5. Logo ela

1599 Words
Drako Meu pai era um velho fanático por filmes. Todos os anos, havia alguns que ele assistia religiosamente, como se fossem parte do ritual de comemorar o Natal. Um deles era Casablanca. Enquanto eu observava minha nova assistente executiva entrar na sala, a frase de Rick me veio à mente: “De todos os bares de gim em todas as cidades do mundo, ela entra no meu.” Só que, no meu caso, era: de todos os escritórios em todas as cidades do mundo, ela entrou no meu. Por um instante, achei que estivesse tendo alucinações. Seria possível que a mulher com quem eu passei uma noite incrível, doce e inesquecível um ano atrás estivesse agora aqui, diante de mim? Mas ela estava ali. Radiante como na noite em que a vi sozinha no meu deck, um ano atrás. Eu a imaginei tantas vezes durante esse tempo, mas agora percebia que minha memória tinha falhado. Ela era ainda mais bonita. As curvas, os cabelos escuros, longos e espessos, e aquele olhar que parecia saber demais. A jaqueta combinando com a saia dava um ar profissional, mas nem isso escondia os s***s magníficos que eu lembrava com tanta nitidez. Ela pigarreou, firme, interrompendo meus devaneios. — Sou Hyle Evans — concluiu com um leve sorriso. Por um momento, me perguntei se ela achava que eu não a tinha reconhecido… ou se era ela quem não tinha me reconhecido. Mas a expressão de choque inicial no rosto dela me dizia o contrário. O homem dentro de mim — o que ainda desejava alguma conexão real com alguém — queria atravessar a sala, tocá-la, reviver aquela noite. Mas me forcei a lembrar: agora eu era o chefe dela. E por mais que, em certos momentos, eu já tivesse vivido em zonas cinzentas, quando se tratava do negócio que meu pai começou e que eu mantinha como parte do seu legado, havia regras que eu nunca ultrapassaria. E t*****r com a minha secretária estava no topo dessa lista. Puxei meu autocontrole de volta e dei a ela um leve aceno. — Pode se sentar enquanto pego seu currículo — disse, remexendo entre os papéis na minha mesa como se estivesse ocupado com algo importante. Ela se sentou, e assim que o fez, aquele perfume suave que eu lembrava invadiu meus sentidos. Meu cérebro quase entrou em curto-circuito. O que diabos ela estava fazendo aqui? Será que havia mentido para mim no ano passado, quando disse que era do Centro-Oeste e que partiria no dia seguinte? Ou teria dito a verdade e só agora decidido se mudar para a Califórnia? Será que… será que ela tinha me procurado? Balancei a cabeça discretamente. Pensamento i****a. Só porque eu pensei nela quase todas as semanas nos últimos doze meses, não significava que ela pensou em mim. Na verdade, era mais provável que não. A verdade c***l era que ela se tornou a única pessoa em quem eu pensava quando me masturbava no chuveiro. Eu tinha tido outras conexões desde então, mas nenhuma se comparava àquela noite com ela — nem sexualmente, nem emocionalmente. Finalmente encontrei o currículo e a carta de apresentação. Li com atenção e vi que ela havia indicado a mudança do Missouri para o sul da Califórnia. Então ela não tinha mentido. Por algum motivo, isso me aliviou. Talvez porque quisesse acreditar que ela não me disse adeus apenas para escapar de mim. Talvez porque parte de mim ainda precisava saber que aquela noite significou algo. — O que te trouxe ao sul da Califórnia? — perguntei, sabendo que uma parte minha desejava ouvir que ela veio na esperança de me reencontrar. Ridículo, eu sei. Patético até. — Eu precisava de uma mudança e queria um novo desafio — respondeu, com um sorriso hesitante, mas ainda assim lindo. — Tenho uma amiga que fez isso e pensei: por que não? Por um momento, fiquei hipnotizado pelo jeito como ela sorria. Me obriguei a desviar o olhar e fingi interesse redobrado no currículo. — Diz aqui que você era responsável pela logística de transporte. É um pouco diferente do cargo de assistente executiva. — Sim, mas acredito que minhas habilidades serão bem aproveitadas. Sou organizada, multitarefa, consigo lidar com prazos apertados e pressão — disse, visivelmente tensa, como se medisse cada palavra. — Estou ansiosa e animada por trabalhar aqui. Ouvi coisas muito boas sobre a cultura da empresa e sei que o negócio está crescendo. Acredito que posso contribuir, causar impacto de verdade. Ela sorriu novamente, dessa vez com mais confiança, e por um segundo minha mente me traiu — visualizei a cena dela sentada sobre minha mesa, como naquela noite, ofegando contra meu pescoço. Afastei a imagem o mais rápido que pude. Mas foi aí que caiu a ficha: ela estaria no meu ambiente de trabalho todos os dias. Como eu iria funcionar direito se tudo o que conseguia pensar