CAPÍTULO 14 — ENTRE O CERTO E O IMPOSSÍVEL

1408 Words
Elena saiu do carro primeiro. Ethan saiu em seguida, mas não tentou tocá-la. Caminharam lado a lado até o elevador, dois corpos separados, duas almas completamente entrelaçadas. O som da chuva ainda ecoava, como se tivesse ficado preso neles. O elevador subiu em silêncio. Um silêncio elétrico. Quando a porta do apartamento se abriu, Elena parou no batente, respirando de um jeito que não era normal. O lugar tinha cheiro de rotina e de vida real: livros espalhados pela sala, uma xícara de café esquecida, um casaco sobre o sofá. Não havia artificialidade. Era a casa dele e, de algum modo, ela sentia que já conhecia cada detalhe. A porta se fechou atrás deles com um clique metálico. Esse som ecoou no corpo dela como um ponto sem retorno. Ethan se aproximou devagar. Não havia pressa, nem fome desesperada. Era o passo de alguém que esperou a vida inteira e tinha medo de estragar tudo. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, com tanta delicadeza que os olhos de Elena arderam. — Você tem ideia do que faz comigo? — ele sussurrou, a respiração tocando os lábios dela. Ela sustentou o olhar. Corajosa pela primeira vez em muito tempo. — Tenho — murmurou. — Porque você faz o mesmo comigo. E então ele a beijou. Não foi rápido. Não foi urgente. Foi profundo, lento, cheio de todas as palavras que estavam presas dentro deles por semanas. As mãos de Ethan seguraram o rosto dela como se ela fosse preciosa demais; as dela agarraram a camisa dele como se tivesse medo de que ele desaparecesse. Quando faltou ar, ele se afastou apenas o suficiente para falar contra a boca dela: — Eu tentei… Deus, eu tentei tanto ficar longe. O beijo, antes suave, explodiu, não por pressa, mas por libertação. Era como se cada minuto de contenção finalmente tivesse permissão para existir. Elena passou os dedos pela nuca dele, pelo cabelo ainda úmido, e o corpo de Ethan reagiu de imediato. Quando ele a puxou pela cintura, unindo os corpos por inteiro, ela suspirou contra os lábios dele e aquilo mudou tudo. Ethan a encostou na parede com cuidado, como se ainda tivesse medo de machucá-la, mas os olhos dele diziam outra coisa: ele a queria. Por inteiro. Sem reservas. — Elena… — ele disse entre beijos no pescoço, como se cada pedaço dela tivesse sabor. — Você me tira completamente do controle. Ela deslizou as mãos sob a camisa dele, sentindo calor, músculos tensos, o coração acelerado. — Então não tenta se controlar — sussurrou no ouvido dele. O gemido fraco que ele deixou escapar incendiou tudo. Ethan a ergueu pela cintura num movimento fluido as pernas dela se prenderam à cintura dele instintivamente, e o beijo voltou ardente, profundo, devorador. Ele caminhou até o quarto carregando-a, sem romper o contato das bocas, como se não conseguisse ficar longe nem por um segundo. Quando a deitou na cama… parou. Apenas parou. E olhou. Como se Elena fosse algo que ele nunca acreditou que pudesse ter. — Você é linda — disse com um peso que não era físico — era emocional, real. Elena tocou o rosto dele, percorrendo a barba, o queixo marcado, os lábios. — Você me faz sentir viva — confessou. O sorriso dele aquele sorriso raro, que aparece quando alguém se rende de verdade foi a resposta. Ethan desceu a boca pelo corpo dela devagar: primeiro os lábios, depois a curva do queixo, o pescoço, a clavícula. Elena arqueou contra ele, tremendo, segurando seus ombros como se o toque fosse necessário para continuar respirando. Não era apenas desejo. Era encontro. Era reconhecimento. A roupa foi retirada lentamente, como se cada peça tivesse significado. O toque de Ethan era reverência e fome ao mesmo tempo. O de Elena era entrega e descoberta. Eles estavam vulneráveis e ainda assim mais fortes do que nunca. Quando finalmente se uniram, não houve pressa. Foi lento. Profundo. Intenso de um jeito que queimava mais do que urgência. Elena segurou o rosto dele entre as mãos, olhando nos olhos enquanto seus corpos se moviam juntos. Ali não havia culpa. Nem medo. Nem regras. Havia dois seres que lutaram contra o inevitável e perderam lindamente. Cada sussurro, cada tremor, cada respiração os amarrava ainda mais. Ethan beijou a testa dela, os