capítulo dezessete

3108 Words
26 de setembro de 1991: Desde que os Sonserinos ficaram sabendo que fui agredida, eles ficaram protetores comigo, mesmo dizendo que eu podia me virar sozinha. Quando desci a escada dos dormitórios hoje, a maioria dos Sonserinos vieram até mim e perguntaram se era verdade que uma Corvina tinha me batido e a pior coisa que fiz foi ter concordado. E neste exato momento eu estava andando pelos corredores do castelo indo na biblioteca para terminar de fazer uma pesquisa sobre: Acônito, Asfódelo e Balsamina. Mas fui impedida de continuar a andar por Draco, que estava me gritando. Virei para trás e o vejo correndo com um livro em sua mão, seus cabelos estavam todos despenteados e suor brilhava em sua testa. Fiquei esperando o loiro me alcançar, mas quando pensei que Draco iria parar de correr, ele tropeçou me levando para o chão com ele. Minhas costas doem pela pancada e a minha cabeça fica zonza. Meu corpo que já estava dolorido por ontem, ficou pior. _ Ah, por que você não parou? - Pergunto, gemendo de dor. _ Tropecei. - Falou ainda deitado em cima de mim, ele era pesado e já estava ficando com falta de ar. _ O que vocês estão fazendo deitados no chão? - Perguntou uma voz irritada e eu sabia muito bem de quem era. _ Anda, Draco, sai de cima da menina. - Proferiu pegando Draco de cima de mim, respiro aliviada. _ Obrigada, Tommy, eu pensei que ele nunca iria sair, já estava morrendo por falta de ar e de dor. - Falo não percebendo o olhar de Draco pela palavra "Tommy". Levantei-me batendo as mãos em minhas roupas para tirar a poeira que poderia conter nelas. _ Ainda não me responderam, por que vocês estavam deitados no chão? - Olhei para cima e vi que os olhos de Tommy estavam ficando vermelhos. Aqueles olhos eram lindos, ainda mais quando estava de dia. _ Está com ciúmes, Calluni? - Zombou Draco. _ Fique tranquilo, ela é toda sua, eu a considero como uma irmã. - Sorriu colocando o braço em minha cintura. _ Não sou um objeto para ser de alguém, agora desgruda. - Digo empurrando o loiro, mesmo assim, me sinto feliz, era bom saber que ele me considerava como irmã. _ O que você queria comigo? _ Encontrei o nome do espelho que você me falou no seu primeiro dia de aula. - Falou pegando o livro do chão. _ Que espelho? - Perguntou Thomas indo para o meu lado direito e Draco ficou do meu lado esquerdo e fomos andando pelos corredores. _ Quando você brigou com a Sienna na primeira aula, você se lembra que ela desapareceu, não é? - Vejo Thomas concordar e pedir desculpas novamente pelo ocorrido daquele dia. _ Ela me disse na segunda aula de poções que ela encontrou uma sala com um espelho estranho e ainda mais. - Olhou em volta e disse: _ Que o diretor Dumbledore estava na sala também e fez uma pergunta estranha para nossa, cachinhos. - Os dois me olham pedindo confirmação. _ Sim, eu entrei numa sala estranha com um espelho todo ornamentado, o diretor Dumbledore me perguntou: o que você vê no espelho. - Tento imitar a voz dele, mas acabo fazendo os dois rirem. _ Então, resumindo isso tudo, você encontrou o nome do espelho? - Thomas supôs. _ Claro que encontrei, eu não teria o sobrenome Malfoy se não tivesse encontrado e prometi para Sienna. - Disse me olhando e sorrindo. _ E qual seria o nome? - Digo entrando no pátio e me sentando no banco de pedra que ficava de baixo da árvore. _ O espelho que você encontrou se chama Ojesed. - Falou abrindo o livro e mostrando o espelho que vi, mas com menos detalhes. _ Você está me dizendo que aquele espelho que eu lhe disse, era o espelho Ojesed? O espelho que você pode ver o seu desejo mais íntimo? - Perguntei pegando o livro e lendo um pouco sobre o espelho. _ Sim. Eu também procurei se teve alguma pessoa que nunca viu nada no espelho. - Falou pomposo e Thomas riu, mas continuou a ler comigo o conteúdo do livro. _ Por que você procurou isso? - Thomas franziu a sobrancelha. _ Sienna me disse que ela não viu nada no espelho, apenas o reflexo dela e da c***a Velha. - Bato em seu ombro, mas não digo nada. _ E como você pode ver. - Apontou para um parágrafo no livro. _ O espelho que ela viu mostra os desejos mais íntimos e todos temos algum desejo. _ E eu não vi nada. - Sorri de lado, ainda fascinada pela descoberta de Draco. _ E teve alguém que também não viu nada? - Pergunto ansiosa. _ Sim. - Sorriu mudando a página do livro que mostrava um homem moreno com uma face séria, mas seus olhos demonstravam tristeza e solidão. _ Porém, algumas pessoas que não viram nada no espelho era porque eram felizes. _ Mas sabemos que a nossa Cachinhos não é muito feliz. - Proferiu Thomas apertando minha bochecha e aquilo doeu, dou um peteleco em sua testa e ela fica vermelha. _ A maioria dos adolescentes não são felizes e todos temos um desejo que escondemos a sete chaves. - Sorriu enigmático. _ Teve uma pessoa que era infeliz e que não viu nada no espelho e seu nome era Jacob Mcnal, ele tinha 23 anos quando encontrou o espelho no ministério. _ O que ele fazia no ministério? - Perguntei. _ Ele trabalhava como secretário do Ministro da magia daquela época e o espelho precisava de inspeção. Vários bruxos fizeram testes com o espelho e todos ficavam deslumbrados com a imagem que aparecia para eles, mas Jacob fez uma pergunta que alarmou todos. _ O que ele disse? _ "Por que vocês estão se admirando no espelho"? _ Por Merlim. - Proferi empolgada. _ E o que os outros fizeram? _ Mais testes e eles logo descobriram que pessoas felizes não viam nada no espelho, porém, Jacob não era feliz. - Sorriu como se escondesse a verdade do mundo todo. _ Os bruxos fizeram experimentos com Jacob, mas nada dava resultados. _ Então eles não descobriram o motivo? - Balanço minhas pernas pela agitação que estava dentro de mim. _ Eles descobriram, uma mulher que podia ver a aura da alma disse que: o espelho nunca vai lhe mostrar o seu desejo mais íntimo se sua alma não tiver cor. _ Espera, cor de alma? - Pergunto me lembrando daquele homem, isso seria coincidência de mais. _ Sim, ele não tinha nenhuma cor, não era n***a, branca, opaca, cinza ou transparente. Eles não conseguiram saber o motivo dele não ter nenhuma cor. Você sabe de alguma coisa, não sabe? - Concordei com a cabeça. _ Quando fui ao Beco Diagonal, encontrei uma pessoa e ele me disse que a minha alma era interessante. - Olho para Draco e Thomas. _ Ele falou que minha alma não tinha cor. _ Bom, isso resolve um pouco do mistério. - Suspirou por fim. _ Mas apenas 0,01% da população bruxa não possui cor em sua alma e ninguém sabe o porquê de elas não terem. _ Bom, pelo menos sabemos o que era o espelho. Mas isso não nos diz o porquê do espelho está em Hogwarts. _ Você está certa, Hogwarts não é um lugar muito seguro, tenho que perguntar meu pai sobre isso. - Ri e o abracei de lado. _ Obrigada, Draco, agora vamos encontrar com o grupo e contar as novidades. - Falo me levantando e entregando o livro para Draco. _ Os Sonserinos estão quase sendo azarados pela Granger e alguns outros alunos. - Thomas falou rindo. _ Por quê? _ Eles colocaram na cabeça que precisam ser mais dedicados aos estudos para lhe dar de presente a Taça das Casas. - Draco complementou. _ Mas, por quê? - Digo pasma sobre essa descoberta. Estávamos caminhando para ir para biblioteca, tínhamos uma aula vaga e depois tínhamos aula com o professor que tinha disfemia, quero dizer Quirino Quirrell. _ Quando você perguntou para a Leesa o que ela faria se estivesse em uma guerra, você reviveu a união e a igualdade não somente da nossa casa, mas das outras também. - Ri com aquilo, nunca poderia imaginar que uma guerra trouxesse união e igualdade. _Eles gostam de você, Sienna e nada irá pará-los de vencer a nossa guerra. - Draco agarrou minha cintura e Thomas fez o mesmo, éramos o trio de prata e não nos importávamos com esse título, prata era mais cara do que ouro. _ Minha mãe perguntou sobre você. - Disse Draco me olhando de esguelha. _ Por que nunca me disse que a conhecia? _ Não achei que seria necessário e a última vez que eu a vi, foi no meu aniversário de 4 anos. _ Como você pode se lembrar de quando você era pequena? - Thomas franziu a testa. _ Achei que era normal se lembrar de sua infância e me lembro de tudo a partir dos meus 3 anos. _ Você é estranha, mas gostamos de você mesmo assim. - Os dois beijaram a minha bochecha. _ Também gosto de vocês e pensar que no