Nando narrando O relógio ainda não marcava nove da manhã quando entrei na salinha da boca. O movimento do morro já tinha começado fazia tempo. Soldados ocupavam seus postos. Olheiros avisavam qualquer movimentação diferente pelo rádio. Vapores organizavam a distribuição da mercadoria. Lá fora, para quem olhasse de fora, parecia apenas mais um dia comum no Salgueiro. Mas eu sabia reconhecer quando o ar mudava. E ele tinha mudado. Empurrei a porta da sala. Dinho já me esperava. Cebola apareceu logo atrás. Poucos segundos depois, Binho entrou ajeitando a corrente no pescoço. Como subchefe, ele participava de todas as decisões importantes do morro. Logo depois chegaram Geleia e Pezão. Fechei a porta. Ninguém falou nada. Todos esperavam que eu começasse. Apoiei as duas mãos so

