Elisa narrando O cheiro de café fresco tomava conta da cozinha enquanto eu terminava de separar alguns tecidos sobre a mesa. Minha mãe costurava em silêncio. A máquina fazia um barulho constante, quase hipnotizante. Fazia dias que nossa rotina era aquela. Curso pela manhã. Loja à tarde. Costura até a noite. Era cansativo. Mas era um cansaço bom. Pela primeira vez, eu sentia que estava construindo alguma coisa que era minha. Olhei para um dos vestidos já quase prontos e sorri. — Esse ficou lindo, mãe. Ela levantou os olhos da máquina. — Ficou mesmo. Vai ser um dos primeiros da vitrine. Só de imaginar a loja aberta no fim de semana, meu coração acelerava. Ainda parecia um sonho. Foi quando ouvi alguém bater na porta. Nem esperei. — Entra, Mila! Ela entrou sem o sorriso d