começo achava vocês metidos e babacas. - Falo rindo de suas faces. _ Mas agora eu não sei o que faria sem vocês. - Beijo suas bochechas e os dois ficam rubros. Entramos na biblioteca ainda unidos e o nosso pequeno grupo, que deveria ser pequeno ainda, estava agora preenchendo a metade da biblioteca, tinha Sonserinos, Corvinos, Grifanos e Lufanos. Era uma bagunça de cores e sussurros. _ Eu não aguento mais todos esses alunos dentro da minha biblioteca usufruindo dos meus preciosos livros. - Chorou Madame Pince, ela nos olhou e saiu correndo. _ Pedirei demissão, eles estão acabando com o meu sossego. _ Acho que fomos longe de mais. - Um dos gêmeos saiu de uma estante. _ Como vai, cachinhos? - Sorriu para mim e quando viu os garotos sua face se tornou zombeteira. _ Como vai, cara pálida e Doninha? _ Não tinha apelido melhor? - Draco saiu andando para um corredor de livros qualquer. _ Eu estou bem, Fred. - Sorri. _ Oh. - Quase explodiu de felicidade. _ Nem a nossa mãe consegue diferenciar a gente, vamos nos casar ainda hoje. - Sorriu me tirando do aperto do braço de Thomas em minha cintura. _ Estou indo procurar sobre as minhas obrigações. - Falou emburrado. Fred veio até mim e colocou seu braço em meu ombro, ele estava claramente me usando de apoio, mas não me importava, era bom ter amigos e precisava contar isso para Darny. _ O cara pálida gosta de você. - Falou Fred. _ Eu também gosto dele. - Falo olhando para as pessoas da biblioteca. _ Não desse jeito que você acha minha doce cachinhos. - Sorriu. _ Sienna! - Quase gritou Draco. _ Vem, deixa eu lhe mostrar meu avô. - Pegou no meu braço e me levou para uma mesa da biblioteca. _ Estava olhando alguns livros e achei um anuário de 1945. _ Você disse 1945? - Perguntou Thomas. _ Você conhece alguém que fez parte dessa época, Calluni? - Perguntou uma menina de Al Amira. _ Desculpe chegar assim, me chamo Badeea Ali, a loirinha de tranças se chama Penny. - Deu um sorriso. _ Não. - Respondeu Calluni e ficou ao meu lado. _ Prazer em conhecê-los, me chamo Sienna, esse aqui do meu lado direito é Draco e esse ao meu lado esquerdo como bem já sabe é Thomas. - Digo apontando para eles. _ E quem seria seu avô? _ Esse. - Apontou para um garoto de terno cinza, cabelos loiros grandes que estavam amarrados em uma fita verde e a cor de seus olhos eram cinzas e sua pele era muito pálida para uma pessoa saudável. _ Ele se chamava Abraxas Malfoy, ele se casou com Callysa Millefeuille, vulgo, Malfoy. _ Ele se parece muito com você. - Vejo suas bochechas ficarem rubras, olho novamente para o álbum e vejo um garoto que estava no meio da foto. _ E quem é ele? - Aponto para o garoto. Ele tinha olhos castanhos, mas que se pareciam verdes, cabelos alinhados com cachos nas pontas e uma mecha ficava sempre caindo em sua testa, ele tinha um sorriso falso nos lábios e olhava para frente, sua pele era pálida, mas não tanto quanto do Malfoy. _ Esse se chama. - Procurou na plaquinha de baixo da foto. _ Tom Marvolo Riddle, o melhor aluno da escola e era da nossa casa, Sonserina. Ele saiu de Hogwarts com 18 anos em 1945. _ Aqui no anuário está dizendo que ele foi o melhor aluno depois de Merlim. - Disse Penny impressionada, o garoto da foto era realmente bonito, mas minha bexiga queria se aliviar, então eu disse: _ Draco, conte a novidade para o pessoal, tenho que ir ao banheiro. - Digo andando para sair da biblioteca. _ Claro, vai lá. Saio da biblioteca que ainda continuava sem a Madame Pince, talvez ela realmente pedisse demissão. Andei em direção do segundo andar, ali tinha um banheiro interditado, mas era sempre limpo pelos elfos. Alguns diziam que o Lorde das Trevas matou uma menina neste banheiro e incriminou um inocente, mas era apenas suposições e ninguém confirmava se era verdade ou não. Abro a porta do banheiro e vejo que era normal, tinha um grupo de pias no meio, seis cabines na esquerda e duas pias na direita no fundo, com um par de espelhos. Ninguém vinha neste banheiro e isso era bom, não tinha que esperar uma fila imensa para usar uma das cabines. Vou em uma das cabines e abro a porta entrando nela e em poucos segundos fecho a porta, levanto minha saia e retiro minha calcinha