Capítulo 22 - Me deixe explicar

1552 Words
Quando o ponteiro do relógio marcou quase duas da manhã, Elena ainda estava na boate, dançando, rindo e mantendo a postura erguida. Apesar do cansaço, cada gesto, cada sorriso calculado, parecia desafiar a noite a perceber sua fragilidade e Ethan observava tudo de longe, em silêncio absoluto. Mas quando o grupo começou a sair da boate, algo dentro dele estremeceu. Elena estava no centro das conversas, e três pessoas caminhavam com ela: Luna, Daniel e Luke. Eles falavam e riam como se o mundo estivesse leve. Ethan foi mais rápido que o grupo que caminhava em passos lentos como se quizessem prolongar ainda mais a noite. Ele estacionou o carro próximo ao campus e caminhou a passos largos até uma parte escura próximo a parede lateral da porta do dormitório feminino. Esperava ter a chance de conversar com Elena e explica tudo. Quando o grupo chegou próximo ao local onde Ethan estava escondido nas sombras ouviu Daniel provocar Elena. — Não é justo você não sumir esse fim de semana. Eu já havia feito planos para me mudar para seu dormitório até segunda. — Daniel disse, brincando, mas com aquele olhar de quem falava sério. Elena sorriu, levantando a sobrancelha, irônica: — Se quiser, posso trocar de dormitório com você. Você fica no meu com a Luna e eu passo o fim de semana no seu. — Por mim tá fechado — provocou, Luke - Você é uma presença muito mais agradável aos olhos do que esse grandão aí - provocou apontando para Daniel. Tudo era brincadeira inocente. Mas Ethan não gostou de ouvir aquilo. O nome de Luke, as risadas, a insinuação de que Elena poderia dormir no quarto dele. Aquilo bateu forte como um gatilho visceral, primitivo. O corpo de Ethan enrijeceu. Um ciúme feroz atravessou o peito. Possessivo. Incontrolável. Selvagem. De repente, ele teve certeza absoluta: Ele nunca suportaria ver Elena com outro homem. Queria ir até ela, a puxar pela mão e dizer que ela não dormiria em lugar algum que não fosse na cama dele. Mas não podia fazer isso, e talvez nunca poderia. — Então está combinado - disse Luna rindo abraçando Daniel - Luke leva Elena e me devolve na segunda. Elena ergueu o queixo, olhando fixamente para a amiga. — Parece que sou uma pessoa fácil de se descartar. - disse parecendo brincar mas o sentimento doía de verdade. Ethan sentiu uma pontada ao escutar ela falar daquele jeito, sabia que ela apesar de estar brincando se referia aos eventos daquela noite. Elena olhou para Daniel e Luna com carinho: — Podem ir vocês dois. Fiquem juntos, aproveitem. Eu vou ficar mais um pouco aqui. A noite ainda está bonita. Eu mando mensagem quando estiver subindo. Era verdade. Ela queria dar espaço para eles e também evitar vê-los se despedirem com beijos e carícias… enquanto ela lutava com um coração que ardia. Daniel e Luna entraram juntos no prédio, sorrindo e brincando, deixando Elena com Luke do lado de fora. Luke, se ofereceu para fazer companhia e ela rejeitou com delicadeza, ele assentiu desejou boa noite, mas antes de sair comentou - Se esses dois demorarem demais, o convite para o meu dormitório está de pé, não vai inventar de dormir no banco do jardim - disse ele provocando - juro que estará mais segura comigo - finalizou ele voltando para o dormitório. Ela suspirou, ajustando o casaco, e começou a caminhar lentamente pela lateral do prédio, onde um pequeno jardim iluminado por lâmpadas baixas se espalhava ao redor de uma fonte tranquila. O som da água correndo suavemente ecoava pelo espaço, misturando-se ao vento frio da noite. Foi nesse instante que Ethan apareceu. Ele caminhava silenciosamente, os passos firmes, o coração acelerado. O ar noturno carregava a tensão de horas de contenção e desejo reprimido. Elena, concentrada no próprio caminhar, não percebeu sua aproximação imediata. — Elena — sua voz saiu baixa, rouca, como se tivesse sido comprimida entre o peito e a garganta. Ela congelou. O coração disparou, batendo com força suficiente para parecer ecoar pelo jardim. Por um momento, ficou imóvel, tentando decidir se recuaria ou enfrentaria. Ethan parou a poucos metros dela, mas não tocou. Apenas observava, cada detalhe da expressão, cada hesitação. — Você não deveria estar aqui — disse Elena, a voz firme, tentando manter o controle que a noite inteira havia sido exigido. — Eu estou — Ethan respondeu, dando um passo à frente. — exatamente onde eu devo estar. O olhar de Elena passou pelo dele, e, por um instante, toda a fortaleza que ela mantinha se rachou. — Você