Capítulo 7 - Plano novo.

1039 Words
Murilo Costa O dia tinha começado como qualquer outro no batalhão: burocracia, relatórios e aquele burburinho constante de gente entrando e saindo. Mas eu sabia que hoje era diferente. Tinha coisa grande em jogo, e eu precisava estar no controle. Na sala de planejamento, só nós três: eu, Leandro e Tenório. Dois caras em quem eu confiava quando o assunto era operação. Não que confiança fosse algo fácil no nosso meio. A lealdade era frágil, e a linha entre o que é certo e errado quase inexistente. Espalhei o mapa da Rocinha sobre a mesa de metal, os detalhes já marcados com caneta vermelha. A rota inicial, planejada há dias, tinha ido pro lixo quando soubemos que a entrega da carga foi adiada. Tive que recalcular tudo, ajustando cada ponto para o novo cronograma. — Então é isso — comecei, apontando para um ponto no mapa. — Amanhã, a carga vai chegar por aqui, na entrada principal. Já tá confirmado que o caminhão vem escoltado. Leandro, um cara alto e com aquele jeito meio debochado, inclinou-se para ver melhor. — Escolta pesada ou só pra inglês ver? — Pesada. E outra, tem baile na Penha amanhã. — Olhei pros dois, sério. — Boa parte da população do morro vai descer pra lá. É nossa chance. Menos gente nas ruas, menos risco de vítima inocente no meio do fogo cruzado. Tenório, sempre calado, passou a mão no queixo, pensativo. — E se der r**m? Eles não vão deixar a carga cair sem brigar. — Por isso mesmo a gente vai com tudo. — Apontei pra duas marcações no mapa, afastadas da rota principal. — Duas viaturas vão ficar nesses pontos aqui, estrategicamente posicionadas. Se algo sair do controle, elas entram. Mas o objetivo é evitar alarde. Leandro deu uma risada curta, cruzando os braços. — Evitar alarde? No meio da Rocinha? Tá de brincadeira, né, Costa? — Não tô. — Respondi firme, encarando ele. — A gente vai fazer isso limpo. Sem chamar atenção. Cinco homens, rápido e direto. Pegamos a carga e saímos antes que eles entendam o que aconteceu. Tenório assentiu, mas ainda parecia cauteloso. — Quem vai com a gente além de nós três? — Mendes e Braga. — Disse, sem hesitar. — São os mais preparados. Já falei com eles, tão cientes do plano. O silêncio caiu na sala por um momento. Cada um de nós sabia o que tava em jogo. Não era só a operação. Era o dinheiro, o poder, a reputação. E no fundo, a certeza de que o preço disso tudo nunca era baixo. — Amanhã, a gente encontra no ponto marcado às 23h. — Finalizei, dobrando o mapa. — Levem os fuzis preparados e coletes. Qualquer imprevisto, seguimos o plano B: recuo imediato. Leandro deu um sorriso torto, batendo no ombro de Tenório. — Vai ser tranquilo, parceiro. Só mais um dia no escritório. Eu não respondi, mas sabia que não era tão simples assim. Nada no nosso mundo era. A linha entre o sucesso e o fracasso era fina demais, e eu tava andando nela há anos. Depois que a reunião terminou, fiquei mais um tempo no batalhão. Enquanto os outros dois saíam rindo de alguma piada que nem prestei atenção, eu sabia que o trabalho real começava agora. A operação não era só correr atrás de bandido ou entrar de peito aberto. Era estratégia, organização e precisão. Um erro e tudo ia por água abaixo, junto com minha reputação. Entrei no armário de equipamentos e comecei a separar as armas. Peguei os fuzis, conferindo cada um minuciosamente, testando os carregadores e garantindo que tudo tava funcionando. Nenhuma margem pra erro. Cada detalhe fazia diferença. Depois foi a vez dos coletes. Verifiquei os tamanhos, os ajustes, até os zíperes. Quem já esteve no meio do fogo cruzado sabe que um colete m*l encaixado pode ser a diferença entre ir pra casa ou virar estatística. Quando tudo tava organizado, peguei o mapa de novo. Abri sobre uma das mesas e revisei cada ponto sozinho, repetindo o trajeto na minha cabeça como se já estivesse lá. Nada podia sair do lugar. Mendes e Braga sabiam o que estavam fazendo, e Leandro e Tenório eram confiáveis até certo ponto. Mas mesmo assim, preferia garantir que não dependesse de ninguém além de mim. Depois de tudo pronto, saí do batalhão e me despedi da galera com um aceno rápido. Tava cansado, mas minha cabeça não parava. Cheguei em casa já tarde, sentindo o peso do dia. Tirei as botas na entrada e fui direto pro banheiro. A água quente no chuveiro ajudou a aliviar um pouco a tensão acumulada nos músculos. Depois do banho, vesti uma bermuda e uma camiseta velha, indo pra cozinha preparar algo rápido. Frango grelhado, arroz e salada. Simples, mas suficiente. Enquanto comia, peguei o celular na mesa e abri as redes sociais, mais por hábito do que por interesse. Passei pelos stories de conhecidos até que um vídeo chamou minha atenção. Era Luana. Ela tava no shopping, rindo com as duas amigas que eu já tinha visto naquela noite no bar. Nos stories, elas mostravam roupas e comentavam sobre o baile de amanhã. A voz dela era animada, o sorriso fácil. Ela parecia... confortável, como se o mundo fosse dela. De repente, os vídeos mudaram. Agora era ela mostrando algumas opções de roupa pro baile. Um vestido vermelho justo, outro preto com recortes na lateral. Todos moldando o corpo dela de uma forma que fez meu sangue correr mais rápido. Por um momento, me perdi olhando aquelas imagens. Os vestidos eram sensuais, davam uma beleza ainda maior para as curvas dela, passei para a próxima foto e era ela mostrando as costas de um dos vestidos que era toda aberta, o corte nas costas era tão grande que ficava somente um pouco acima da sua bund@. Inclusive mostrando uma tatuagem de dragão que ficava no meio das costas. A filha da put@ era atraente pra caralh0, não podia negar. Mordi o lábio, imaginando coisas que eu não devia. Então sai dos stories dela, tentando espantar os pensamentos. Não era o momento pra isso. Eu tinha coisa mais importante pra focar. Mas, mesmo assim, ela continuava ali, na minha cabeça.
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