Rafael narrando Eu nunca gostei de estar longe. Não por causa da empresa. Não por causa dos negócios. Isso eu sei lidar, sei controlar, sei resolver. Sempre soube. Mas estar longe do meu filho… Isso é outra história. Desde que o Benjamim nasceu, alguma coisa em mim mudou. Não foi de uma vez, não foi bonito como as pessoas costumam dizer… foi bruto, foi intenso. Como tudo na minha vida. E agora, sentado naquela sala de reunião, cercado por acionistas e fornecedores que esperavam respostas, números, decisões… minha cabeça estava em outro lugar. Nele. No meu filho. No jeito que ele tinha ficado mais cedo, rindo, correndo pela sala… brincando. Brincando. Aquilo não saía da minha cabeça. Porque não era comum. O Benjamim não era uma criança de se soltar fácil. Muito pelo contrário.