me sentando no vaso sanitário e aliviando minha bexiga. Quando termino eu me seco, levanto minha calcinha e abaixo a saia, saio da cabine para lavar as mãos, mas a pia do meio não saia nenhuma gota, estranho. Vou à pia do lado e lavo as minhas mãos, quando eu ia sair do banheiro e voltar para biblioteca um fantasma aparece e fala: _ Você estava no mesmo lugar quando ele me matou. - Proferiu uma voz chorosa, olho para trás e vejo uma menina fantasma, Murta Warren, a menina morta pelo Lorde das Trevas. _ Você é a Murta, não é? A menina que morreu neste banheiro pelo você-sabe-quem? _ Não chame ele assim! - Gritou vindo na minha direção, sua cabeça fantasma estava quase encostando na minha. _ Ele tem um nome comum, mas o nome é tão bonito. - Chorou, mas as lágrimas não saiam de seus olhos fantasmagóricos. _ E qual era o nome? - Perguntei curiosa. _ Morri bem aqui. - Apontou para uma direção que não prestei atenção, ela mudou de assunto como se fosse nada. _Mas antes disso eu estava chorando por causa de uma amiga minha, sim, eu estava, aí do nada começo a escutar algumas coisas estranhas. - Começou a rodear as pias. _ E depois? _ E depois eu apenas saí de onde eu estava e olhei para o chão que estava alagado, mas quando olhei, eu vi olhos amarelos e puff. _ Puff? - Não entendo o que ela queria dizer. _ Sim, puff, eu morri e não vi mais nada, mas eu sei que ele estava aqui nesta pia. - Aponto para pia que não saia água. Ando até a pia do meio e começo a olhar em volta. Qual seria o motivo de você-sabe-quem estar no banheiro feminino falando coisas estranhas na frente de uma pia? Espere. _ Aquele-que-não-deve-ser-nomeado era dá Sonserina, não é? _ Sim, o garoto mais bem-educado e inteligente de Hogwarts. - Chorou novamente. _ Ele falava coisas estranhas na frente desta pia e você falou que viu olhos amarelos. _ Sim, o que você está pensando? Sorri para Murta, claramente os olhos amarelos eram de um basilisco. Olho ao redor da pia e começo a passar a mão para ver se eu achava alguma alavanca ou algum relevo. _ O que está fazendo? - Perguntou voando atrás de mim. _ Vendo se eu acho. - Paro de falar quando vejo uma serpente na torneira. _ Achei você, basilisco. - Murta viu o sorriso da garota e quase berrou, ela se lembrou dele, a menina tinha o mesmo sorriso só que talvez pior. _ Você me dá medo! - Saiu voando e entrando em uma privada e espirrou água para todos os lados. _ Nojento. - Torci o nariz. _ Ei! - Gritei olhando em volta. _ Você não me contou o nome dele. - A fantasma não proferiu nada por minutos e já estava ficando estressada. _ Vai, Murta, não me deixe falando sozinha. A cabeça do fantasma saiu do vaso e me olhou, ela estava emburrada e com nariz em pé. Típico de uma adolescente fazendo birra, pensei comigo. Espere! Eu sou uma adolescente. Merda. _ Ele se chama Tom Marvolo Riddle. Olho para o fantasma com olhos esbugalhados, Lorde das Trevas era aquele garoto bonito no anuário de 1945? Por Merlim! Preciso contar isso para o pessoal. Não me despeço do fantasma e apenas corro indo em direção da biblioteca. Corro como se minha vida dependesse disso e quando entro na biblioteca, quase assusto todos. _ Eu. - Respiro tentado pegar fôlego. _ Achei a entrada da Câmara Secreta! _ Por Merlim! - Sorriu Leesa. _ E onde ela está? _ Eu acho que achei, fui ao banheiro do segundo andar e conversei com o fantasma que foi morta pelo-você-sabe-quem e ela me falou como foi morta. _ E? - Perguntou Fred. _ E acabei achando uma torneira que não saia nenhuma água e na torneira tinha um símbolo de uma cobra. E também sei quem é o Lorde das Trevas. - Aquilo assustou algumas pessoas, mas não me importo. _ Tem certeza de que você não deveria estar na Corvinal? - Sorriu Jorge. _ Então isso já nos ajuda com a guerra, já sabemos onde é a entrada da Câmara e só falta... _ O mapa. - Todos falaram em uníssono, aquele dia seria de opiniões diferentes e suposições sobre uma guerra que estava imergindo no horizonte. Todos estavam muito empolgados com a descoberta de Sienna, mas ela se esqueceu de um detalhe importante, contar quem é o Lorde das Trevas e de fazer o dever de poção.
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