Então me faltou persuasão? E eu achando que não era bonita suficiente! Verdadeiramente nunca pude competir com Helena ou com qualquer outra com quem você desfilava. De qualquer forma não importa mais, é passado. Ela sorriu e depositou o copo já vazio em cima da mesa de centro que nos separava. Eu não consigo entender o que está acontecendo. Ela está me provocando, jogando comigo? Está me desafiando? O que ela quer afinal? Se for me deixar maluco ela está conseguindo. - Não é uma decisão muito sábia ficar jogando comigo Antônia - dei bastante ênfase em seu nome - pode acabar se queimando. - Bebi o resto que estava em meu copo e o coloquei ao lado do dela. Estreitei meus olhos, me levantei e fui para cima dela. Só deu tempo de ouvi-la sussurrar um “até que enfim” e eu a beijei. Já beijei muitas mulheres, seja por dinheiro ou não, mas as sensações que nossas línguas duelantes me causaram foram inéditas. Minha mão foi parar em sua nuca e nosso beijo ficou mais profundo, contudo nem um pouco sensual. Foi um beijo de reconhecimento, ela sentada no sofá e eu ajoelhado entre suas pernas, eu não queria que esse beijo acabasse nunca, seu gosto me prendeu de uma tal maneira que eu me contentaria somente em ficar beijando. Puxei mais o seu corpo para encostar no meu e suas mãos me abraçaram por cima do ombro. Mas, como um despertar de um transe, ela parou o beijo e arregalou os olhos, nossos lábios grudados em um selinho estranho e eu pude perceber nos olhos dela milhões de sentimentos. Ela gentilmente me afastou, se levantou e saiu pela porta em silêncio e sem olhar para trás. A pequena Antônia se você soubesse o que esse beijo inocente me causou, temo estar estragado para as demais mulheres agora, pelo menos até que eu consiga ter você não vou conseguir sequer olhar para outra mulher. Antônia será minha! Só não tenho a mínima ideia de como fazer isso e ainda tem a família dela que também será um empecilho. Mas não vou recuar, vou conseguir ter essa mulher ou não me chamo Eduardo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD