Antônia
Os dias foram passando na velocidade da luz e inevitavelmente eu estava a cada dia mais apaixonada pelo Edu, ele era um ótimo namorado e um exímio amante. Ele me tratava como a Fera cuidava de sua rosa e isso me fazia muito feliz, claro que tinha hora em que eu clamava por espaço e era nesses momentos que eu me refugiava para a casa do meu irmão e seu companheiro.
Infelizmente as coisas em casa continuavam na mesma, meu pai fingindo estar bem para Helena, Bene sendo um completo i****a, minha mãe e sua infinidade de perguntas sobre o que eu fazia tanto na rua.
Em uma conversa recente com meu pai fui aconselhada por ele a assumir logo o relacionamento, ele mesmo disse que estávamos fadados a ficar juntos pelo resto de nossas vidas e que além de não ter motivo plausível para ficar escondendo ele fazia muito gosto e ficaria imensamente feliz em poder acompanhar a evolução do nosso relacionamento. E isso acabava sendo uma pressão indireta, como a que ele fez com Helena, só que bem mais sutil. Eu entendo que o sonho de todo pai é ver suas filhas casadas e felizes, mas não posso atropelar as coisas, muito menos forçar Edu a se casar comigo o quanto antes.
Apesar de certas horas de eu ter a impressão de que se dependesse dele nós já estaríamos casados, depois de sua frase na loja de departamentos ele vive me dando pistas e indiretas e me aprisionando em seu apartamento, a cada vez que digo que tenho que passar mais tempo em casa é uma briga. Ele quer monopolizar o meu tempo e eu não posso negar que eu adoro, mas temos que entender que somos apenas namorados.
O tratamento que temos um com o outro é até engraçado. Sou Antônia em momentos tensos e Tônia, princesa, boneca em outros, mas a recíproca é verdadeira, ele é Edu no dia a dia e Lery nos nossos momentos íntimos mais selvagens e perto da minha família.
Hoje é o dia da festa de noivado de Helena e todos estamos bastante felizes, Edu quase surtou quando soube que eu participaria de parte do dia das meninas pois isso significava que eu ficaria tempo demais longe dele, eu sei ele assim como meu cunhado adora um drama de vez em quando.
Eu e minha mãe encontramos com Helena, sua sogra e sua amiga Vick no salão, eu já estava com o meu vestido azul turquesa com um ombro só, todo trabalhado em pedrarias, presente da minha amada irmã. Depois de todas arrumadas, e várias ligações de Noah e até mesmo Ian, foi a vez de Edu me ligar para nos apressar.
- Até Lery já ligou Helena, disse que se o noivado está assim imagina no casamento.
- Lery ligando para você, Tônia? O que foi que eu perdi? Me conta vai o que está rolando entre vocês.
- Ah, deixa de ser inconveniente Helena, estamos apenas conversando. - resolvi por fim, meio que admitir - Nos conhecendo melhor. Ele já era lindo antes agora então…. Jesus me abane.
Todas riram com meu ato dramático de olhar para cima e me abanar como se estivesse morrendo de calor.
- Faço muito gosto que vocês fiquem juntos. Eu te amo e Lery é uma das pessoas mais importantes no mundo para mim.
Como fiquei aliviada em ouvir aquilo, eu não tinha dúvidas de que Helena não ficaria chateada ou algo do tipo mas ouvir dela, apesar de que as pessoas que sabiam sempre disseram que ela não reagiria ao contrário, me deu uma paz tão grande que acabei por assumir de uma vez:
- Para ser honesta também espero que dê certo. Agora vamos, antes que eles venham nos buscar.
Não muito tempo depois chegamos ao terraço onde seria a festa.
Não acreditei e até verbalizei isso, quando vimos em um canto Noah com uma mulher muito bonita, porém vulgar em um vestido vermelho mais justo que o necessário se esfregando nele. Olhei para o lado e vi que Helena não estava muito bem. Ao presenciar a cena eu podia jurar que minha irmã iria dar um barraco daqueles, se não desse um fim na festa por isso.
Ao invés disso minha corajosa irmã estava à beira de uma síncope e m*l podia respirar, apesar de eu repetir mais vezes do que achava possível para ela ter calma e respirar, ela acabou desmaiando. Corremos para levar ela para o quarto, onde algum tempo depois ela despertou.
- Até que enfim acordou v***a, ficou desacordada por quase uma hora, se estava arrependida deveria encontrar outra forma de fugir do noivado. - O i****a do meu namorado, Vick e até mesmo o traíra do Joca se rasgaram de rir.
Contra o esperado Helena não ralhou com Edu, conversamos e ela pediu para Noah entrar, ela deu um mini surto com ele, o que significava que quando estivessem a sós muito provavelmente Helena seria viúva antes mesmo de se casar.
Como alguns dizem não à casamentos, ou noivados, sem um pouco de drama familiar e apesar disso, estava tudo muito lindo e a maioria de nós estava realmente se divertindo.
- Tônia como você está linda nesse vestido, - Edu me abraçou discretamente por trás enquanto eu estava no bar esperando minha bebida - Não vejo a hora de poder chegar em casa e poder tirar ele de você, vamos ali mais para o canto, estou louco para poder beijar minha garota.
- Acredito que o que você queira fazer possa ser feito aqui mesmo Eduardo, digo o beijo é claro.
- Está falando sério? Não brinca assim comigo que o meu coração não aguenta, Antônia.
- E por acaso estou rindo, Eduardo?
- p**a que pariu, até que enfim mulher. Finalmente todos vão saber que você é só minha, principalmente esses babacas engomadinhos que não param de babar por você.
- Deixa de ser bobo - o puxei pela gravata e dei um beijo carregado de sentimentos.
O beijo durou alguns minutos e quando nos afastamos demos de cara com os meus pais, bem ao nosso lado.
- Já não era sem tempo Antônia - surpreendentemente essa frase saiu da boca da minha mãe, que vendo minha cara de surpresa continuou a falar - Não concordei com isso no início mas é visível o quanto você está feliz minha filha e isso me é suficiente por enquanto, espero que seja um homem decente com ela Eduardo.
- A senhora não sabe o quanto me faz bem ouvir essas palavras, tia, ou melhor … sogrinha?
- Deixa de ser abusado menino! - ela falou com um sorriso.
- Eu prometo aos dois que farei o que estiver ao meu alcance e o que não estiver também, e vou fazer a filha de vocês muito feliz.
- Você já faz isso garoto, faço muito gosto que minha filha tenha você, quando eu já não estiver aqui.
- Credo pai, não fala assim. Todos sabemos que é a única certeza da vida, mas por hora, vamos viver o hoje.
Ele concordou e me puxou para um abraço, que foi preenchido pelo corpo de minha mãe assim que ele me soltou. Papai apertou a mão de Edu e logo após minha mãe o puxou para um abraço, eu não poderia estar mais feliz.
Ao longe Joca, Bruno e Helena levantaram sua taça de frisante, como se estivesse nos brindando. Era o noivado da minha irmã mas eu sentia como se a noite fosse minha.
Claro que Edu não tirou a mão de mim pelo resto da noite, por vezes me exibindo como um troféu para aqueles que ele jurava que estavam olhando por tempo demais para mim.
Após a festa, fomos direto para o apartamento do Edu, hoje a noite prometia.