olhos, os lábios como se a amasse sem poder dizer. Quando o prazer finalmente os arrastou, quando os corpos cederam juntos, o nome dele escapou da boca de Elena num sussurro quebrado —e aquilo destruiu qualquer autocontrole que restava em Ethan. Ele se perdeu nela, com ela, ao mesmo tempo. Depois, ficaram deitados, ofegantes, abraçados, as pernas entrelaçadas, os corações em desalinho. Ethan passou a mão lentamente pelas costas dela como se gravasse o momento na pele. — Eu não quero que isso acabe — disse, com uma honestidade frágil, quase dolorosa. Elena encostou o rosto no peito dele, ouvindo o coração acelerado. — Eu também não… — respondeu. — Mas tudo ficou mais difícil agora. Ele fechou os olhos e a apertou um pouco mais, como se pudesse protegê-la do mundo. — Vale a pena — disse, sem hesitar. — Você vale. E ela acreditou. Ela adormeceu assim: pele com pele, respiração com respiração, dois corações inquietos conscientes de que nada seria igual quando o sol nascesse. A casa estava silenciosa, mergulhada na penumbra azulada da madrugada. O relógio marcava três da manhã, aquele instante em que a noite ainda domina. Ethan estava acordado, não por inquietação ou arrependimento, mas porque simplesmente não conseguia parar de olhar para Elena adormecida em seu peito. Ela estava enroscada nele, o corpo encontrado ao corpo dele como se não existisse outro lugar possível. A respiração dela era calma, suave, quase inocente. O rosto relaxado, a boca entreaberta, os cabelos soltos pela clavícula e pelos lençóis… tudo nela transmitia uma vulnerabilidade tão real que o apertava por dentro. Ele nunca tinha visto ninguém assim. E, sem entender, percebeu que nunca quisera proteger tanto alguém. Os acontecimentos da noite passaram pela mente dele, não como um filme de desejo, mas como flashes de detalhes que só se gravam quando algo importa de verdade: O jeito como ela tremeu quando ele a tocou pela primeira vez. O nervosismo discreto nas mãos quando tirou a própria blusa. O olhar brilhando não só de vontade, mas de ansiedade e entrega. A respiração acelerada antes do primeiro movimento. O silêncio, seguido daquele suspiro profundo… como se algo tivesse se quebrado e, ao mesmo tempo, se libertado dentro dela. Na hora, ele não percebeu. Agora, percebendo tudo de fora percebeu demais. Elena não tinha experiência. Não sabia esconder isso, mesmo tentando. Ethan sentiu um peso no peito. Não era culpa apenas. Era algo maior, mais profundo, mais inesperado. Ela poderia ter escolhido qualquer outra pessoa. Alguém da idade dela. Alguém mais seguro, menos complicado, menos arriscado. Mas ela havia se entregado a ele. E não havia nada casual naquela entrega. Com extremo cuidado, Ethan passou os dedos pelos cabelos dela, afastando uma mecha teimosa de seu rosto. O toque foi tão lento, tão reverente, que qualquer pessoa que o conhecesse jamais acreditaria nele. Porque ali, com ela, ele não era o professor brilhante, o empresário exigente, o homem de controle absoluto. Ali, ele era só um homem que tinha medo de não estar à altura. Ele respirou fundo, tentando organizar o que sentia e falhou. Era responsabilidade. Era p******o. Era afeto. Era algo que ele não estava pronto para nomear. Elena se moveu lentamente, aproximando-se ainda mais como se instintivamente buscasse o calor dele mesmo dormindo. Ethan fechou os olhos, mas não soltou, envolveu-a ainda mais com os braços, colando seus corpos como se pudesse protegê-la do mundo inteiro. Não havia orgulho ali. Não havia conquista. Não havia vaidade masculina. Havia a certeza silenciosa de que algo nele tinha mudado para sempre. Ele inclinou o rosto de leve e encostou os lábios no alto da cabeça dela, num beijo tão suave que quase não existiu, mas que carregava tudo o que ele não conseguia colocar em palavras. — Eu não vou esquecer isso — murmurou contra os cabelos dela, a voz abafada, quebrada, carregada de sentimento. — Nunca. E não era uma promessa para ela. Era uma confissão para si mesmo. Porque naquele instante Ethan finalmente entendeu: Ele tinha atravessado uma linha da qual não havia retorno. E, por mais perigoso que fosse… ele não queria voltar.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD