Foi real

2219 Words
Havia um anel de compromisso em meu dedo e um bilhetinho no criado-mudo dizia: Nossa festa de noivado será à noite, esteja pronta. Como? O que? Pensei relendo para ver se entendi direito. Tomei um banho rápido e fui fazer café, ainda atônita. Tomei uma caneca de café pensativa. Será que tomei a decisão certa? Por favor, não mude de ideia agora, disse a voz de Lui em minha cabeça. Sorri sozinha, como se ele estivesse presente. Respirei fundo e segui a minha rotina. Era uma da tarde, quando ouvi a campainha tocar. _ Boa tarde, a srta. Pin está? _ me disse a senhora compenetrada. _ E o que seria? Estou aqui para leva-la para um dia de noiva no nosso spa. _ Hum _ respirei fundo, imaginando que teria que deixar toda a tranquilidade da minha vida sem compromissos para ir para o spa, porque eu deveria estar linda e radiante para o sr. Bhavarius à noite. Pensei em rever minha decisão, mas lembrando daquele sonho de homem, desisti _ Sou eu. _ Claro que é! Me acompanhe, por favor. Tive um dia de princesa, mas me sentia como uma égua sendo lavada para um evento. No fim do dia, não me reconhecia no espelho. Vesti a roupa, sapatos e joias que Lui havia deixado pra mim, de acordo com o rapaz que me entregou. Quando estava pronta, ouvi a porta abrir, e sorri, ao ver Lui entrar muito elegante, sorrindo pra mim. Foi um alívio imensurável vê-lo. _ Como está linda minha noiva! Te trataram bem? _ sorriu. _ Já sabe a resposta, meu noivo _ retruquei. _ Você precisa se acostumar a ser mimada, se vai ser minha, Helena _ apontou um fato. _ Fala de mim como seu pet. _ Quem é o pet de quem por aqui _ gargalhou me abraçando pela cintura. Parou me encarando, e nossos olhos queimaram de desejo um pelo outro. Mas o vi hesitar e sorrir. _ Nossos convidados nos esperam _ explicou. Caminhamos até o carro, com muitos olhares sobre meu noivo. Não podia culpa-las. A festa estava suntuosa demais e me fez encolher os ombros. _ Não faça isso! _ sussurrou em meu ouvido, ao que obedeci. Haviam muitas pessoas, a maioria desconhecidas para mim. Mas fui apresentada ao mais próximo do Lui. Um escocês Will Fraser que alegou ser primo de Lui. No fim da noite houve o anúncio do nosso noivado. Louie fez um discurso. Uma caixinha de anel foi oferecida a mim _ diga “eu aceito” _ disse para mim fora do microfone. _ Eu tenho o imenso prazer de aceitar o seu pedido Lui Bhavarius _ falei olhando o meu futuro marido prender a respiração neste instante e sorrir contente. Trocamos alianças e cortamos o imenso bolo de três andares. Na primeira oportunidade fugimos da festa. Não reconheci o caminho, então, percebi quando chegamos, que era a casa do Lui. _ Por que me trouxe pra cá, eu tenho que ir trabalhar, pela manhã. _ Vem conhecer a casa do seu noivo, srta. Pin _ segurava a porta do carro aberta para mim ao dizer. _ Você me ouviu? _ quis saber, sem me mover. _ Sim, posso te levar para o trabalho _ disse disfarçando a sua relutância. Saí do carro pela grande mansão. Paramos no quarto do senhor da casa, onde havia uma camisola vermelha sobre a cama, e uma penteadeira semelhante a minha, com todos os produtos que eu possuía em casa . _ Por que se dar ao trabalho? _ Porque você merece _ me beijou _ Acostume-se. Se estiver com fome, jantarei com você. _ Não, obrigada. Mas sabe o que isso parece? _ Que quero você aqui. Cometi algum erro? Suspirei constatando que havia aberto mão da minha individualidade, quando aceitei aquele acordo. Nossas vidas se uniriam inevitavelmente, e como a vida de Louie era mais cheia, a minha seria engolida, se reduzindo a quase nada. _ Quanto drama! _ franziu o cenho diante dos meus pensamentos. _ Não será assim? Então, me diz que não terei que largar o meu emprego? _ Terá _ espirei furiosa ouvindo Louie dizer _ Mas não será porque sou possessivo, e te quero só pra mim, o que não deixa de ser verdade. Será porque chegou a um ponto, em que você não conseguirá explicar porque está ficando mais jovem, ao invés de envelhecer. _ Isso é conversa fiada, Louie! _ Jura pra mim que não notou ainda _ riu sarcástico. _ O que? _ Vá ao banheiro, lave o rosto para tirar a maquiagem, e dê uma boa olhada em si mesma. Eu volto para continuarmos essa conversa, com uma listas de “porquês” para você _ bateu a porta atrás de si, ao sair. Como não entendi o que Lui dizia, resolvi tomar um banho rápido. Logo estava com a camisola vermelha, me olhando na penteadeira. Neste momento, vi Lui se materializar atrás de mim, e tomei um susto prendendo a respiração, pra não gritar. _ Me desculpe _ sorriu _ Está vendo? _ olhava o meu reflexo no espelho. _ O que eu tenho que ver? Olhava com atenção, mas não via grande mudança em meu rosto. As linhas de expressão visíveis haviam sumido, minha boca estava mais cheia e sentia meu cabelo mais volumoso. Nada mudara tanto. _ Sorria _ ordenou, obedeci sorrindo para o espelho, vi que as rugas do sorriso haviam desparecido _ Quantos anos daria para este rosto, Helena? O que você acha de vinte e um? Tive que concordar com Louie. Eu precisava largar o meu emprego e meus amigos. Fiquei profundamente triste, com isto. _ Fará novos amigos, e poderá trabalhar em outro hospital. Sua idade será atualizada, quando nos casarmos, neste fim de semana. _ Como assim? Uma identidade falsa? _ Uma identidade nova, mas totalmente original. _ Como isso é possível? _ Will Fraser sempre cuida deste tipo de coisa pra mim. Levantou da cama e estendeu sua mão pra mim, que peguei e me disse _ Preparei um lanche pra você. Me levou até a cozinha, puxou uma cadeira para mim, sentando ao meu lado. Havia muita salada na mesa e no meu sanduiche, mas dei uma mordida, pra saber se sentiria o sabor do queijo e do presunto e estava bom. O suco de laranja no jarro de vidro era natural e recém espremido. Sabia que ele policiava os meus pensamentos, mas ainda assim deixei escapar um “não é porque humanos são sua comida que devamos comer como coelhos”. _ Engraçado _ sorriu divertido. _ Me pergunto, o que vai acontecer quando eu te irritar com minha tagarelice mental? _ Vou devorá-la, minha coelhinha _ a declaração me confundiu e me assustou. Percorri o rosto sério de Lui com meu olhar, com dúvidas claras das suas intenções. Lui gargalhou com desdém _ Sério, Helena! Depois de tudo o que sentimos juntos? _ Desculpa. _ Não foi sincera. Só disse isso pra se livrar do assunto. Saiba, que é uma grande tentação, imaginar o seu gosto descendo pela minha garganta, em grandes ondas bombeadas pelo seu próprio coração. Também fantasio com você coberta de sangue fresco, enquanto eu bebo de sua pele, deslizando minha língua pelo seu corpo. Devo te explicar, que a minha sede é bem diferente da sua sede ou fome. Nós sentimos um prazer incrível ao beber sangue, mas isso passa nos primeiros goles, e só sobra um futuro cadáver nos braços. Eu não posso te perder desse jeito. Seria lamentável! E o que eu faria depois? Ficaria sozinho até encontrar você outra vez? _ Me encontrar outra vez? _ Não sei como explicar agora. Eu te amo, Helena. Vou manter você comigo pelo resto da minha vida, ou morrer tentando. _ Acredito em você. _ Tenha a certeza, de que seus pensamentos jamais irão me irritar. Sei que comentei sobre o quanto você pensou em mim, naquela noite, mas foi só por que queria que entendesse, o quanto eu estava ansioso pelo seu convite _ sorriu safado. _ E não pensou em tomar a iniciativa? _ Quando chegamos à sua casa. Mas não tive tempo de agir. Você escapou _ pegou minha mão livre e beijou. Havia devorado o sanduiche, e metade do jarro de suco. Pensava em dormir, ou não dormir, com aquele belo ser que me encarava, com seus olhos verde claro. De repente, Louie encarou o vazio por uns segundos _ Helena, posso pedir que me espere no quarto? _ Sim. _ Só mais uma coisa. Eh... Tranque a porta, e não saia de lá, nem abra pra ninguém. Eu tenho a chave. _ Porque? _ Tem outro vampiro chegando. Vá rápido. Voltei para o quarto apressada e tranquei a porta. Tentei entender, se esse outro