estava com ela — disse, referindo-se à Eva, sem cerimônia. — E agora está aqui. Por quê? Ethan respirou fundo, controlando cada fibra do corpo: — Não estou com ela, não mais. Fui apenas encerrar tudo de vez. Ela era uma ameaça… para você, para nós. Não podia permitir que nada, nem ninguém, interferisse. O silêncio caiu sobre o jardim, quebrado apenas pelo som da água da fonte. Elena engoliu seco, processando as palavras dele. — E veio fazer o que aqui? — sussurrou, em desafio. — Veio me salvar? — Não — respondeu Ethan, firme. — Vim porque você me destruiu quando fingiu que não sentiu nada ao me ver com outra pessoa. E porque te observar de longe a noite todas, dançando, linda e tão distante de mim, me feriu mais do que eu poderia imaginar. O choque, a tensão, o desejo tudo misturou-se em uma única sensação que percorreu os dois. Nenhum movimento físico ainda, apenas o peso do que não foi dito e a verdade exposta. — Você pode tentar fugir de mim — murmurou Ethan, o olhar fixo. — Mas eu não vou fugir de você. Uma rachadura real atravessou o olhar de Elena. — Você não deveria ter vindo atrás de mim — ela sussurrou. Mas não deu um passo para trás. Ethan o viu ela sentia. Demais. — Então me diz para ir embora, e eu vou — murmurou. — Diz que não quer mais me ver, que não quer mais sentir meu toque, que não me quer. A decisão é sua e eu vou respeitar. Silêncio. Elena tentou falar, mas nada saiu. Os lábios tremeram, os olhos marejaram. E então ele deu um passo para trás. Sem toque, sem beijo, sem reivindicação. Ele queria mais do que o corpo dela. Ele queria a Elena completa. O silêncio dela era cortante. Ethan tentou se afastar, tentou convencer a si mesmo de que precisava ir embora. Precisava manter a distância, precisava se controlar. Mas cada metro que se afastava parecia queimá-lo por dentro. Ele não podia simplesmente deixá-la ali, sozinha, vulnerável e exposta à noite fria do campus. Elena o viu se afastar, dar espaço a ela e isso a destruiu ainda mais por dentro, ela tentou chamá-lo mas o orgulho não permitiu, ela respirou firme tentando manter a postura firme. Ele parou, respirou fundo e se virou novamente e voltou. O olhar dela o encontrou, forte, desafiador, mas ainda carregado de dor e fragilidade. — Elena… — começou, a voz baixa, quase um sussurro cortante, — me dá cinco minutos. Só cinco. Preciso explicar tudo. — Cinco minutos — repetiu Ethan, firme. — Só preciso que me ouça. Por favor. Elena respirou fundo, os olhos verdes fixos nos dele. O que ele queria dizer poderia alterar tudo. Mas havia algo na sinceridade contida naquele pedido que a fez recuar, baixar a guarda só um pouco. — Está bem — respondeu, a voz baixa, firme, mas com uma ponta de rendição. — Cinco minutos. Ethan sentiu um breve alívio, embora o corpo ainda estivesse em alerta. Aproximou-se lentamente, cada passo carregado de tensão, desejo e urgência contida. Não havia toque, não havia pressa. Apenas a necessidade de esclarecer, de colocar para fora a verdade antes que qualquer m*l-entendido destruísse o que ainda existia entre eles. O vento frio do jardim passou por eles, misturando o cheiro da grama úmida e da fonte, e por um instante, tudo ao redor desapareceu. Só existiam eles a verdade, o desejo, e os cinco minutos. — Venha comigo — disse, firme, mas com uma suavidade que não deixou espaço para recusa. — Vamos conversar no carro. Aqui não é seguro… podemos ser surpreendidos por algum aluno. Elena hesitou por um instante, o olhar fixo no dele. A intensidade nos olhos de Ethan falava mais do que qualquer palavra. Ele não pediu, não implorou. Convidou com a autoridade e a urgência de quem precisava colocar tudo em ordem. Ela finalmente colocou a mão na dele. O toque foi breve, mas suficiente para que ambos sentissem a eletricidade percorrendo o braço. Sem pressa, sem palavras desnecessárias, caminharam juntos até o carro, mantendo o silêncio que pesava e ao mesmo tempo acalmava. Quando se aproximaram do veículo, Ethan destravou as portas e abriu a do passageiro para ela. Elena entrou, e ele fechou atrás dela com cuidado. A escuridão do carro proporcionava privacidade, mas também aumentava a tensão. Ethan ajustou o retrovisor para tentar acalmar a mente e respirou fundo Elena fechou os olhos e se encontrou no banco. O silêncio que se seguiu era denso, cheio de expectativas, desejo contido e medo. Ethan sabia que cada segundo ali dentro podia mudar tudo, e precisava ser cuidadoso.
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