era em t*****r com minha assistente? Suspirei, resignado. Sabia que não poderia demiti-la. Ela tinha largado tudo, feito as malas, atravessado o país para começar de novo. Aquilo exigia coragem. Eu admirava isso nela. Então, teria que engolir minha libido e esperar que, com o tempo, a atração diminuísse. Levantei-me, abotoei o casaco e indiquei a porta. — Deixe-me mostrar sua mesa. Ela se levantou, e claro, meus olhos traíram a razão, escorregando para sua b***a perfeita moldada pela saia justa. Ah, isso ia ser um problema. Ao sairmos da minha sala, apontei para a estação de trabalho à frente. — A Sra. Hathaway sempre gostou de trabalhar aqui por causa da luz natural — comentei, tentando soar neutro. — Eu também prefiro luz natural. Imagino que haja bem mais aqui do que no Missouri. Como diz o ditado, nunca chove no sul da Califórnia. Ri. — Não com frequência. Mas quando chove, vira um caos. Deslizamentos, inundações, essas coisas. E ainda tem os incêndios e os terremotos. Um verdadeiro pacote completo. Ela soltou uma risada leve, e meu coração acelerou. — Você pode se sentar, se ambientar. Se precisar de algo, anote. Vou pedir para a Patrícia mandar a assistente dela te ajudar com o sistema e os softwares que usamos. Ela também pode providenciar qualquer material que você precise. — Obrigada… Drako… ah… Sr. Sullivan. Então ela se lembrava de mim. E mesmo assim manteve a formalidade. Boa escolha. Talvez fosse melhor deixá-la me chamar de Sr. Sullivan mesmo. Um lembrete necessário de que havia limites entre nós. — Bem, vou deixá-la se instalar e ligo para a assistente da Patrícia. Voltei para minha sala e fechei a porta atrás de mim, respirando fundo. Eu tinha planejado treinar minha nova assistente pessoalmente, mas agora sabia que isso seria impossível. Não quando tudo o que conseguia pensar era em como ela se encaixava perfeitamente entre meus lençóis — e agora, entre os limites da minha sanidade. Peguei o telefone e disquei para o ramal do escritório de Patrícia, pedindo que ela enviasse sua assistente para ajudar a treinar Hyle. Minha voz soou calma, mas a tensão que percorria meu corpo dizia o contrário. Assim que desliguei, me recostei na cadeira e respirei fundo algumas vezes, tentando recobrar o foco. O desconforto era palpável. Eu odiava me sentir fora de controle — e era exatamente assim que me sentia desde o momento em que Hyle cruzou aquela porta. Eu sempre fui alguém que gostava de manter tudo sob controle, meticulosamente organizado, e isso incluía meus impulsos. O que eu precisava, claramente, era de um sistema. Um conjunto de regras. Um mantra, talvez. Algo que me lembrasse, sem margem para interpretações, que tocar em Hyle estava fora de questão. Fechei os olhos e comecei a listar mentalmente o que precisava manter em mente enquanto trabalhasse com ela. Regra número um: não t*****r com a minha assistente. Direto ao ponto. Simples. Absoluto. Mas só essa regra não bastaria — não com a forma como meu corpo reagia só de ouvir a voz dela. Então veio a regra número dois: todas as interações com Hyle devem ser estritamente profissionais e práticas. Sem espaço para flertes, olhares demorados ou conversas com segundas intenções. Regra número três: nada de jantares ou viagens a trabalho com ela, a menos que outro funcionário esteja presente. De preferência, Patrícia. Distância, nesse caso, seria um recurso de sobrevivência. E a quarta: a vida pessoal de cada um permanece fora do escritório. Sem histórias sobre o fim de semana, sem trocas íntimas, sem terreno para conexões além do necessário. Por um breve momento, pensei em ligar para o meu melhor amigo, Travis. Talvez ele pudesse me lembrar de manter a cabeça fria. Mas ele estava viajando, ocupado com mais um dos seus projetos de construção em outro estado. Não. Eu teria que lidar com isso sozinho. Essas regras tinham que ser suficientes para manter meu p*u — e minha sanidade — sob controle. Revisei mentalmente cada uma delas novamente, como se estivesse tentando gravar um contrato silencioso comigo mesmo. Uma tentativa de proteger não só meu negócio, mas também o pouco de equilíbrio que ainda me restava. E por um instante, me senti mais preparado, mais firme. Capaz de encará-la todos os dias e manter minhas mãos longe. Mas a sensação de controle evaporou no momento em que a lembrança dela nua, deitada sob mim, o corpo quente, curvilíneo, ofegante, tomou conta dos meus pensamentos com a nitidez c***l de uma memória vívida demais para ser esquecida. O som do seu gemido ecoou na minha mente como um sussurro proibido. Merda. Isso ia ser ainda mais difícil do que eu pensava.
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