vampiro poderia ser perigoso para o Louie também. E se fosse, o que eu poderia fazer? _ Nada _ disse telepaticamente _ Me espere mais um pouco, é só o Will com os documentos. _ Posso descer? _ Não. Ele ainda é um vampiro. Xinguei muitos palavrões em turbilhões, na minha mente. _ Você xinga como um marinheiro, moça. Devia se envergonhar! _ Se você não ficasse rondado minha cabeça, não teria ouvido nada. Gargalhou divertido. Deitei e adormeci. Não fazia nem ideia, de todo o cansaço que eu sentia. Lui me observava, sentado na cadeira da penteadeira, estava vestido elegantemente _ Bom dia, dorminhoca! _ Bom dia. Você não dormiu? _ Eu não durmo. Já ouviu aquele ditado de filmes de terror “o m*l nunca dorme”. _ Meu Deus, Lui! Não há comparação. _ Diga isso para aqueles que foram caçados por mim, e pelos outros como eu _ deitou na cama, voltado para mim. _ Está falando isto, porque quer me dizer algo? _ Sim. _ E o que é? _ Sabe que existem preconceitos em todas as espécies, não é mesmo? _ E...? _ Você é, o que os vampiros chamam de serva. Se outro vampiro cruzar o seu caminho, ele vai sentir o meu cheiro no seu sangue, e vai se sentir no direito de... _ coçou a cabeça angustiado e suspirou. _ Me matar? _ Matar de vagar _ riu sem humor _ ... de brincar com você, da forma mais c***l. Senti um arrepio na espinha, imaginando uma cena de estrupo e mutilação. _ Você descreveu bem a cena. Não sei onde estava com a cabeça, quando eu comecei isso, mas não tem mais volta, Helena. _ Por isso, me mandou pro quarto. Com tantos humanos nesta casa, eu sou a única correndo risco real! Agora viverei com medo, Lui! _ Não te acontecerá nada, enquanto estiver comigo, nunca permitiria. _ O Will Fraser faria isso comigo? _ O Will não, mas os outros, cada um de nós. Em especial os caçadores. _ Você é um caçador? _ Não, mas já fui um deles. Esse foi o motivo, para eu te trazer até aqui. E é o motivo pelo qual, vou te levar ao hospital para pedir demissão. Você me entende agora? _ Mais claro, impossível. Mas me diga uma coisa, sinceramente, e sem rodeios. Se eu fosse transformada, no que você é, isso mudaria? _ Sim, mas me n**o a te trazer para as trevas, em que eu hábito_ seu olhar chegou ao meu, suplicante _ Helena, poderá me perdoar, algum dia? _ No dia em que me transformar, Lui _ isso parecia tão simples do meu ponto de vista, que foi assim que soou, simples _ Mas até lá, esqueça esse assunto. O que está feito, está feito. Porém me responda, somente, mais uma pergunta? _ Sim. _ Eu não sabia onde estava me metendo, mas você sabia. Então porque fez isso? _ Porque no instante em que senti sua presença, eu te amei. Sorri _ Sabe que acabou de se declarar totalmente, agora, não sabe? _ Só pra acabar, com qualquer dúvida remanescente _ passou um dedo sobre os meus lábios, contornando o meu sorriso. Desejei que me beijasse. Sentir seu corpo contra o meu. Desejei que me mordesse. Desejei que me desejasse e que fizesse amor comigo da forma que ele quisesse. Porque tudo o que queria era senti-lo. Nunca conseguiria dizer o quando o desejava ou como me sentia. Mas Lui sabia. Foi com imensa satisfação, que o vi se mover para mim me beijando lentamente. Beijo sobre beijo. Uma mão de Lui subiu por entre as minhas coxas, por dentro da camisola onde encontrou o meu sexo e o explorava magicamente. A outra mão me abraçava contra o seu corpo pela cintura, enquanto ele me beijava, observando minhas reações. _ Lui _ gemi desejando que entrasse em mim. _ Não, eu quero te ver. Sua frase me fez corar de prazer e t***o. Mas ainda o desejava em mim. _ Era isso o que você fazia? Antes de me conhecer? _ Sim _ gemi. _ Isso é bom? _ Sim _ suspirei. Tocou meu seio, com a mão que tirou da minha cintura. Me viu gemer mais alto, e mordicou o bico do meu seio livre. Sem nenhuma mordida e naturalmente, arqueei meu corpo, gemendo louca de prazer, em meu orgasmo, que demorou bem mais tempo, do que quando eu me dava prazer.
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